terça-feira, 10 de março de 2020

Pergunta para Moro: Ronaldinho não pode ser delator?

Moisés Mendes

Sergio Moro sempre foi rigoroso com os presos da Lava-Jato, submetidos a prisões preventivas intermináveis para que delatassem seus parceiros.

Tanto que Moro passou a ser chamado de carcereiro da masmorra de Curitiba. Juristas apontaram, nos seus cinco anos da Lava-Jato, todo tipo de desmando cometido em nome da justiça a qualquer custo.

O que o juiz queria era a delação, a única estratégia de ‘investigação’ dos seus procuradores. O que importava era prender e deixar o acusado preso até delatar os possíveis cúmplices, mesmo que muitas das deduragens fossem falsas e sem provas.

A Lava-Jato foi uma fábrica de delações e assim condenou muita gente.

Pois agora o ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, informa que Moro queria saber se havia a possibilidade de pagamento de fiança para a soltura de Ronaldinho e do irmão.

Moro conversou várias vezes com o ministro, e essa era uma das indagações.

Um sujeito preso sob suspeita de participação numa rede mafiosa de lavagem de dinheiro poderia ser solto sob fiança? É assim tão fácil? Moro não considera então que esse seja um caso para delações?

O ex-juiz, sempre tão preocupado em chegar aos criminosos, não quer saber quem mais faz parte da rede montada por Ronaldinho? No Paraguai e no Brasil.

Por que o ex-juiz que cercou Lula com tanto rigor não colabora com as autoridades paraguaias, ao invés de ficar fazendo sondagens sobre a possibilidade de soltura do ex-jogador?

Moro virou advogado de qualquer um. É um caminho sem volta.

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