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domingo, 5 de julho de 2020

Ala ditatorial apátrida do governo genocida quer demissão de Ernesto Araújo e Ricardo Salles


Oliver Stuenkel

Generais e integrantes da ala liberal estão sugerindo a Bolsonaro que demita o chanceler Ernesto Araújo e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Mesmo para os padrões muito baixos do governo, os dois se destacam e tornam praticamente impossível defender o Brasil lá fora.

O problema é que Salles e Araújo representam duas facções-chave na coalizão de Bolsonaro. No caso de Salles, facilitar o desmatamento tem sido uma das promessas da campanha do presidente e quebrá-la pode fazer com que ele perca o apoio de uma parte importante de seu eleitorado.
=> Salles garante o apoio do crime organizado rural<=
O mesmo vale para Araújo: ele representa a faixa lunática (mas muito barulhenta) da coalizão que sustenta Bolsonaro. Demitir Araújo pode fazer com que bolsonaristas radicais questionem seu compromisso com sua causa: combater comunismo, globalismo, ambientalismo e George Soros.

Araújo desempenha um papel fundamental para satisfazer a parte mais radical dos bolsonaristas: quando votaram em Bolsonaro, pediram uma mudança extrema. Araújo entregou e transformou um dos maiores apoiadores do multilateralismo em escárnio global e um pária.
=>Araújo garante o apoio de lunáticos violentos e criminosos<=
Não é por acaso que Bolsonaro escolheu o MRE como plataforma para satisfazer seus partidários mais radicais. No âmbito doméstico, freios e contrapesos dificultam a implementação de mudanças radicais, mas poucas restrições existem no campo da política externa.

No Brasil, o judiciário e o parlamento priorizam a política externa apenas em circunstâncias muito raras. Araújo poderia, portanto, com relativa liberdade, realizar sua missão radical sem muita resistência.
=>Judiciário e Parlamento só querem saquear os cofres, se lixam para a imagem do Brasil<=
O Itamaraty também foi uma vítima fácil pq há poucos grupos de interesse dispostos a defendê-lo. Com algumas exceções, o desmantelamento da diplomacia brasileira apenas causou desespero, inicialmente, entre acadêmicos, diplomatas, ambientalistas,ONGs de direitos humanos e jornalistas
=>Itamaraty é outro antro de concurseiros que têm como único objetivo na vida encher os bolsos<=
Não é de surpreender que o que possa levar à queda de Salles & Araújo seja a crescente percepção de que seu radicalismo prejudica a economia brasileira, do boicote a produtos brasileiros no exterior à fuga de investidores e à não-ratificação de acordos comerciais.
=>Apesar de seu egoísmo e ignorância sem par no mundo, a elite econômica ainda precisa do país para ganhar dinheiro<=

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O terraplanismo avança em Brasília

Bernardo Mello Franco
O Brasil vive um momento em que os donos do poder veem as universidades como locais de “balbúrdia” e buscam conhecimento nos livros de Olavo de Carvalho 
A Fundação Oswaldo Cruz investiu R$ 7 milhões para produzir uma pesquisa completa sobre o uso de drogas no Brasil. O levantamento mobilizou 500 pesquisadores e ouviu 16 mil pessoas, mas ainda não foi divulgado. Está na gaveta por decisão do governo.

Em entrevista ao GLOBO, o ministro Osmar Terra admitiu o que a comunidade científica já sabia. A pesquisa foi censurada porque não confirma a tese de que existiria uma epidemia de drogas no país.

“Eu não confio nas pesquisas da Fiocruz”, sentenciou Terra, alegando que o estudo não teria “validade científica”. Ao ser lembrado de que a instituição tem prestígio internacional, ele respondeu: “É prestigiada para fazer vacina. Agora, para droga, ela tem um viés ideológico”.

O ministro disse ser “óbvio” que o país vive uma epidemia de drogas, mesmo que o levantamento mostre o contrário. “Andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada”, declarou.

O estudo censurado não se limitou a um bairro famoso. Os pesquisadores percorreram todo o país para atestar que apenas 9,9% dos brasileiros experimentaram alguma droga ilícita na vida. Embora a maconha seja a substância mais consumida, só 1,5% havia usado a erva nos últimos 30 dias. Esses dados foram revelados pelo site The Intercept, mas o levantamento continua na gaveta.

A Fiocruz não é a primeira instituição federal a sofrer ataques do governo. O presidente Jair Bolsonaro desmereceu o IBGE quando o instituto informou que o desemprego subiu. Na semana passada, o ministro Augusto Heleno pôs em dúvida a credibilidade do Inpe, que alertou para uma escalada no desmatamento da Amazônia.

O Brasil vive um momento em que os donos do poder veem as universidades como locais de “balbúrdia” e buscam conhecimento nos livros de Olavo de Carvalho. A novidade é que o terraplanismo deixou de ser privilégio dos discípulos do ex-astrólogo.

Em entrevista ao “Valor Econômico”, o ministro Heleno repetiu a cantilena de que as salas de aula estariam tomadas pela “doutrinação ideológica”. Questionado sobre as fontes de sua afirmação, citou vídeos do YouTube e correntes do WhatsApp.