sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Quantos mortos são necessários para que jornalistas chamem genocídio de genocídio?


Alceu Castilho

No ano passado, no De Olho Nos Ruralistas, criamos uma editoria chamada De Olho no Genocídio.

Com esse nome: genocídio. Por que tanta gente resistiu e resiste tanto a dar o nome preciso?

Quantos mortos são necessários para que jornalistas chamem genocídio de genocídio?

Em meio à cobertura, busquei, como editor, ser ainda mais específico: cobrar cada ministro por seu papel na matança.

A série se chamou Esplanada da Morte. (Uma pessoa da equipe achou o nome forte demais. Todos os demais acharam que era isso mesmo.)

Mas... bem. Eu não acho que nossa bolha supostamente mais indignada tenha dado a repercussão devida ao material que produzimos.

De lá para cá, mais morte, mais genocídio. Com a assinatura desses ministros e de Bolsonaro e de outros personagens que (eu fiz questão) apareceram como cúmplices: os ministros do STF, o presidente da Câmara, o presidente do Senado.

Mas até agora não caiu completamente a ficha nos campos da resistência. Nem em nossa bolha.

Bolsonaro é um psicopata cercado de outros psicopatas. E agirá como tal — sem freios e sem remorsos.

Fux e Maia precisam ser cobrados com a ênfase devida. Suas prisões (com esse nome), solicitadas. Eles precisam ser escrachados. Pressionados para que a punição internacional de cada um seja ainda maior — caso continuem a não fazer nada — do que aquela já merecida.

Seus nomes precisam ser conhecidos mundialmente.

Os jornais estrangeiros não podem falar apenas de Bolsonaro.

Ele existe porque existe também Fux, o Genocida. Maia, o Exterminador. Alcolumbre, o Capanga. Toffoli, o Fiador.

Mas tudo bem que se comece com Fux e Maia.

Com quem está no topo dessa cadeia da morte. Não apenas brasileira, como se vê.

Eles são criminosos de porte internacional. Que respondam por isso.

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