quarta-feira, 7 de agosto de 2019

João Doria é um personagem típico desses tempos sombrios


Claudio Guedes

Doria Jr. x Lula

O governador de SP é um personagem típico desses tempos sombrios.

Um vivaldino nos negócios, um empresário que fundou uma organização associativa de empresas para fazer lobby empresarial da qual ele é o dono! Parece incongruente? Parece.

Na politica, sem nunca ter tido qualquer tipo de participação relevante, foi guindado à disputa da prefeitura de São Paulo, em 2016, por obra e graça do então governador de SP, Geraldo Alckmin, no bojo da luta interna do PSDB pela indicação do candidato à presidência da República em 2018. Ganhou Alckmin, contra FHC, José Serra, Aloysio Nunes e Alberto Goldman, que tinham outro candidato, o vereador Andrea Matarazzo.

Doria Jr. sagrou-se vitorioso na indicação e, posteriormente, na eleição, graças ao linchamento do PT pela Rede Globo e pela dupla Sergio Moro & Deltan Dallagnol. A primeira coisa que fez foi trair Geraldo Alckmin e tentar, ele mesmo, ser o candidato dos tucanos à presidência da República.

Abandonou a prefeitura, visando a corrida presidencial, e fez um péssimo mandato. Mas as circunstâncias e a sorte estavam mais uma vez ao seu lado nas eleições de 2018. Alckmin se impôs no partido e Doria concorreu ao governo do estado. Abatidos pela Lava-Jato, José Serra e Aloysio Nunes, mal puderam do pleito participar. FHC, o oportunista de sempre, esperou ver a direção do vento para se declarar. E acabou por fazê-lo em apoio ao Doria Jr. e ao navio que fazia água, e muita água, da candidatura presidencial de Alckmin.

Doria Jr., camaleão como sempre, oportunista ao extremo, grudou como craca em casco de madeira molhada à candidatura Bolsonaro, abandonou Alckmin à própria sorte, e, aproveitando novamente a onda anti-petista, surfou para vencer a eleição para governador. Apesar de ser derrotado na capital paulista, ganhou com boa margem no interior do estado.

Um empresário polêmico, com muitos desafetos e críticos. Um entusiasta da iniciativa privada, é como se define.

Deve apenas à atividade privada seu sucesso empresarial? Não.

Venceu na vida a partir do empreendedorismo solitário? Não.

Acompanhei o inicio da vida profissional de Doria Jr.: um cargo público no estado de São Paulo, em 1983. Por mérito? Não. Por indicação do então governador Franco Montoro, que atendeu a pedido de um antigo companheiro no Partido Democrata Cristão (pré-1964), o ex-deputado baiano João Doria. Desta forma, muito jovem, com apenas 26 anos, Doria Jr. se tornou Secretário Municipal de Turismo e Presidente da Paulistur. O que um forte QI não faz.

Entre 1986 e 1988, durante o governo do presidente José Sarney, tornou-se, mais uma vez por indicação de Franco Montoro, presidente da Embratur e do Conselho Nacional de Turismo. Obra, mais uma vez, do famoso QI.

Esses cinco anos dirigindo empresas estatais influentes, com relevantes orçamentos, pavimentaram a futura carreira de Doria Jr. na publicidade e na atividade de "lobby".

Qual a contribuição relevante de João Doria Jr. à sociedade e à política nacional de 1983 a 2016? Ganha um fim de semana em Campos do Jordão quem apontar uma única. Por que Campos do Jordão? Porque lá, Doria Jr., que explorava, no inverno, o local Shopping Market Place, promovia um florido "Passeio de Cães", como direito a concurso do "dog" mais bonito. Acho que essa iniciativa não pode ser apontada como contribuição relevante ao país. Ou pode?

A declaração de Doria Jr., hoje, 7/08, ofensiva ao ex-presidente Lula é própria de um político vulgar. Só um homem sem grandeza, só um homem sem qualidades, ofende um outro homem, político relevante, ex-presidente da República, que se encontra detido, portanto sem condições de pronta reação.

Mas é João Doria Jr.

O Júnior do nome é falso, tão falso quanto o personagem. 
Ele é filho de João Agripino da Costa Doria Neto. Como um júnior pode ser filho de um neto? De qualquer forma, é melhor do que se ele se chamasse João Agripino da Costa Doria Bisneto, pois assim ofenderia permanentemente, com a sua vulgaridade, a memória de nosso bisavô comum, o médico baiano João Agripino da Costa Doria.

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