Na Câmara, são 513 deputados. Desses, tem um grande contingente que ninguém presta atenção, exceto em dia de votação importante na Casa (são poucas).
Esses deputados que ninguém presta atenção são apelidados de "baixo clero"
A vida do Deputado Baixo Clero é ficar lá, flanando pelo salão verde, tomando café com os colegas (de baixo clero), fazendo aquele atendimento paroquial no gabinete, tentando emplacar uma emendinha no orçamento pra construir um chafariz em Rebimboca da Santa Parafuseta, ou encaixar um "jabuti" numa MP em favor de uma corporação ligada a ele.
Ninguém liga pro Deputado Baixo Clero. Se um deles morrer subitamente no gabinete, fica lá uma semana e só vão perceber pelo cheiro.
Mas o Deputado Baixo Clero não se importa. O lema da sua vida parlamentar é "Quem não é visto, não é lembrado".
Mas, se há uma coisa com a qual o Deputado Baixo Clero se preocupa, essa coisa se chama verba de gabinete.
Ah, meu amigo e minha amiga, verba de gabinete é a razão de viver do Deputado Baixo Clero!
Pela verba de gabinete, ele mata e morre. É lá que reside a única forma do Deputado Baixo Clero enricar e ajudar os correligionários e amigos. Ele manja dos regulamentos, das normas de prestação de contas, sabe mais do Regimento da Câmara do que da Constituição Federal, tem bom trânsito na Corregedoria.
O bom Deputado Baixo Clero saca até o último centavo da verba de gabinete sem deixar rabo.
O futuro presidente Jair Bolsonaro é um típico integrante do baixo clero. Ele mesmo se assume como tal.
O negócio do Bolsonaro sempre foi encaixar notinha, contratar gente com dinheiro do gabinete como forma de pagar militância política, favores pessoais e agrados aos amigos. E, claro, cobrar pedágio de todo mundo que tá se locupletando e enfiar no próprio bolso.
Assim ele enricou.
Assim enricaram também os filhos dele que, não por acaso, foram todos se enfiar nos baixos cleros das casas legislativas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O mais novinho, inclusive, foi eleito vereador do RJ (com a imprescindível ajuda da máquina eleitoral montada pelo pai) quando era cabeludo, pegava onda de morey boogie e tinha 17 anos. Envelheceu, engordou, perdeu parte dos cabelos e continua lá.
O Deputado Baixo Clero Jair Bolsonaro, agora, tem um imenso cofre, inúmeras nomeações a fazer, maneja dinheiro a rodo. Tem até um palácio todinho só pra ele, vejam só!
Wal do Açaí? Queiroz Motora? Natália Personal da Barra? Para, isso tudo agora faz parte de um passado difícil, com o qual ele não precisa mais se preocupar.
Agora é hora de pensar grande.

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