Se você acredita que qualquer uma destas medidas será sequer considerada num mundo de Trumps, Bozos e BoJos, você acredita em qualquer coisa. E depois? Depois será tarde demais...
Dado que 90% das reservas fósseis precisam permanecer intocadas e que é impossível que as renováveis atendam a uma demanda exponencialmente crescente sem graves impactos (mineração para baterias, área plantada+água+fertilizantes para BECCS, etc.) é preciso reconhecer uma coisa:
Só a redução radical da demanda energética nos livra do precipício.
Isso implica:
1) redução radical da produção de bens de consumo descartáveis e supérfluos, combate à obsolescência programada, compartilhamento, reciclagem, logística reversa, economia circular.
2) Menos deslocamentos, racionalidade no transporte de massas rumo ao fim do automóvel particular, cadeias produtivas encurtadas, com produção local e diminuição do transporte de carga, redução significativa da aviação
3) Extinção das indústrias parasitárias, a começar da indústria de armas, mas passando por várias outras como as de propaganda, moda e embalagens, em paralelo com o encerramento das atividades da grande maioria das indústrias fósseis e de mineração.
"Mas Alexandre, e os empregos?" Numa transição justa não será sobre os hoje mineiros, petroleiros, etc. que recairá o ônus. Diferentemente do capital, cujo "progresso" extingue profissões causando desemprego, cabe ao conjunto da sociedade reposicionar cada irmão e irmã trabalhador(a)
Vamos precisar de permacultores, educadores, agrofloresteiros, de - num primeiro momento - trabalhadores para criar a ampla nova rede de energia renovável, transportes etc. Mas não é simplesmente renovar o capitalismo, tornando-o verde.
Programas como um "Green New Deal" só fazem sentido se forem uma porta para irem além, conectando uma tarefa à outra.
E se tem uma coisa que precisamos falar é da redução radical da jornada de trabalho. Há 30 anos, falávamos de 40 horas semanais como bandeira. Hoje naturalizamos as 44 oficiais e as 50, 60 a que muitos trabalhadores terminam se sujeitando.
Sendo que hoje a produtividade do trabalho nos permite fazer o que fazíamos em 40 horas há 30 anos em quanto tempo? 30? 20? 10 ou até menos, a depender do setor da economia. É preciso falar disso: jornada de no máximo 32 horas já, com fim de semana de 3 dias, por exemplo.
E ao lado disso, todo o surgimento de uma economia do reparo material (primeiro tentar consertar, depois fazer logística reversa e só no limite reciclar, ao invés de produzir do zero de novo) e, principalmente, do cuidado com as pessoas, os animais e toda a natureza.
Na boa, eu sei que estamos nas cordas. Sei da conjuntura defensiva e da tarefa gigante que já é garantirmos nossa existência ante a barbárie organizada politicamente de Bolsonaro et caterva. Mas não podemos limitar nosso horizonte ao "clinch". É preciso preparar o contragolpe.
E isso requer pensamento estratégico, projeto de longo prazo, cuja elaboração requer muito aprendizado com os erros de projetos anteriores.
Caso alguém se interesse sobre BECCS:
A Bioenergia com Captura de Carbono (BECCS) poderá nos salvar?

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