terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Entenda o esquema de enriquecimento ilícito da famiglia Bolsonaro

Leandro Beguoci
O baixo clero corrupto do Legislativo criou o pedágio dos funcionários muitos anos atrás, prática que continua até hoje. Emprega pessoas por salários altos e cobra a devolução de uma porcentagem do salário. Como o dinheiro é de quem paga imposto, é um negocião para ambos.

O negocião é a corrupção possível para quem nunca foi atraente para a corrupção grande, já que nunca teve poder nas grandes decisões. Há deputados e vereadores que fizeram pequenas fortunas nesse processo.

É difícil saber quando essa prática começou no Brasil, mas é bom lembrar que ela já foi legalizada no passado. Embaixadores brasileiros no exterior, por exemplo, ganhavam comissão de negócios que intermediavam para o país. O Barão do Rio Branco, por exemplo, ganhou dinheiro assim

Você pode achar OK o bônus para o embaixador - assim como pode achar OK o salário extra que o deputado ganha desviando o dinheiro alheio. Mas, tenho de dizer, não faz sentido, não.

Os embaixadores brasileiros também ganhavam comissão de empréstimos que o país fazia no exterior. Quanto mais dívida o Brasil fazia, mais dinheiro o embaixador ganhava. O Brasil ia mal, mas o embaixador, não. É isso era legal na época. Demorou para isso acabar

Porém, qual a raiz dessa prática maluca? Meu palpite é que vem dos escravizados de ganho. Os escravizados de ganho faziam trabalhos urbanos variados e repassavam parte do salário para o seu dono.

Ou seja, a prática dos deputados e vereadores do baixo clero de hoje conversa tanto com o pedágio legal dos embaixadores do Império e dos primeiros anos da República quanto com os donos de escravizados urbanos nas cidades brasileiras de fins do século 19.

Portanto, esse desvio de dinheiro dos funcionários, além de corrupção rastaquera, também tem origem nas piores práticas políticas e sociais do país. Ela desvia dinheiro e reforça práticas medonhas.

À semelhança dos embaixadores, ela usa o Estado para benefício privado. À semelhança dos donos de escravizados de ganho, usa o trabalho dos outros para enriquecer sem trabalhar. O problema não é só a corrupção, mas a permanência desse tipo de relação com o país.

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