E sobre uso político do clube: a capa dos principais jornais de hoje não é sobre o Palmeiras, mas sobre o Bolsonaro no Palmeiras. A foto da capa não é de Bruno Henrique levantando a taça, mas de Bolsonaro levantando a taça. O clube virou coadjuvante por decisão da diretoria.
"Ah, mas ele é presidente." Não, Bolsonaro não é presidente ainda. Ele é presidente eleito - democraticamente eleito, com méritos (embora eu discorde das agendas dele, não tiro a legitimidade da sua eleição - isso seria errado e desonesto).
Se fosse para chamar o presidente para entregar a taça, que a diretoria chamasse o Temer. Ele é o presidente da República.
Além disso, a diretoria caiu, sim, num jogo partidário. Bolsonaro estava ao lado do senador eleito, o Major Olímpio - e ele estava com a camiseta de campanha do Bolsonaro, inclusive com o número 17.
Por fim, ficou claro que Bolsonaro procura a associação com o Palmeiras porque depende do antilulismo para governar um tempo em paz. Se Lula é identificado com o Corinthians, Bolsonaro vai tentar se associar politicamente ao Palmeiras para reforçar o antilulismo.
Ontem, no estádio, Bolsonaro recebeu dois gritos de apoio. Um o chamava de Mito. Outro era de ofensas ao Lula. Bolsonaro tem no antilulismo uma base de apoio forte. O Palmeiras serviu de palanque para a estratégia do presidente eleito.
Os exemplos históricos deveriam ter ensinado alguma coisa à diretoria e à torcida - mas, infelizmente, isso não aconteceu. A associação com um político, mesmo sendo o presidente da República, é sempre ruim a longo prazo. Apaga o mérito esportivo, mesmo quando ele era enorme.


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