quarta-feira, 12 de junho de 2019

A sorte de ser brasileiro

Claudio Guedes

Sortudos

Imagine se Sérgio Moro, o ex-juiz da 13° Instância Federal de Curitiba, PR/Brasil, fosse juiz federal em Boston, Massachusetts/EUA.

Moro fez um curso em Harvard University, que fica próxima às margens do rio Charles, na bela cidade do nordeste americano. Cursou o programa de instrução de advogados da Harvard Law School, em 1998.

Não é um mestrado, e muito menos um doutorado, como gostam de alardear os fãs do ex-juiz celebridade. Mas o curso deve ter sido instrutivo o suficiente para dar conhecimento ao ex-juiz (apesar de seu inglês deficiente, é provável que Moro tenha proficiência para ler textos jurídicos) que, caso fosse juiz nos EUA e tivesse manipulado processos em cumplicidade com a promotoria, ele estaria hoje em situação gravíssima.

As conversas divulgadas, e não desmentidas no primeiro momento, entre ele e o procurador-chefe de processos investigados pelo segundo e julgados por ele, que apontam interferência direta do juiz na condução das investigações, fariam, nos EUA, com que todas as provas contra os réus de tais processos fossem anuladas, todas as condenações revistas e eles, juiz e procuradores que conduziram os processos, investigados nas esferas criminal e disciplinar.

Seria provável, dada a dimensão do escândalo, que nos EUA, Moro e Dallagnol estivessem hoje recebendo a visita do FBI e sendo levados à presença de um juiz de legislação administrativa (Administrative Law Judge – ALJ) que se encarregaria de verificar o caso e julgá-lo.

Acho, e posso estar enganado, que um juiz e procuradores que tivessem se comportado da forma como Moro e alguns membros do MPF/PR se comportaram, manipulando processos da justiça federal para prejudicar cidadãos, em muito pouco tempo, nos EUA, estariam, todos, na cadeia, cumprindo duras penas.

Os sortudos, entretanto, são brasileiros, de Curitiba/PR.

Em Harvard, Boston/Massachusetts, só foram comprar prestígio e, lá, nem um inglês decente aprenderam.

Sortudos.

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