Por que será que as pessoas gostam tanto de distorcer os argumentos que questionam a teoria do aquecimento global? Por que gostam tanto de mentir e demonizar, por que têm tanto medo a ouvir e debater? Algumas considerações sobre isso no meu blog: https://t.co/qH79HiGT48— Ernesto Araújo (@ernestofaraujo) August 5, 2019
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Impressionante como seu artigo é completamente desprovido de qualquer fundamentação, Sr. Ernesto Araújo. Sem entrar no mérito da fidedignidade do que foi dito ou não dito em entrevista, vou tratar aqui do que você escreveu.
1. Há uma distorção da sua parte quanto à questão dos eventos extremos. Todas as estatísticas demonstram que a frequência de extremos de calor é, hoje, bem maior do que a frequência de baixas temperaturas. Cinco vezes para ser mais preciso. https://t.co/HrOJv6VNqg?amp=1
Mesmo que isoladamente nenhum evento de tempo seja necessariamente representativo, há uma assimetria aqui. Usar uma onda de calor extremo de maneira ilustrativa para a tendência observada de aumento da frequência desse fenômeno é legítimo.
Já usar um episódio de frio cuja frequência é cada vez menor para tentar "refutar" o aquecimento global aí sim, é uma manipulação flagrante. Mas vamos em frente em seu "artigo".
Você depois se refere à "teoria do aquecimento global" como "a tese de que o mundo está passando por um processo de aquecimento em ritmo alarmante devido ao aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, aumento esse causado pela ação humana".
Não é uma "tese". Primeiro, é fato observado que o sistema climático terrestre está aquecendo. Isso é corroborado por dados observados (1) e indicadores paleoclimáticos em diferentes escalas (2 e 3)
Examinamos cuidadosamente na comunidade científica, TODOS os fatores q podem influenciar no clima: naturais (vulcanismo, atividade solar, variações orbitais) e antrópicos (mudança no uso da terra, emissões de aerossóis, emissões de gases de efeito estufa).
Existe uma explicação física simples, que tem a ver com propriedades inteiramente conhecidas de gases como o CO2 desde o século XIX, que é sua capacidade de absorver infravermelho graças aos modos de vibração da molécula.
É possível verificar isso de maneira empírica colocando dois radiômetros apontando para baixo: um próximo à superfície da Terra e a outro embarcado em satélite. No topo da atmosfera, o radiômetro vai medir verdadeiros "buracos" no espectro de radiação.
E as estimativas não deixam dúvidas: o excedente de CO2 na atmosfera responde por um desequilíbrio energético da ordem de 1,68 Watts por metro quadrado (W/m2). O total é 2,29 W/m2 somando os demais GEEs e descontando aerossóis etc.
sse desequilíbrio já era evidenciado ANTES do final do século por satélites, que mostravam a seguinte diferença no espectro de infravermelho de 1970 a 1996, sendo possível identificar a assinatura de cada gás, justamente em torno dos comprimentos de onda em que absorvem!
De sua parte, resumir isso a uma "tese" apenas o expõe ao ridículo. Seria conveniente examinar o corpo de evidências científicas antes de escrever. Evita vexame, sabe?
É falso que existam "elementos científicos capazes de colocar em questão a teoria do aquecimento global". A literatura científica revisada não contém um único artigo que tenha resistido a exame que apresente qualquer elemento sólido em contrário.
Talvez você consiga enumerar um ou outro artigo. Mas uma das características da ciência é a reprodutibilidade. Quando checados, ficou óbvio que esse punhado de artigos (menos de 40 contra dezenas de milhares!) continha erros. Em alguns casos elementares.
Mas nenhuma falácia é tão grosseiramente errada quanto "o principal teste da teoria do aquecimento global reside nos modelos matemáticos rodados por computador". Todas as evidências que mostrei são experimentais, empíricas, medidas de várias fontes (estações, satélites, paleo)
E sobre os modelos, com sua licença, trabalho com eles há nada menos que 23 anos. E o senhor não sabe NADA, literalmente NADA do que eles contêm! E é DESONESTO ao afirmar que os modelos não representam a realidade.
Os modelos climáticos são ferramentas sofisticadas para resolver as equações diferenciais parciais da atmosfera, acopladas aos oceanos, gelo, biosfera etc. E só são colocados para fazer projeções futuras DEPOIS DE TESTADOS rigorosamente com o clima observado.
Há testes-padrão, que você certamente desconhece, ministro, e que sua visão tacanha, contaminada ideoloficamente, o impede talvez até de admitir. Há testes do "período histórico", em que há observações diretas, em condições de equilíbrio pré-industriais etc.
É uma vergonha que um MINISTRO diga algo tão fora da realidade. A informação sobre o design dos testes (e dos experimentos de simulação após os testes) é amplamente conhecida. Trave contato com a ciência, Ernesto, e deixe de proferir impropérios! https://t.co/QYQkyGUOlk?amp=1
E para seu governo, as projeções de modelos anteriores, ao contrário de sua informação, REPRODUZEM MUITO BEM A REALIDADE no que diz respeito à temperatura.
Os modelos mais velhos erravam, é verdade, em alguns outros parâmetros. Por exemplo, o degelo do Ártico, pois os modelos antigos de gelo eram pouco sofisticados (melhoraram muito, quero informá-lo!). Mas sabe que tipo de erro era? PARA MENOS, ministro!
Os novos modelos conseguem colocar o degelo observado dentro da margem de erro, mas ainda com alguma tendência a subestimar o derretimento do gelo marinho.
Em seguida, você fala que "o ritmo de aumento da temperatura nesse período foi de 0,13 grau centígrado por década." Fui verificar e você ERROU DE NOVO. Qualquer um pode verificar isso acessando https://t.co/8m9lfiOejy?amp=1
Lembrei que esse é o mesmo valor apontado por outras bases de dados, com exceção de uma. Por que será que você ESCOLHE PROPOSITALMENTE ESSE VALOR? Nesse vídeo eu já abordei porque UAH (escolha do ministro) destoa de todas as outras bases de dados.
Você também mostra bastante desconhecimento sobre todo o trabalho de Paleoclimatologia desenvolvido nos últimos anos. E sua insinuação sobre "manipulação" é inadmissível. Até porque OS DADOS JÁ FORAM CHECADOS POR UM CÉTICO.
Um cético, aliás, financiado pela indústria fóssil, para revisar o registro observado de temperaturas. Quer saber o que aconteceu após essa revisão? Assiste o vídeo e ACORDA!
Todas as suas afirmações sobre "períodos quentes anteriores" estão bem fora do que é conhecido hoje. Dizer que "a temperatura da terra oscilou entre fases de aquecimento e esfriamento ao longo dos últimos 12.000 anos, desde a última era glacial" não descreve bem a realidade
O período a que você tenta se referir é o Holoceno. O estado da arte da ciência aponta algo bem diferente do que você afirma.
No terreno do paleoclima, seu erro mais grave talvez seja sobre o “período de aquecinento [sic] medieval” no qual, segundo você "possivelmente a temperatura média foi mais elevada do que a atual". É TÃO ERRADO, MAS TÃO ERRADO que você sequer imagina.
Há mais de uma década já era descartada a hipótese de que a "anomalia climática medieval" tivesse levado a temperaturas mais altas que as de hoje, mesmo no Hemisfério Norte apenas, como mostra o consenso de vários estudos.
TODAS AS EVIDÊNCIAS posteriores mostram que globalmente então nem se fala. Nem de perto a Idade Média teve temperaturas médias globais comparáveis com as de hoje. O maior projeto de Paleo na escala de 2000 anos (o PAGES 2K) descartou isso de uma vez. https://t.co/9wdqAHyzCo?amp=1

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