terça-feira, 9 de junho de 2020

O espaço público não deve conter homenagens a criminosos



Em primeiro lugar é preciso entender o que significa MONUMENTO. Monumento vem de "monere", que significa "lembrar, recordar". Basicamente o monumento é uma evocação à memória. 

Hoje utilizamos a palavra monumento para nos referir genericamente às edificações que tem valor cultural reconhecido, mas nem sempre foi assim. Originalmente o monumento se referia apenas a objetos criados com o propósito de exaltar um acontecimento/personagem.

Por exemplo, os arcos do triunfo, que eram erguidos para marcar as vitórias do Império Romano sobre outras civilizações. A única função desse tipo de monumento era essa: marcar a vitória romana, enaltecer o fato e/ou os personagens envolvidos nessa história.

O teórico Alois Riegl divide os monumentos em duas categorias: os monumentos intencionais e os não-intencionais. Como o nome já indica, monumentos intencionais são aqueles feitos com o propósito de marcar um acontecimento no tempo, vide o exemplo acima.

Por outro lado os monumentos não-intencionais são aqueles cujo valor como monumento é dado posteriormente, quer seja pela sua antiguidade, por suas características artísticas, etc. O valor de evocação da memória desse monumento é atribuído a posteriori. 

Exemplo: o Arco de Trajano é um monumento intencional, construído com o propósito de exaltar uma personalidade. O Panteão é um monumento não intencional: foi criado com propósito religioso e posteriormente reconhecido como monumento pelo seu valor histórico/artístico.

A grande questão que eu quero expor aqui é que quando se ergue um monumento intencional, como uma estátua, a intenção desse monumento é preservar para sempre aquele fato histórico. Um monumento intencional visa manter aquela memória ETERNAMENTE viva. 

Uma estátua que marca um determinado momento ou exalta uma personalidade SEMPRE será vista como uma glorificação daquele episódio ou daquela pessoa. Isso INCLUSIVE faz parte do nosso imaginário. Quando você vê uma estátua você pode não saber quem é aquela personalidade, mas você SABE que é uma "pessoa importante" ou "personalidade histórica". Porque no nosso imaginário a associação que fazemos com uma estátua ou busto sempre será "se foi imortalizado, ou seja, se foi petrificado no tempo é porque DEVE ser importante". 

Não tem como esperar que se mantenha uma estátua de um personagem controverso para que as pessoas reflitam sobre esse episódio de forma crítica porque isso NÃO VAI acontecer. Um monumento que tenha sido criado para glorificar um personagem não vai ser outra coisa além disso. 

Das duas uma: ou você substitui esse monumento por outro monumento intencional que remeta à essa história de forma crítica, ou você VAI SIM continuar exaltando uma figura histórica controversa!

Se mantivermos de pé monumentos que exaltam genocidas e escravocratas a mensagem passamos é que eles são relevantes o bastante para serem imortalizados, apesar de terem sido ASSASSINOS. É como se o suposto valor de seus feitos fosse maior que as atrocidades que cometeram! 

Nem EU que sou literalmente A CHATA do patrimônio acho admissível que esses monumentos continuem expostos em espaços públicos! Por mim já passou da hora de acabar com isso. São genocidas que SEQUER pagaram pelos seus crimes, o MÍNIMO a se fazer é parar de exaltar sua memória.



Henning Boilesen: quem foi?

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