segunda-feira, 15 de junho de 2020

Onde é possível governar sem fazer alianças espúrias e sem acordões


Vinícius Carvalho

Quem achava que dava pra esquerda radicalizar - SEM POVO - contra as instituições tá vendo aí o resultado, aliás, só uma degustação no que daria.

Nem a direita, bicho, tá conseguindo. E detalhe, uma direita relativamente popular, com predomínio narrativo, que está dando até o boga de presente para o mercado e para os Estados Unidos, além de ser visceralmente ligada aos militares.

E com a esquerda seria bem pior e mais violento, na verdade. Se essa Sara Winter fosse de esquerda já estaria presa há meses. 

Tem anarco lendo muito Bakunin e achando que quebrar lixeira e ponto de ônibus é a solução. E tem comunista lendo Lênin demais e Jorge Amado de menos, acreditando que com  meia dúzia de maconheiros magrelos do IFCS você convencerá o exército e a marinha a derrubar o Czar.

Eu sempre defendi a ideia de que só tem como radicalizar a partir do momento em que você tem duas coisas: hegemonia cultural e aparelhamento estatal e institucional.

Fora disso, a esquerda vai ter que morrer engolindo seco e tendo que se contentar em, quando chegar ao poder, costurar uma maioria com o centro e a centro-direita minimamente civilizada para operar o liberalismo da forma menos rude possível.

Que sirva de lição e de alerta para os partidecos nanicos de esquerda e ao pessoal do "governar com a base", "governar sem fazer acordos", "o PT fez alianças espúrias" e blablabla.

Quem voltar ao poder em 2022 vai ter que encontrar novos Sérgios Cabrais para chamarem de seus. Você pode se espernear aí no seu quarto empoeirado repleto de fotos da Sininho e da Sara Winter de outrora, mas a realidade factual não vai fugir disso. Antes de baterem boca aqui comigo, tentem eleger vereadores ao menos.

Na puta que pariu e na casa do caralho tem como governar sem fazer alianças espúrias e sem acordões. Quem foi lá viu e me contou!

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