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domingo, 5 de maio de 2019

MP do Rio vai pedir quebra do sigilo fiscal e bancário de Flávio Bolsonaro e Queiroz

Flávio Bolsonaro em momento de descontração com o ex-assessor Fabrício Queiroz

Lauro Jardim - O Globo 

Recém-condecorado com a Ordem do Rio Branco por "seus serviços e méritos excepcionais", o não terá muito tempo para curtir a mais importante comenda do Itamaraty.

Motivo: o passado voltará a assombrar o primogênito de Jair Bolsonaro. Desde fevereiro nas mãos do promotor Luís Otávio Lopes, do MPRJ, o caso Flávio/Fabrício Queiroz está prestes a andar.

Em breve, o MPRJ vai tornar a dupla formalmente investigada. E pedirá à Justiça a quebra dos sigilos fiscais e bancários do senador e do seu ex-motorista, hoje habitando local incerto.

Agora sim, se o Judiciário autorizar, o sigilo de Flávio será quebrado. O 01 chegou a entrar na Justiça acusando o MPRJ de ter aberto seus dados ilegalmente. Queria, assim, trancar, a pré-investigação dos procuradores.

Seu pedido foi indeferido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assim como foram barradas pelo Judiciário outras tentativas de matar as investigações na sua fase inicial.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Queiroz se escondeu na favela de Rio das Pedras


Queiroz se escondeu na favela de Rio das Pedras. Rio das Pedras é dominada pela milícia. A mesma milícia que, segundo a polícia, teria matado Marielle Franco por uma disputa fundiária (investigação que ainda precisa ser comprovada).


Lauro Jardim

No dia 7 de dezembro, um dia depois de o repórter Fabio Serapião, de "O Estado de S. Paulo", ter revelado que Fabrício Queiroz tinha movimentado de forma atípica R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o ex-motorista tomou um chá de sumiço. A partir dali, surgiu a provocação do "cadê o Queiroz?".

No dia 20 de dezembro, foi para São Paulo para internar-se no Hospital Albert Einstein, a fim de iniciar seu tratamento de câncer.

Beleza. E onde Queiroz se escondeu nessas quase duas semanas, uma vez que a partir dali desapareceu de sua modesta casa, numa viela da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro?

Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, também na Zona Oeste. É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Os R$ 7 milhões do Queiroz


Lauro Jardim

O Coaf sabe muito mais do que já foi revelado sobre o caso Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro.

Nos arquivos do órgão federal de controle de atividades financeiras consta que Queiroz transacionou um volume de dinheiro substancialmente maior do que o que veio a público em dezembro.

Além dos famigerados R$ 1,2 milhão, movimentados atipicamente entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, passaram por sua conta corrente mais R$ 5,8 milhões nos dois exercícios imediatamente anteriores. Ou seja, no total Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos.

Segundo o próprio Jair Bolsonaro disse em entrevista, Queiroz "fazia rolo". Haja rolo.

Flávio chegou a dizer, no início de dezembro, que ouviu de Queiroz "uma história bastante plausível" sobre o R$ 1,2 milhão. E enfatizou: "a gente não tem nada a esconder", numa frase em que atrelou o seu destino ao de Queiroz.

O que dirá agora sobre essa montanha de dinheiro? Pela relação dos dois, imagina-se que o senador eleito saiba desses R$ 7 milhões.

Quando o MP do Rio voltar a se debruçar sobre o caso — as investigações estão suspensas desde quinta-feira passada por uma decisão de Luiz Fux, mas a tendência é que sejam retomadas — as explicações de Queiroz sobre suas atividades paralelas terão que ser mais convincentes do que as dadas até agora em declarações ao SBT.

Entre os vários mistérios desse rolo, um permanece intacto: como alguém que movimentou tantos milhões de reais em três anos mora numa casa modestíssima de uma viela da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro?