Luis Felipe Miguel
Lendo os jornalões, vejo a unanimidade dos colunistas lamentando a desrazão e a falta de compostura do atual governo. Mas lembro de (quase) todos eles como cúmplices da degradação da política brasileira que nos trouxe a esse ponto.
Quando apoiaram o golpe, mostraram seu descompromisso com a democracia. É possível dizer que, em geral, não esperavam que Bolsonaro fosse o fruto a ser colhido. Por cegueira ou ignorância, acreditavam que seria possível manter um simulacro de civilidade apesar da exclusão arbitrária do campo popular do jogo político.
Mas quando a disputa se afunilou entre Haddad e o ex-capitão, deixou de haver qualquer desculpa. Bolsonaro nunca deixou de ser Bolsonaro. Ao afirmar a tese hipócrita dos “dois extremos“ ou mesmo ao pregar o voto contra o PT como “mal menor“, eles sabiam o que viria.
Ser contra os absurdos do governo é ótimo, mas só se credencia como democrata quem for capaz de fazer uma sincera autocrítica do apoio ao golpe e da neutralidade marota na eleição de 2018. Ou seja: nenhum deles.

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