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terça-feira, 21 de abril de 2020

As instituições estão funcionando, sim senhor


Da série "As instituições estão funcionando, sim senhor".

Em interessante matéria de Igor Gigelow, na Folha, lê-se que um acordo tácito para não defenestrar o verme começou a ser costurado já no domingo, logo após seu discurso infame. Com o Supremo, com tudo. Mas o que acho mais curioso no texto nem é isso, e sim uma aparente divisão entre os militares. Os da caserna acham que o Pandemito tá abusando, mas os do governo concordam com ele, acham que o Congresso e o Supremo pegam sim pesado com o pobre miliciano genocida. Que coisa, né?, militares que chegam ao poder e tem dificuldade de conviver com a oposição e a divisão de poderes! Quem poderia imaginar uma coisa dessas? Mas isso significa que o exército apoiaria um endurecimento do regime? Bicho, eles não precisam. O putrefato mimado segue brincando de genocídio sem ser incomodado.

Por outro lado, a força tarefa Lava-Jato emitiu uma dura nota defendendo a democracia. "A Lava Jato entende que o momento deflagrado pela crise de saúde em decorrência do coronavírus exige, de todos nós - das instituições públicas, de seus representantes e da sociedade civil -, compromisso com ações que fortaleçam a democracia”. Fico aliviado só que... Essa porra de Lava-Jato NÃO É UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA! Você pode até não querer chamar de quadrilha, corja, malta, matilha, gangue, súcia, camorra, curriola, então chama de bando, agrupamento, aglomerado, fila do mictório, time de queimado, qualquer coisa. Mas não é uma instituição pública!

Seguem funcionando. Não como deveriam. Não que o sejam.

André Vallias

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Homo Penduricalhus Brasilienses

E ei-lo no Japão, suprassumo da sofisticação estética, um digno representante do Homo Penduricalhus Brasilienses – o presidoente Jair Bolsonóleo. 
 André Vallias

João Ximenes Braga

No Brasil, a família imperial foi tirada do poder por um golpe militar que instituiu a República. Passa um clipe aí rapidinho mostrando tudo que aconteceu depois e chegamos ao período da retomada da democracia. Um deputado inútil faz fama defendendo outro golpe militar, o de 1964, e seus torturadores. Esse deputado inútil é ex-capitão do Exército, e tem como base política militares de baixa patente que o chamam de mito, apesar de ele ter sido péssimo militar.

Como Deus gosta de caçoar da gente, esse pulha chega a presidente e enche o governo de militares como nunca dantes visto neste país. O discurso segue sendo pró-militar. Quer implementar escolas militares, quer dar aposentadoria especial para militar, ele gosta tanto de militar que até carrega militar com 39 kg de cocaína no avião da FAB em sua comitiva.

Aí ele vai a uma cerimônia de gala no Japão portando, vejam vocês, uma comenda da Ordem da Rosa, uma honraria criada pela família imperial e extinta com o golpe militar que a tirou do poder. A gente não deveria ter ficado surpreso. Afinal, há um deputado dessa família em sua esfarinhada base de poder na Câmara.

Tenho que tirar o chapéu para Bolsonaro, ele é mesmo um novo tipo de estadista. Ele desafia qualquer coerência histórica e consegue ser ao mesmo tempo monarquista, golpista e militar. Ele se sente à vontade em tudo que remete ao golpismo, ao autoritarismo, ao antidemocrático, ao antipovo.

Estamos mesmo de parabéns.

Agradeço a Fátima Morado, que identificou o penduricalho na foto que publiquei antes, em que esse estadista mais parecia um mendigo anêmico que pegou no lixo uma fantasia de Liberace que um folião, na véspera, comprara nas casas Turuna e dispensou depois de ter vomitado em cima.