quinta-feira, 12 de março de 2020

Dólar comercial abre em forte alta e supera R$ 5


Estadão

Em meio às incertezas para a economia global provocadas pelo avanço do coronavírus e ao temor com os rumos do ajuste fiscal no Brasil, após o Congresso aprovar uma medida que cria um novo gasto de R$ 20 bilhões ao ano para o governo, o dólar abriu as negociações nessa quinta-feira, 12, em forte alta. A moeda americana começou o dia cotada a R$ 5,0280, maior valor nominal (sem levar em conta a inflação) desde o início do Plano Real. Às 9h40, esse valor caiu um pouco, para R$ 4,96 - ainda assim, uma alta de 5,03% em relação ao fechamento da quarta-feira, 11 (R$ 4,7226). Nas casas de câmbio, o dólar turismo chega a ser negociado a R$ 5,25.

A expectativa é que a Bolsa de Valores de São Paulo, B3,  também reflita esse cenário turbulento e abra o dia em forte queda. Os mercados internacionais já haviam sentido ontem os efeitos da declaração feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o coronavírus se configurava uma pandemia. A B3 teve de interromper as negociações pela segunda vez em três dias, com um sistema chamado de "circuit breaker", que fecha o mercado por 30 minutos após uma queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior.

Mais à noite, ainda na quarta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão de voos provenientes da Europa aos EUA, visando a diminuir as possibilidades de contágio. Com isso, as Bolsas na Ásia passaram a ter perdas relevantes, fechando em queda generalizada na madrugada desta quinta. Os mercados europeus operam, neste momento, em baixa - também generalizada -, e o petróleo recua mais de 5%, nos dois principais índices - WTI e Brent. 

O petróleo ainda causa um caos à parte nas Bolsas no mundo inteiro. Desde o início da semana, os preços vêm sofrendo grandes oscilações. Para se ter uma ideia, na segunda-feira, 9, a commodity caiu para o menor valor em quase 30 anos, para patamares que não eram atingidos desde 1991, época da Guerra do Golfo. 

No Brasil, além de tudo isso, ainda há o componente local de discordância entre Executivo e Legislativo em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). O Congresso derrubou ontem o veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto que eleva o limite de renda familiar per capita para concessão do BPC, um auxílio pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência. No Senado, foram 45 votos pela derrubada do veto a 14 e, na Câmara, 302 a 137. A votação significa uma derrota para o governo, em meio a uma crise entre os dois Poderes na disputa pelo controle do Orçamento. A equipe econômica deve buscar uma saída jurídica para tentar barrar a decisão. O governo estima um impacto de R$ 217 bilhões em uma década com a derrubada do veto, sendo R$ 20 bilhões apenas este ano.

Medida comum nas últimas negociações de dólar no Brasil, o Banco Central realizou leilão no mercado de câmbio de US$ 2,5 bilhões, às 9h15. Inicialmente, seria ofertado R$ 1,5 bilhão. Deste valor, foram vendidos apenas US$ 1,278 bilhão, e há pouco o BC anunciou outra oferta à vista equivalente à diferença não negociada. Já no exterior, o Banco Central Europeu (BCE) divulga decisão de política monetária às 9h45. 

ETF de mercados emergente cai    
O iShares MSCI Emerging Markets (EEM), fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) de mercados emergentes, que acompanha as principais cotações de Bolsas dos respectivos países considerados para o grupo, negociado em Nova York, opera em forte queda no pré-mercado na manhã desta quinta-feira, seguindo o mau humor generalizado dos mercados financeiros globais. Às 9h10 (de Brasília), o EWZ tinha baixa de 3,79% no pré-mercado, a US$ 36,04. 

Juros disparam até 123 pontos 
A extrema aversão a risco global fez os juros futuros dispararem até 123 pontos na abertura, atingindo os limites de alta entre os vencimentos para janeiro de 2021 a janeiro 2025, travando os negócios. Há pouco, apenas o DI para janeiro 2021, correlacionada à precificação da taxa Selic, por exemplo, subia menos que o limite de alta. Às 9h19, a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 estava em 4,99%, na mínima, de 4,21% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2022 disparava para 6,13%, no limite de alta, de 5,03%. O DI para janeiro de 2023 avançava para 7,10%, no limite de alta, de 5,92%. O DI para janeiro de 2025 subia para 8,12%, no limite de alta, de 6,89% no ajuste anterior. / LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS E FELIPE SIQUEIRA 

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