Entre 2003 e 2016, a grande imprensa brasileira contratou centenas, milhares de articulistas conservadores, com ideais muito próximos da extrema-direita, gente que defendia extermínio de militantes de movimentos sociais, de sem-terras, quilombolas, indígenas, articulistas que defendiam o neoliberalismo como modo de governo e doutrina econômica totalitária e etc.
Só que a grande maioria sequer sabia escrever ou possuía talento. A maioria eram olavistas, militantes extremistas que ganharam legitimidade de veículos de capilaridade nacional.
Os diretores desses jornais e redes de rádio e TV argumentavam que, como o Lula era muito popular e o PT muito forte, era necessário empregar essas pessoas para fazer um "contraponto".
E assim, até uma universitária de São Paulo, estudante de economia, entusiasta do Partido NOVO e do MBL, certa vez, porque fez um COMENTÁRIO num post do TICO SANTA CRUZ o rechaçando e este comentário teve mais de 1000 curtidas, ganhou um EMPREGO na BANDEIRANTES.
As ideias do "centro" político nacional, muito por conta disso, foram completamente deslocados para a direita. Os argumentos dessas pessoas sendo repetidas de forma nauseante, 24 horas por dia infectou completamente o debate político nacional.
Pois bem. Agora a extrema-direita chegou ao poder, o que a imprensa deveria fazer se tivesse o mínimo de coerência (que não tem)? Contratar articulistas da esquerda para "contrapor" o Bolsonaro, certo?
Mas não. O que se vê são esses mesmos articulistas extremistas galgando posições de chefia.
É Augusto Nunes ganhando emprego de destaque na Record, e até figuras deploráveis e sem nenhuma relação com o campo da comunicação, como o NETO do ditador Figueiredo e aquela jogadora de vôlei, Ana Paula Hinkel, ganhando espaço na mídia como comentaristas de política.
Essa gente tem que começar a sofrer consequências. Não dá para fazer defesa cega de liberdade de expressão.
Por que lembrei disso? Porque vi neste final de semana o Haddad escrevendo carta de despedida e pedindo "demissão" da sua coluna na Folha de São Paulo porque, pasmem, a Folha de São Paulo em editorial, ATACOU e ofendeu o seu próprio colunista pelo fato do mesmo defender que o expediente legal e constitucional seja aplicado ao Lula.
Haddad sentiu as delícias da "liberdade de expressão" e da "democracia" da Folha na própria pele.

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