Se conheço um pouquinho de estratégia, Glenn Greenwald tem o judiciário brasileiro nas mãos.
1) Ele disse que "ainda não viu todo o material". O que acho que é uma meia verdade. Ele deve ter visto a maior parte e já selecionado os pontos nevrálgicos.
2) o maior problema era validar publicamente o material obtido. E ele fez isto magistralmente. Ele vazou coisas mínimas e esperou que Moro e Dallagnol confirmassem a autenticidade. Agora a Inês é morta. Com o material validado, o The Intercept tem o domínio da narrativa.
3) Glenn passou a desqualificar a mídia monopolista bem de mansinho. Primeiro, com informações de senso comum, mas penso que ele tem um baralho inteiro de cartas na manga. Acho que ele deve ter coisa muito quente lá dentro, contra ministros, PF, diretores de televisão e jornais ... e esta jogando a isca. Quem morder primeiro morre.
4) Até agora o timing foi impecável. Obteve a validação do material todo, enredou os agentes públicos nas próprias narrativas e fez tudo isto sem gastar nenhuma "carta" além do planejado. O problema agora é não deixar cair no esquecimento. Não sei os prazos que eles se colocaram, mas os vazamentos "aos pouquinhos" tem dois objetivos: (1) manter viva a narrativa e a expectativa e evitar o "apagamento" e o bloqueio que a mídia monopolista tentará colocar e (2) deixar todos os agentes públicos envolvidos em suspenso ... pensando nos custos de uma ação "suicida" contra o The Intercept (como uma decisão judicial de invasão ou censura).
Se vocês viram o filme "Spotlight: segredos revelados" reconhecerão a estratégia ...
Este Glenn Greenwald é "old-school" ...

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