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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O lado bom de 2019

Flávia Boggio
Tudo indica que 2020 será ainda pior
O ano de 2019 está chegando ao fim e, junto, começam as retrospectivas dos acontecimentos que marcaram o ano. Com tantas tragédias e más notícias, fica difícil fazer um compilado bem-humorado sobre esta volta da Terra pelo Sol. Alguns arriscam a dizer que foi uma das piores das últimas décadas.

Mas é lógico que o ano não foi só de infortúnios. Aconteceram coisas boas também. Raras. Mas, com a ajuda de estudiosos muito —mas muito— otimistas, conseguimos encontrá-las.

Uma ótima notícia foi o anúncio de que o cantor Latino vai encerrar a carreira em 2021. Infelizmente, vamos ter de aturar o autor de “Festa no Apê” por mais um ano. Mas o fato de termos uma previsão já é alguma coisa.
Galvão Bertazzi/Folhapress

O ano de 2019 também foi bom para os apreciadores de maconha. Um estudo americano concluiu que manga pode prolongar o efeito do THC. O consumidor, agora, pode aproveitar melhor seu baseado e, de quebra, consumir mais fibras e vitaminas.

Outro fato positivo veio de Santa Catarina. A Justiça determinou que lagartixas têm o direito de ir e vir pelas paredes do estado.

Isso após uma empresa se recusar a pagar o conserto de um ar-condicionado, queimado após entrar em contato com o réptil.

Os inimigos de Mark Zuckerberg também tiveram boas novas. Segundo pesquisa de Oxford, em 50 anos, o número de pessoas mortas no Facebook vai superar o de vivas. Em breve, a rede social será mais eficiente do que um tabuleiro ouija para mandar mensagens ao além.

A informação de que atores realizam enormes bacanais praianos foi outra ótima notícia no ano.

Embora tenha frustrado os famosos que não foram convidados, o chamado Surubão de Noronha deu ânimo e sentido à vida do brasileiro médio.

O ano também foi de superações. Batemos recorde de queimadas na Amazônia e tivemos o maior desastre ambiental do litoral brasileiro.

O número de pessoas abaixo da linha da extrema pobreza aumentou 50%. E o de mortos por policiais no Rio de Janeiro bateu recorde histórico.

Dados como esses nos levariam a crer que a melhor notícia de 2019 é a de que o ano está acabando. Mas tudo indica que 2020 será ainda pior.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Em um país polarizado, Ricardo Salles é uma das poucas unanimidades


Ministro do Apocalipse

Flávia Boggio

O Brasil enfrenta uma das maiores crises ambientais da história. Em vez de usar todos os esforços para conter os danos, o governo perde tempo responsabilizando a Venezuela, os ambientalistas, até mesmo irmãs católicas missionárias. 

Mas se fosse para escolher um nome para representar todo o mal ao meio ambiente, esse nome seria Ricardo Salles.

Assim como um anticristo se prepara para o Apocalipse, o ministro começou a arquitetar seu plano de destruição muito antes do governo Bolsonaro. Quando ainda pilotava sua lancha pelas praias de Ilhabela —o mais próximo que chegou da natureza—, Salles encabeçou o movimento Endireita Brasil, que, além de moralista, é péssimo com trocadilhos. 

Em pouco tempo, o futuro ministro conseguiu uma vaga como secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin. Mas seu compromisso ambiental era tão falso quanto sua escova progressiva no cabelo. O cargo era só uma desculpa para beneficiar empresas privadas para que explorassem áreas de preservação ambiental. 

Ser condenado por crime ambiental não foi impedimento para que Salles assumisse o Ministério do Meio Ambiente. O que equivale a chamar uma raposa para vigiar ovelhas, Sergio Moro para fazer propaganda de batom ou Damares Alves para cuidar de crianças indígenas (isso aconteceu e não deu certo).

Como ministro, cortou 77% dos conselheiros representantes de ONGs, em um claro desmonte do setor. Também mandou demitir o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, para esconder o aumento no desmatamento na Amazônia em 278%.

Diante do maior desastre ambiental do litoral, demorou 41 dias para acionar o plano de contingência para vazamento de óleo. Ainda usou um vídeo falso para divulgar que o Greenpeace não estava ajudando a limpar o óleo. Deve ter aprendido no mesmo lugar onde falsificou seu diploma de mestre em Yale.

Em um país polarizado, Ricardo Salles é uma das poucas unanimidades. Ele é tão impopular que divulgou, ele mesmo, a hashtag #SomosTodosRicardoSalles. Nas redes sociais, equivale a dar like na própria foto ou fazer uma declaração de amor para si próprio. Até o ministro da Educação Abraham Weintraub, um lunático pueril, tem mais apoiadores.

Até Bolsonaro deve querer se livrar de Ricardo Salles, mas o mantém por teimosia. No fundo, está esperando alguém pior para substituí-lo. Mas é uma missão impossível, pois, para assumir o Meio Ambiente, não há nada pior do que Ricardo Salles.