Bozo e Moro
Moisés Mendes
O DRAMA DE BOLSONARO
Por que Bolsonaro corre o risco da exposição da fragilidade física e grava um vídeo no hospital com a sonda no nariz? Bolsonaro se expõe porque precisa dizer, sem força na voz, que está vivo e no comando.
Bolsonaro não consegue ficar um dia, um só, sem dizer algo, sem mandar um recado que expresse seu controle do poder. Não governa, não detém o poder por completo, mas precisa dizer que governa.
A exposição pública da lenta convalescença, num vídeo em que não tem nada a dizer, é o grito do sujeito fragilizado: eu estou aqui, mas estou me comunicando com vocês.
O drama de Bolsonaro é o de qualquer político inseguro: a sensação de que não tem o amor que merece. Não o apoio, mas o amor mesmo.
Bolsonaro é rejeitado pelos líderes mundiais da direita. É considerado pela imprensa conservadora como a figura pública mais repulsiva em todo mundo.
Sua base de apoio é calculada em menos de 20%. Tem ricos, tem classe média decadente, tem uma minoria de jovens e tem até pobre que se acha rico. Mas não tem massa.
Se tivesse, todas as manifestações pró-direita, desde a sua posse, estampariam seu nome e sua imagem em faixas de cartazes. Não há imagens nas aglomerações da Paulista da turma vestida com a camiseta da Seleção.
O nome levado para as ruas, mesmo pelo pelo bolsonarista de raiz, é o de Sergio Moro.
É complicado. Bolsonaro disse que, se erguer a borduna, será seguido. Por quem? Pelos homens racistas e homofóbicos de meia idade? Pelos militares? Bolsonaro confia nos militares?
Bolsonaro acha que pode formar grupos de milicianos, mas não tem povo ao seu lado, não tem fidelidade em número e entusiasmo. Falta massa crítica a Bolsonaro. Mas ele sente mesmo falta de adoração do povo.
E o bolsonarista branco e rico é um oportunista que no fundo rejeita Bolsonaro. Ele queria Luciano Huck ou Doria Junior. Bolsonaro sabe que é assim e sofre muito.

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