Claudio Guedes
Impossível não comentar.
O assunto domina boa parte da pauta da imprensa. Um bombardeio na TV, nas rádios e jornais. O affair Neymar é a bola da vez. Não nos campos gramados onde se joga o ludopédio, como seria natural.
Não comento sobre a questão da investigação criminal. Estupro? Agressão? Armação? Não sei. Não conheço os fatos. Os detalhes que são tornados públicos revelam interesses das "partes", estratégias de ataque e defesa. Não sei onde as investigações terminarão, o que provarão.
Mas algo importante no imbróglio chama a minha atenção.
A história do encontro de Neymar e Najila, a história tal como contada por ambos e documentada em conversas, locais e fotos, revela uma sordidez impressionante.
Um jovem astro do futebol convida uma bela mulher para um encontro em Paris, cidade Luz, e vai vê-la, na primeira vez, num quarto de hotel, tarde da noite, onde chega meio bêbado? Não. É tudo muito escroto.
Mesmo que o objetivo do encontro fosse, como fica claro nas conversas preliminares, o sexo, falta algo, não é? Cadê as flores, um pré-encontro num bar discreto para um drink juntos, uma taça de champagne - na terra da Veuve Clicquot, da Moët-Chandon - ou um jantar gostoso num bistrô aconchegante?
Nada.
Tudo se resume ao usufruto do corpo do outro, do desejo bruto, sem alma, sem calma. Comprei um "belo pedaço de carne viva", sou rico, sou poderoso. Podia comprar no mercado local - não faltam ofertas - mas como grana não me falta, importo de meu distante país. Depois conto aos amigos que dirão, em coro, uníssonos: você é foda, Ney!
Não sei se Neymar cometeu os crimes de estupro ou de agressão contra Najila, mas ele demonstrou, neste episódio, ser uma pessoa sórdida.
Extremamente sórdida. Ele, seu pai, sua corte de puxa-sacos: sórdidos!

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