terça-feira, 11 de junho de 2019

ARROGANTES, AMORAIS E INCENDIÁRIOS

Moisés Mendes


Uma das conversas reveladoras do caráter coletivo da Lava-Jato é a que trata da abordagem que deveria ser feita a uma jornalista do Globo, para que ela revelasse sua fonte. 

Está na parte do vazamento das conversas em que Deltan Dallagnol comemora o fato de que alguém da equipe encontrou uma reportagem de 2010 que insinua que o triplex do Guarujá seria de Lula.

Chegam até a levantar a hipótese de inquirir a jornalista em um depoimento “espontâneo”, já que ela teria destruído e-mails e anotações sobre a informação. Mas parece que desistem.

Fontes podem ser omitidas e preservadas, como está na Constituição, ou o jornalista não teria nenhuma garantia na divulgação de fatos muitas vezes graves em que o informante não pode aparecer, sob pena até mesmo de ser eliminado.

Mas Dallagnol e sua turma achavam que tudo podiam. Eles trabalhavam pelo bem do Brasil e da humanidade.

A arrogância dos procuradores e de Sergio Moro levou ao desfecho que assistimos agora. A alegre turma da Lava-Jato se achava acima das normas e das leis. 

Todos os que já trabalharam em equipes em missões especiais conhecem bem o perfil desse tipo de gente. Eles são assim em quaisquer áreas. Assertivos sem regras e sem limites, competitivos ao extremo, impulsivos e prepotentes. E muitas vezes amorais. 

A soberba da sensação de impunidade acabou com a Lava-Jato. Um dos grupos de mensagens da força-tarefa no aplicativo Telegram, agora devassado, se denominava Incendiários. Colocaram fogo nas próprias vestes.

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