Qualquer time tem torcedores das
mais variadas posições políticas. Mas a diretoria do Palmeiras errou feio ao
convidar um fascista para entregar o troféu do campeonato conquistado. É no
mínimo incoerente que o clube fundado por imigrantes homenageie um xenófobo. Ao
posicionamento político de Scolari, admirador confesso de Pinochet, e de Felipe
Melo, um moleque conhecido por agredir fisicamente adversários e dar cusparadas
em colegas de profissão, se somaram os brados de “mito! mito! mito!” que vinham
das arquibancadas. Um espetáculo grotesco e que aumenta o desalento. A reação
dos torcedores talvez encontrasse eco em outras torcidas, mas aqui cabem as
honrosas exceções. Pouco provável que esse comportamento se repetisse nas
apaixonadas torcidas nordestinas e na briosa nação corintiana, que conhece a
história de luta democrática do seu clube. Saudades de Afonsinho, Sócrates,
Wladimir, Zenon, Casagrande e Reinaldo. Com total respeito aos palmeirenses que
não concordam com o que aconteceu ontem, o Palmeiras encerra o ano como
expressão mais reacionária do que existe no nosso futebol: o porco fascista
veste camisa verde.

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