Parece que, no fim das contas, a vacina a ser produzida no Butantã tem eficácia de 64%.
Os tais 78% anunciados dizem respeito a desenvolver sintomas da doença. Ou seja: de cada 100 vacinados, 64 ficam imunizados, 14 podem pegar Covid mas não exigirão cuidados, 22 podem ter a doença de forma moderada e ninguém a desenvolverá de forma grave.
A falta de transparência na divulgação da informação é, ao que parece, exigência dos parceiros chineses. Isso - e o triunfalismo politiqueiro e irresponsável do governo Doria - não ajudam a promover a confiança na vacina.
Do outro lado, o governo federal, que aparelha a Anvisa, fazendo o que pode para sabotar, de maneira igualmente politiqueira e ainda mais irresponsável.
Não se trata, claro, de rechaçar a vacina do Butantã. Não é como se o Brasil - que perdeu o bonde de praticamente todas as outras vacinas e que simplesmente não se preparou para aquelas que exigem logística mais trabalhosa - pudesse escolher.
Trata-se, isso sim, de que a saída da pandemia será por aqui muito mais lenta e dolorosa do que o imaginado.
Para atingir um grau de segurança coletiva, será necessário vacinar muito mais gente - o que torna ainda mais criminosa a campanha contra a vacinação. E, até lá, as medidas de distanciamento social continuarão imprescindíveis.

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