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sábado, 6 de março de 2021

Revolta popular derruba ministro da Saúde

Moisés Mendes

Aconteceu o que a direita no poder não esperava. O povo foi às ruas contra o desprezo do governo no combate à pandemia e derrubou o ministro da Saúde.

O país está de novo em fúria. O próximo passo dos manifestantes é derrubar o presidente.

No Paraguai. 

Milhares de jovens tomaram as ruas de Assunção ontem à noite e continuam em vigília.

É assim. As coisas acontecem no Chile, em Mianmar, na Bielorrússia, em Hong Kong, no Paraguai.

E aqui? Aqui os governadores uma hora vão resolver tudo e comprar as vacinas. Todos os dias eles ameaçam comprar as vacinas.

Agora, até Bolsonaro diz que vai comprar vacinas, depois de ter comprado o centrão.

Mas o único Bolsonaro que compra alguma coisa hoje é Flávio.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Um miliciano na tua casa




O PARENTE PRÉ-MILICIANO

O que significam as novas medidas de Bolsonaro liberando as armas?

Significam que aqueles nossos sobrinhos, primos, tios, cunhados e agregados que voltarão a participar dos churrascos de domingo, depois da pandemia, agora podem aparecer com revólveres. 

Bolsonaro está incentivando o uso de armas e não só em casa. Dizer que a lei não permite o porte não significa nada.

O bolsonarismo vai armar suas bases ideológicas ou eventuais como se fossem milícias. E esses sujeitos não são os parentes, colegas e conhecidos dos outros.

São próximos de todos nós. Os autorizados a ter um arsenal em casa são das relações de todas as famílias.

Alguém terá um tio valentão com um ou vários revólveres em Itaqui, Sao Sepé, Candiota, Canguçu, Soledade, Farroupilha.

Poucos vão escapar de ter um parente reacionário armado. Aquele cara que antes era apenas um chato da direita pode ser agora um pré-miliciano. 

Depois da pandemia, ele pode bater à porta de qualquer um de nós. Nossos parentes serão outras pessoas depois dos distanciamentos forçados e às vésperas de mais uma eleição. Agora, bem armados.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

A imprensa apodreceu junto com a Lava-Jato


Moisés Mendes

A imprensa sabia que Curitiba era uma masmorra com prisões preventivas sem fim e sabia que os acusados encarcerados (sem nenhuma condenação) eram submetidos à exaustão para então delatar parceiros.

Jornalistas que cresceram na vida nos últimos anos, nas grandes redações, construíram carreiras invejadas como repórteres e comentaristas da Lava-Jato.

Sabe-se agora que grande parte dessa elite lavajatista pagou um custo profissional e moral que não poderia ter pago para obter e disseminar informações.

As luzes jogadas nos subterrâneos da operação que prosperou durante cinco anos, sem escrúpulos e sem freios, desnudam seus protagonistas e os que orbitavam ao redor deles.

E nenhuma outra atividade circulou com tanta desenvoltura e proximidade em volta de Sergio Moro e de Deltan Dallagnol quanto o jornalismo da grande imprensa.

O ministro Gilmar Mendes sintetiza o que aconteceu. Sem a blindagem da imprensa, a Lava-Jato não teria existido. O ministro não está dizendo que a operação não seria nada sem a cobertura da imprensa.

É mais do que isso. Mendes usa a palavra “blindagem”, que significa proteção mesmo. A imprensa escondeu, camuflou e ignorou os desmandos da Lava-Jato, enquanto uma competição feroz entre os jornalistas seguia em frente.

Era preciso dar o furo dos vazamentos feitos por um procurador, antecipar uma delação, anunciar uma condenação. Os justiceiros eram apresentados como heróis e protegidos. É o que exigiam as corporações da mídia.

A imprensa sabia que Curitiba era uma masmorra com prisões preventivas sem fim e sabia que os acusados encarcerados (sem nenhuma condenação) eram submetidos à exaustão para então delatar parceiros.

A imprensa sabia que Moro cometeu uma dúzia de crimes e sabia muito do que todos sabem desde o ano passado, que o homem do MP era subordinado ao homem do Judiciário.

Enquanto todos queriam o furo e a informação privilegiada, alguns desses jornalistas eram conselheiros da força-tarefa.

Está gravado em mensagens que Vladimir Neto, repórter da Globo, autor de um livro sobre Moro e filho famoso de Miriam Leitão, era consultor de Dallagnol.

Vladimir foi convocado pela força-tarefa a opinar sobre a condução coercitiva de Lula. Foi ele quem sugeriu a Dallagnol o tom brando de uma nota de apoio a Sergio Moro, quando o juiz começou a ser atacado publicamente.

A Lava-Jato acionou uma síndrome clássica do jornalismo egocêntrico. Por vaidade, alguns profissionais passaram a se sentir parte da operação, como se integrassem aquela turma sem lei.

É o que nas guerras chamam de jornalista embarcado, aquele que vai junto com as tropas, vestindo farda e capacete, e que quase se comporta como soldado.

Os jornalistas recrutas do lavajatismo só não usavam crachá porque seria demais. Mas foram cúmplices das atrocidades cometidas em nome de uma guerra contra corruptos.

Outros, além de Vladimir Neto, podem aparecer mais adiante como colaboradores, enquanto as mensagens da #VazaJato ainda são divulgadas.

Uma das revelações mais recentes é sobre uma vizinha do advogado de Lula, Cristiano Zanin, que agia como informante. Encantada com a missão recebida como espiã dos vizinhos, ela mantinha Dallagnol atento até aos movimentos e às viagens da mulher de Zanin.

Por que investigar clandestinamente a mulher do advogado? Porque a Lava-Jato era, como alguém definiu, a Gestapo do sistema de Justiça, envolvendo MP e Judiciário num esquema em que tudo era válido.

Os órgãos corregedores, o Supremo, a OAB e a imprensa sabiam o que o núcleo do lavajatismo fazia com crueldade, por se considerar autônomo e impune. Todos calaram ou fingiram que reagiam, mas sem forças.

O Supremo, ao determinar que as mensagens com os acertos ilegais entre procurador e juiz não podem ser secretas, começa a se redimir, mesmo que tardiamente.

O STF foi, nos cinco anos da operação, quase subserviente e medroso diante o poder de Sergio Moro, que não poderia ser contrariado.

A imprensa, em algum momento, terá de fazer o mesmo e admitir que foi decisiva na blindagem da República de Curitiba.

As grandes corporações ofereceram propaganda e serviço de segurança a Moro e Dallagnol.

O procurador e o juiz só avançaram sem medo porque eram protegidos pelas empresas, por repórteres, editores e comentaristas.

É enganoso pensar que, durante a existência da força-tarefa, os jornais fizeram investigação. Não fizeram.

Comeram pela mão dos chefes da operação e agora estão expostos tanto quanto os justiceiros desmontados pela Vaza Jato. O fim do lavajatismo derruba as máscaras de um jornalismo decadente.

O Brasil precisa reinventar suas instituições, a partir do que se sabe sobre os desmandos da Lava-Jato, o golpe de 2016 e os crimes do governo fascista que apostou na violência, no ódio e na morte.

O jornalismo tradicional terá de pegar carona nessas reinvenções. Se fosse um açougue, a grande imprensa seria hoje vendedora apenas de retalhos e pelancas tomadas pelas moscas varejeiras.

O jornalismo das grandes corporações está tão podre quanto a Lava-Jato.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Sertanojo miliciano



Moisés Mendes

A esquerda que ouve esses novos e já velhos sertanejos insuportáveis sustenta bolsonaristas. E tem muita esquerda ouvindo esse lixo.

Não tem essa de música popular, de respeito ao que o povo gosta. Não venham com a conversa de discriminação e com a repetição infantil de que não podemos generalizar.

Não raciocinem pelas exceções. Esses caras da sofrência são hoje a claque mais importante de Bolsonaro.

Waldick Soriano era luxo ao lado desse lixo. Quem ouve essas figuras financia o bolsonarismo.

Esses caras são os Romeros Britos da gritaria neosertaneja. Eles cantam com falsestes grotescos os hinos dos bolsonaristas da Barra da Tijuca, da Paulista, do Moinhos e também das periferias.

Eles pagaram o churrasco de ontem, quando Bolsonaro atacou a imprensa com palavrões. É uma vasta chinelagem que une Bolsonaro, pelo reacionarismo, e a Globo, pelo dinheiro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O Brasil surtado pelo bolsonarismo


O GENERAL, O ENEM E A COVID

Moisés Mendes

Há um apelo nacional pelo adiamento do Enem, e a questão foi parar na Justiça, por iniciativa da Defensoria Pública, considerando-se o absurdo de realizar provas com aglomerações inevitáveis no meio do novo pico da pandemia.

E o que diz o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que manda no Enem? Determinou que as provas comecem domingo, de qualquer jeito, porque assim foi programado e assim deve ser.

Só que a diretoria de Avaliação da Educação Básica do Inep, que elabora no Enem, era chefiada por Carlos Roberto Pinto de Souza.

O diretor estava internado com Covid, enquanto o Inep negava a gravidade do novo surto e os riscos para 6 milhões de estudantes. E hoje o diretor morreu, aos 59 anos.

E aí fica-se sabendo que Carlos Roberto Pinto de Souza era general. Os generais estão na Saúde, na Educação, na Anvisa, contribuindo para que o governo negue a gravidade da pandemia.

Não há como não destacar que um general chefe de uma das principais áreas do Inep, o instituto que subestima a Covid (e quer mandar os estudantes para o risco e a morte), acabou morrendo de Covid.

Mas agora o Inep, com a morte do seu diretor, pretende adiar o Enem, porque o general morreu na véspera das provas, de Covid. É um roteiro doente, maluco, macabro. Não há o que dizer. É o Brasil surtado pelo bolsonarismo

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Miliciano genocida tem controle absoluto do Brasil

Moisés Mendes

Bolsonaro admitiu hoje que não sabe governar, em conversa com seu público no cercado do Alvorada:

"O Brasil está quebrado. Não consigo fazer nada, queria mexer na tabela do Imposto de Renda".

Se tivesse mexido na tabela do IR, tudo estaria resolvido?

O país esperando a vacina, e o sujeito falando de tabela do Imposto de Renda.

Bolsonaro não é apenas um governante incapaz, é um genocida com o controle absoluto da situação. Absoluto.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

10 perguntas que os pré-pagos da TV Tucana não farão ao golpista corrupto FHC



10 PERGUNTAS QUE O RODA VIVA NÃO FARÁ A FERNANDO HENRIQUE

Moisés Mendes

Fernando Henrique Cardoso será o entrevistado desta segunda-feira do Roda Viva, pela 14ª vez. Teremos mais uma noite de salamaleques.

Por mais qualificada que seja a bancada, com ex-apresentadores do programa, há sempre nas conversas da imprensa com FH um excesso de gentilezas e delicadezas.

Não perguntam a ele o que perguntam a Lula, porque o ex-presidente conta com as cordialidades e as proteções que ninguém mais tem.

Abaixo, 10 perguntas que não deverão ser feitas. Os entrevistadores poderão até andar pelas bordas das questões, mas dificilmente chegarão ao que interessa.

1. O senhor disse este ano, 22 anos depois, que se arrependeu da própria reeleição. Há algum arrependimento pelo incentivo ao golpe contra Dilma Rousseff?

2. Em novembro de 2015, nove meses antes do golpe de agosto, o senhor pediu publicamente que Dilma Rousseff renunciasse e depois defendeu o impeachment, porque o país estaria sem rumo. Por que agora o senhor é contra o impeachment de Bolsonaro, que está destruindo o país?

3. Entre Bolsonaro e Haddad, o senhor optou pelo voto nulo em 2018. O senhor não se considera um dos responsáveis pela ascensão de Bolsonaro e dos militares ao poder?

4. Em uma das conversas vazadas pelo Intercept, Sergio Moro dizia a Deltan Dallagnol que não investigaria os delitos de caixa dois de Fernando Henrique Cardoso porque não poderia melindrar alguém cujo apoio era importante para a Lava-Jato. O senhor se sentiu lisonjeado ou incomodado com esse privilégio?

5. Eduardo Azeredo, um tucano de segunda linha, foi o único presidiário do PSDB e já está solto. Aécio e Serra continuam em liberdade. O senhor, líder maior do partido e presidente por dois mandatos, nunca desconfiou das propinas, da lavagem de dinheiro e das comprovadas contas secretas de gente da sua confiança no PSDB e no governo?

6. Lula teve de provar que não era dono do tríplex do Guarujá e mesmo assim foi condenado. O senhor tem como provar finalmente que o apartamento dos seus veraneios europeus na Avenida Foch, em Paris, não é seu?

7. O senhor pediu e ganhou de presente de um grupo de empresários (que prestavam serviços ao governo) a sede do seu instituto. Por que nunca disse nada sobre a acusação, sem provas, de que Lula teria recebido de um empreiteiro um terreno para a sede do Instituto Lula?

8. No seu entendimento, há um excesso de militares no poder. A face nem tão encoberta desses militares é a de golpistas?

9. Uma declaração recente sua: para derrotar Bolsonaro, na próxima eleição, é preciso apoiar qualquer democrata. O senhor apoiaria Lula?

10. Por que o senhor tem tanta inveja de Lula?

(A bancada de entrevistadores do Roda Viva será composta por Rodolpho Gamberini, Heródoto Barbeiro, Daniela Lima, Matinas Suzuki e Paulo Markun)

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Mas e Belarus? E o Lukashenko?

 

Moisés Mendes

A Folha entrevista hoje o pré-candidato do Patriotas à prefeitura de São Paulo, o deputado estadual Mamãe Falei, o segundo mais votado na última eleição.

A partir do ano que vem, o paulistano poderá ler notícias assim: "o prefeito Mamãe Falei falou hoje que..."

E tem gente preocupada com as loucuras da Bielorússia*.

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O nome do país, hoje em dia, é Belarus (Беларусь).

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Os Bolsonaros podem ser mais amadores do que parecem

 
Flavio Bolsonaro dá entrevista para o jornal O Globo para levar pau da Globo no Jornal Nacional.
Em algum momento, as facções fazem concessões, testando os inimigos.

O que Flavio Bolsonaro ganhou com a entrevista em que admite que Queiroz pagava suas contas?
Os Bolsonaros podem ser mais amadores do que parecem.
As histórias da carochinha de Flávio Bolsonaro


A entrevista de Flávio Bolsonaro ao GLOBO vale como um almanaque de histórias da carochinha. O senador nem se esforçou para tentar explicar o inexplicável. O relato só deve convencer quem já estava convencido da sua inocência.

O Ministério Público descobriu que o policial Diego Sodré de Castro Ambrósio pagou um boleto em nome de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Por que um sargento da PM ajudaria um parlamentar a quitar um imóvel?

Resposta do Zero Um: os dois foram a um churrasco, a prestação "estava para vencer" e ele não queria abandonar a carne no prato. Sensibilizado, o policial teria se oferecido para quitar o boleto de R$ 16,5 mil pelo celular. Amigo é para essas coisas.

Os jornalistas Paulo Capelli e Thiago Prado perguntaram por que outro sargento da PM, o faz-tudo Fabrício Queiroz, pagava o plano de saúde e a escola das filhas do senador. Mais uma vez, a explicação foi singela.

"Eu pego dinheiro meu, dou para ele, ele vai ao banco e paga para mim", disse Flávio, como se a investigação não tivesse mostrado que Queiroz recolhia parte dos salários de assessores do chefe.

O senador também não se preocupou em encontrar uma versão verossímil para o fato de o assessor ter sido preso na chácara do seu advogado. Ele jurou que não conhecia o esconderijo e admitiu que "isso não podia ter acontecido".

Em seguida, fez questão de dizer que não houve "crime nenhum" no episódio. O primeiro-filho pareceu indeciso. Em suas palavras, a operação para esconder Queiroz "foi um erro", mas não teve "nada de errado". Ah, bom!

O Zero Um ainda abusou da boa-fé dos leitores ao comentar a fantástica história de sua loja de chocolates. Os investigadores constataram que a franquia registra maior faturamento fora da Páscoa. Isso reforçou a suspeita de que o negócio era usado para lavar dinheiro.

"É um comércio. Se a pessoa chega com dinheiro para comprar, eu não vou aceitar?", desconversou o senador.

Na entrevista, Flávio criticou a Lava-Jato, elogiou o procurador Augusto Aras e justificou a aliança do governo com o centrão, que seu pai já definiu como "o que há de pior" na política.

O senador também elogiou a proposta da nova CPMF. Neste ponto, é possível que ele tenha sido sincero. O imposto não vai alcançar quem paga suas despesas em dinheiro vivo.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Fala grosso, Haddad



O TOM DA FALA DE HADDAD

Todo mundo sabe, inclusive os que votaram ‘enganados’ em Bolsonaro, quem é, o que pensa e o que diz Fernando Haddad. 

Mas qual será o tom da entrevista de hoje no Roda Viva? Minha previsão: Haddad vai subir um pouco o tom da sua fala.

Não dá mais para falar em voz baixa e com muitas cordialidades num país tomado pelos fascistas.

Haddad deve ter um pouco de Lula e de Dilma e falar com a voz dos negros, dos gays, dos índios, das mulheres e de todos agredidos por Bolsonaro e seus aliados milicianos de dentro e de fora do governo.

Se tiver de falar, fala grosso, Haddad.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

O inverno está chegando

Não está fácil a vida dos jornalistas bolsonaristas. Alguns voltaram a escrever sobre banalidades, para não ter que fazer volteios em textos e falas em que defendem o sujeito.

A Bandeirantes mandou embora Luis Ernesto Lacombe, que pode ser substituído por Zeca Camargo.

As corporações não querem tombar ao lado de milicianos e começam a se livrar de incômodos. Vão sobrar apenas os jornalistas mais fofos, que falam de flores para camuflar ideias da direita.

Esses terão longa vida. Mas o inverno do jornalismo bolsonarista será tenebroso.


quinta-feira, 18 de junho de 2020

Queiroz estava escondido no sítio do Lula em Atibaia com camisa do PT


Queiroz morava mesmo na casa do advogado de Bolsonaro e de Flávio ou foi de novo apenas coincidência?

Pode ter alugado a casa e nem sabia de quem era. Se o Lessa for vizinho, também deve ser por coincidência.

Já corre a versão de que a casa em Atibaia é uma mansão que o Sergio Moro diz ser do Lula.

E Queiroz de camiseta vermelha na hora da prisão.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

A CORDA, A VACA E A BARRACA


Moisés Mendes

São muito complexas as mensagens cifradas enviadas pelo bolsonarismo. É coisa do nível de um Nostradamus.

No dia 12 de junho, o general Luiz Eduardo Ramos, ministro chefe da Secretaria de Governo, disse:

“Não estica a corda".

No dia 16 de junho, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou:

“A bola é de couro, o couro vem da vaca e a vaca come grama”.

Hoje, Bolsonaro largou essa:

“Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca”.

Quem estica a corda, quem é a vaca e quem será o primeiro a chutar o pau da barraca? Quem é a barraca?

O bolsonarismo é cada vez mais aquele tio bêbado do churrasco de domingo que só come o coraçãozinho de galinha assado para as crianças.

Tudo isso quer dizer que, se houver golpe, terá acontecido pela nossa incompetência em matar as charadas infantis deles.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Aroeira ameaça a Segurança Nacional


Já foram publicadas 10.648 charges que associam Bolsonaro ao nazismo e ao fascismo.

Bolsonaro faz questão de se identificar com os grandes criminosos da humanidade.

Mas o ministro da Justiça, André Mendonça, implicou com essa charge do Aroeira. Por que essa?

Mendonça mandou a Polícia Federal investigar a charge por suspeita de atentado contra a segurança nacional. 

A charge estaria invadindo hospitais e ameaçando profissionais que morrem salvando vidas.

Essa charge é um perigo. Aroeira também é perigosíssimo.


terça-feira, 9 de junho de 2020

Um engano em bronze é um engano eterno

Moisés Mendes

Podem me convidar para laçar e colocar abaixo estátuas dedicadas a escravocratas e racistas.

Depois da pandemia, me convidem para pegar numa ponta do laço, puxar, deitar a estátua, pisar, testemunhar e assinar o que for preciso. Quero estar junto e, se for o caso, acusado como cúmplice da derrubada. 

Já aproveito e digo que é completamente furada a tese de Laurentino Gomes, segundo a qual monumentos a escravocratas devem ser mantidos, em nome da preservação da História. 

É furada porque qualquer monumento a uma figura humana é, na essência, uma homenagem pública a quem deve ser admirado em espaço de convívio coletivo.

Um monumento pretensamente eterno a alguém é um reconhecimento, nem sempre de todos, mas de uma maioria ou de consensos. 

Imaginem um monumento erguido a Hitler ser preservado em nome da História. É um argumento sem qualquer fundamento. 

Um monumento em bronze dedicado a alguém não pode, como parece que Laurentino sugere, ser comparado a um Coliseu, por exemplo, ou às ruínas de uma charqueada que explorou escravos. É uma bobagem. 

Muito menos pode ser equiparado a um livro sobre um racista. Não há comparação. Derrubem tudo. Limpem as cidades.

Mario Quintana escreveu que um engano em bronze é um engano eterno. Os jovens europeus provaram que não são mais.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Miseráveis de caráter


São  milhões, em número a ser ainda calculado, os ricos que pediram e ganharam auxílio de emergência de R$ 600.

A explicação pode ser esta. Como muitos pobres se consideraram ricos e, por afinidade, votaram em Bolsonaro, muitos ricos agora se consideram pobres.

São identificações entre dominadores e dominados, que explicam os 30% de apoio a Bolsonaro, ou será que alguém acredita que um terço da população é de ricos?

O bolsonarismo conseguiu, na eleição, o milagre de fazer com que pobres se considerassem ricos.

E agora, em poucas semanas de pandemia,  transformou ricos em pobres. Tudo por R$ 600. 

Miseráveis de caráter eles já eram.


terça-feira, 26 de maio de 2020

Os comparsas de Bolsonaro


Moisés Mendes

Enquanto atacava Bolsonaro agora há pouco, Witzel chamou o inimigo de líder e admitiu que ajudou a elegê-lo.

Doria Júnior, Eduardo Leite e outros bolsonaristas dissimulados podem dizer o mesmo.

Bolsonaro parte pra guerra contra os traidores, que se elegeram na sua carona e depois saltaram fora.

Bolsonaro só existe como voz do fascismo porque teve o apoio decisivo de Witzel, Doria, Leite e outros arrependidos.

Todos são cúmplices do bolsonarismo que agora começa a persegui-los.

Não há vítimas entre eles. Todos são comparsas do autoritarismo e do velho e do novo golpismo que se propagam a partir do bolsonarismo. Todos.

O arrependimento oportunista não absolve os governadores bolsonaristas que ajudaram a criar o fascista.

sábado, 21 de março de 2020

O santo protetor da idiotia e do fascismo brasileiro


 O SANTO PROTETOR DA IDIOTIA

Moisés Mendes

Por que Bolsonaro cometeu a irresponsabilidade de fazer o vídeo falando do remédio (não vou dar o nome) que pode, segundo ele, fazer o milagre da cura, quando sabe que pode na verdade aumentar uma corrida maluca atrás de um medicamento que faltará para quem de fato precisa dele?

Bolsonaro fez o vídeo porque tenta se livrar da acusação de omissão e agora quer ser visto como milagreiro.

Meu amigo Luiz Antônio Araujo antecipou em um dia, no Twitter, o que Bolsonaro acabaria fazendo ao se apresentar como pajé da pandemia. 

O jornalista escreveu: ”Quantos dias até Bozo passar receita caseira contra o corona em live no Facebook?”

No dia seguinte, Bolsonaro chegou ao pico do surto. 



Sai de cena o sujeito que brinca de governar. Vem aí, com um manto verde-amarelo, o santo protetor da idiotia e do fascismo brasileiro.

terça-feira, 10 de março de 2020

Pergunta para Moro: Ronaldinho não pode ser delator?

Moisés Mendes

Sergio Moro sempre foi rigoroso com os presos da Lava-Jato, submetidos a prisões preventivas intermináveis para que delatassem seus parceiros.

Tanto que Moro passou a ser chamado de carcereiro da masmorra de Curitiba. Juristas apontaram, nos seus cinco anos da Lava-Jato, todo tipo de desmando cometido em nome da justiça a qualquer custo.

O que o juiz queria era a delação, a única estratégia de ‘investigação’ dos seus procuradores. O que importava era prender e deixar o acusado preso até delatar os possíveis cúmplices, mesmo que muitas das deduragens fossem falsas e sem provas.

A Lava-Jato foi uma fábrica de delações e assim condenou muita gente.

Pois agora o ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, informa que Moro queria saber se havia a possibilidade de pagamento de fiança para a soltura de Ronaldinho e do irmão.

Moro conversou várias vezes com o ministro, e essa era uma das indagações.

Um sujeito preso sob suspeita de participação numa rede mafiosa de lavagem de dinheiro poderia ser solto sob fiança? É assim tão fácil? Moro não considera então que esse seja um caso para delações?

O ex-juiz, sempre tão preocupado em chegar aos criminosos, não quer saber quem mais faz parte da rede montada por Ronaldinho? No Paraguai e no Brasil.

Por que o ex-juiz que cercou Lula com tanto rigor não colabora com as autoridades paraguaias, ao invés de ficar fazendo sondagens sobre a possibilidade de soltura do ex-jogador?

Moro virou advogado de qualquer um. É um caminho sem volta.

domingo, 8 de março de 2020

Patrícia Campos Mello escreve sobre o próprio umbigo

Em defesa das mulheres brancas e ricas

AS MULHERES ESQUECIDAS POR PATRÍCIA

Moisés Mendes

A jornalista Patrícia Campos Mello escreveu um longo texto sobre os ataques que sofreu de Bolsonaro e sobre as sequelas do seu drama pessoal e de colegas jornalistas em situação semelhante. É o Dia Internacional da Mulher, e lá está o seu desabafo na Folha.

Mas a jornalista perdeu a chance de escrever um texto que fosse além do seu caso e do seu ambiente e levasse o tema para o seu contexto. Patrícia foi jornalista demais citando outras colegas agredidas por Bolsonaro, foi quase corporativa e foi esquecida.

Patrícia esqueceu de fazer uma referência, uma só, aos ataques históricos de Bolsonaro contra a mulher que ele mais agrediu, repetida e sistematicamente, e a que mais reagiu com destemor às agressões covardes.

Patrícia esqueceu de dizer que a deputada Maria do Rosário foi, há muitos anos, a mulher escolhida por Bolsonaro para agredir todas as mulheres brasileiras.

Esqueceu de citar, numa linha, apenas uma linha, que Maria do Rosário processa Bolsonaro no Supremo e que o caso está numa gaveta, porque o sujeito não pode ser processado agora por atos anteriores ao mandato. Mas as acusações estão lá e em algum momento terão de ser desengavetadas.

Não vamos repetir nada do que ele disse a respeito de Maria do Rosário, porque todos sabem. Mas Patrícia não deve saber mais.

Patrícia esqueceu que Dilma foi derrubada por um movimento da direita com forte conotação misógina. Que Bolsonaro foi um dos líderes do golpe e que, citando o torturador, voltou a torturar Dilma publicamente.

Não há no artigo uma referência a Marielle, assassinada por um vizinho de Bolsonaro e até hoje agredida em manifestações de bolsonaristas.

Patrícia não diz, em nenhum momento, que mulheres quase invisíveis são mortas no Brasil sob o incentivo do bolsonarismo. Patrícia sabe que o feminicídio é o crime clássico, definidor do bolsonarista.

Não há no texto nenhuma referência às agressões de Bolsonaro a Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Não há citação alguma aos ataques a negros, índios, gays e transgêneros.

Patrícia resume as agressões de Bolsonaro às jornalistas, porque as jornalistas sentem agora o que outras mulheres, outros segmentos e outras categorias sociais sentem há muito tempo.

Patrícia não cita Dilma, nem Marielle, nem Rosário, nem Gleisi porque talvez sejam de esquerda e políticas. O texto é apenas sobre as jornalistas, como se todas estivessem numa ilha, e até o título induz a uma ilusão. Este é o título:

“No Brasil, ser mulher nos transforma em alvo de ataques”.

Enganaram-se os que esperavam ler o relato pessoal que conduziria a uma reflexão sobre as agressões a todas as mulheres alvos de Bolsonaro.

Não. Ser mulher, no texto de Patrícia, é ser jornalista. Patrícia escreveu um texto apenas corporativo, auto-referente, como se todo o entorno, e que entorno, não merecesse nenhuma observação. E Patrícia é uma grande repórter.

Todos e todas, homens, mulheres, gays, trans, refletiram sobre os ataques de Bolsonaro a Patrícia. As deputadas Luiza Erundina, Fernanda Melchionna, Natália Bonavides, Marília Arraes, Rosa Neide, Gleisi, Maria do Rosário e outras mulheres democratas do Congresso foram à tribuna, em grupo, em defesa de Patrícia.

Nenhuma é citada por Patrícia. Nem Preta Gil, que também já foi agredida. Nem Benedita da Silva. Nem os gays do PSOL, que ele definiu como um partido de veados para agredir Jean Wyllys.

A reflexão é centrada no umbigo do jornalismo da grande imprensa. Patrícia escreveu um artigo sobre a categoria e apenas ameaçou contextualizar com generalidades o seu relato, que é doloroso, mas é incompleto.