domingo, 8 de março de 2020

Jornalistas de programa, incluindo os pés-rapados, chamam o patrão de colega


Nelson Barbosa

A prática de igualar Bolsonaro a Lula é corrente dentro dos órgãos da imprensa. E o que é lamentável, é alimentada e divulgada por funcionários desses órgãos da imprensa, mesmo os mais precarizados.

Há um senso comum de que tanto Lula quanto Bolsonaro despejaram ou dispensam verbas para serem enaltecidos na imprensa.

Quanto a Bolsonaro, estamos tendo a prova cabal disso com o modo como alguns setores da mídia se portam como vassalos de seu governo: há os chiqueirinhos onde os jornalistas são confinados, as contínuas bananas dadas à imprensa, o escândalo das verbas públicas despejadas nos canais da Record, do SBT... e também a forma borderline com que a Globo e a Folha, por exemplo, lidam com essas situações, avançando e recuando, conforme o fluxo do dinheiro vai alimentando a máquina midiática.

Já com relação a Lula, basta uma consulta aos jornalões e à mídia em geral durante seu mandato para se perceber que a relação governo / imprensa não era exatamente como hoje querem fazer crer esses precarizados.

Muitos hão de se lembrar, por exemplo, do papel de José Dirceu quanto à pulverização das verbas de publicidade para um número muito maior de veículos, o que, à época, gerou aquele "editorial" comprometedor da Folha se queixando justamente dessa prática passando o recibo de que essa democratização das verbas públicas comprometia o monopólio da "informação". Outro não foi o motivo do inferno de Dirceu desde a época do suposto "mensalão" ainda no primeiro mandato de Lula.

Houve também aquela polêmica dos chamados "blogues sujos", aos quais se dizia serem mantidos por Lula para enaltecimento de seu governo, o que se revelou uma falácia comprovada sobretudo nos casos dos blogues do Azenha, do Eduardo, do Amorim... Enfim...

Ainda como cereja desse bolo todo, pode-se citar a famosa intervenção de Judite Brito em sua fala de que a imprensa no Brasil tinha como função fazer oposição ao governo Lula, numa clara demonstração de que de de fato Paulo Henrique Amorim estava certo ao nomear o famoso PIG: Partido da Imprensa Golpista.

Só para lembrar. Porque a idade, ao avançar, ajuda a gente a guardar informações que podem muito bem demonstrar essa mentira que grassa nas redações entre os empregados que adoram chamar o patrão de "colega", como já dizia M. Carta.

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