domingo, 12 de maio de 2019

Morre Lúcio Mauro, ator e comediante


No livro Memórias de uma Guerra Suja, autoria de Rogério Medeiros e Marcelo Netto, com depoimentos do ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra, Lúcio Mauro, TV Globo, é citado como participante dos encontros com militares no restaurante Angu do Gomes, RJ, e chegava a cozinhar para eles.

Lá, com anuência dos proprietários, o coronel Freddie Perdigão e o comandante Antônio Vieira, decidiam os caminhos da repressão e quem ia morrer

"O Angu do Gomes fazia parte de um complicado esquema q arrecadava fundos para as nossas atividades", disse o delegado Cláudio Guerra

No restaurante foram planejados assassinatos comuns e com motivações políticas, e discutidos os vários atentados a bomba que tinham como objetivo incriminar a esquerda e dificultar, ou impedir, a redemocratização do país”, historia o livro.

Há informações sobre contatos de atores com figuras da repressão

Jece Valadão saía em operações com os policiais. Gostava de ver a execuções e Mariel Mariscot o levava.” Carlos Im­perial, Sargentelli, Ciro Batelli e o Boni também frequentavam o Angu do Gomes.

Batelli seria ligado aos bicheiros Castor de Andrade e Ivo Noal. Os bicheiros apoiavam, com logística e dinheiro, as ações dos homens do porão.

Wagner Montes também mantinha ligações com os homens do porão. O cantor, ator e comediante Moacir Franco também “cooperava”.

Cláudio Guerra declara: “A Folha de S. Paulo apoiou informalmente as ações da Oban. Os carros que distribuíam jornais eram usados em campanhas pela prisão de comunistas. Esses carros eram muito úteis porque disfarçavam bem, ninguém suspeitaria que membros da Oban estivessem ali."

Octávio Frias de Oliveira, o falecido publisher, admitiu, sim, que o uso dos veículos era (é) um fato, mas garantiu ao filho, Otavio Frias Filho, que não tinha participação pessoal nenhuma com os militares. A história está registrada na biografia de Frias pai.

"A bomba que explodiu na casa do dono da Globo foi parte de uma estratégia formulada por ele mesmo, Roberto Marinho. Foi simulado. A ordem partiu do coronel Perdigão, e eu mesmo coloquei a bomba, mas tudo foi feito a pedido do empresário, pra não complicá-lo", disse Cláudio Guerra

Para todo mundo ele foi a vítima. Roberto Marinho estava ficando muito visado pela esquerda e pela própria imprensa. Achavam que ele apoiava a ditadura”. Cláudio Guerra contou com o apoio do sargento Jair, de um tenente e do policial civil Zé do Ganho.

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