Eu sei que ninguém aguenta mais que eu fale de estátua, mas vou lançar a BRABA:
Esse bando de gente que chora por estátua nunca derramou uma lágrima pra quando lugares de memória como terreiros são atacados, ou quando uma língua dos povos desaparece da memória da comunidade.
Choram por estátuas achando que estão defendendo o passado, mas nunca vi falarem qualquer coisa sobre o cais do Valongo MAIOR PORTO DE ESCRAVOS DAS AMÉRICAS ter sido soterrado por reformas urbanas.
Mais: estátuas de Zumbi dos Palmares foram constantemente vandalizadas na última década. Algum articulista escreveu um texto emocionado clamando a população que preservasse a memória do líder quilombola???
Eu poderia falar ainda mais sobre como esse país destrói monumentos e patrimônios (materiais e imateriais) e sobre como nossa grande imprensa nunca se importou com isso. Mas vou fazer outra pergunta: por que ela se importa AGORA?
Arrisco aqui uma hipótese: medo de protestos. Medo de serem identificados com o bolsonarismo. Querem conter as forças mais radicais no campo da oposição.
Mas isso é só o superficial. No fundo, isso só revela que pra essa gente, monumentalizar bandeirantes, senhores de escravos, oligarcas e ditadores não é um problema.
Chego a pensar que talvez se identifiquem com isso (não tem uma rede de rádio e TV que saúda esse passado?).
O que não é surpresa: a grande imprensa representa uma elite brasileira - que tem cor, caso seja preciso afirmar o óbvio.
Talvez por isso sua insensibilidade com os patrimônios e monumentos dos "de baixo". Talvez por isso seu medo de que questionemos seus queridos símbolos.
De novo, monumentos e patrimônios configuram um debate sobre o presente, sobre o que e como queremos lembrar do passado.
Ao menos fica evidente, nesse contexto, do que os jornalões querem lembrar. E também, claro, do que querem esquecer.

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