Senadores citam incentivo à imunidade de rebanho como item a ser investigado
domingo, 18 de abril de 2021
CPI vai apurar papel de Bolsonaro na propagação intencional do vírus
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Na pandemia, Bolsonaro oferece caos e deixa social em segundo plano
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Não é difícil colher provas para responsabilizar protagonistas do morticínio
Asfixia da saúde em Manaus é fracasso grosseiro de governos na pandemia
A asfixia da rede de saúde de Manaus é o retrato mais grosseiro do fracasso do país no combate à pandemia. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), soube há uma semana que teria problemas no fornecimento de oxigênio. O estado enfrenta uma disparada de internações por Covid-19, mas ele disse ao site O Antagonista que foi surpreendido pelo esgotamento do material.
A tragédia nacional é fruto da incompetência extraordinária, da falta de senso de emergência, do desprezo pela vida e da covardia de muitos governantes. No fim de 2020, Lima viu hospitais cheios e determinou o fechamento do comércio para conter o alastramento do vírus. Acuado por protestos fomentados por políticos bolsonaristas, o governador desistiu e mandou reabrir as lojas.
Os dez meses de pandemia deixaram um rastro de vilania e delinquência. Não é difícil colher provas para responsabilizar os protagonistas do morticínio. Autoridades incapazes de providenciar itens essenciais e uma política eficiente para salvar vidas são partes de um capítulo importante desse processo.
Meses antes da falta de oxigênio em Manaus, Jair Bolsonaro dizia que seu governo havia repassado verba para os estados e que "ninguém faleceu" no país "por falta de UTI ou respirador". Era 2 de junho de 2020, e os hospitais estavam lotados em muitas cidades. Naquele dia, foram registrados 1.262 óbitos.
Bolsonaro e coautores nada fizeram para evitar essas mortes. Ao contrário, empurraram os brasileiros para uma roleta-russa: estimularam aglomerações, negaram ao país um plano célere de vacinação e ofereceram, no lugar de cuidados sérios, um coquetel de medicamentos ineficazes, sob o rótulo enganoso de "tratamento precoce".
De passagem por Manaus nesta semana, o ministro da Saúde reforçou a oferta de cloroquina, reconheceu a falta de oxigênio na cidade e disse que a única solução era esperar um novo carregamento. Eduardo Pazuello deu de ombros (literalmente) e declarou: "Não tem o que fazer".
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Com 200 mil mortos, governo quer desinformar sem ser incomodado
Na condução delinquente do país durante a pandemia, Bolsonaro mentiu e deu dados falsos à população
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Bolsonaro emporcalha a Presidência até durante as férias
Bruno Boghossian
Provocações hediondas e exaltação da tortura são incompatíveis com o exercício da política
Jair Bolsonaro já era um político indigno do cargo que ocupava em 1999, quando dava entrevistas para defender atrocidades como assassinatos políticos e agressões a prisioneiros. "Eu sou favorável à tortura, tu sabe disso", declarou o então deputado ao programa Câmera Aberta, da TV Bandeirantes.
A propaganda continuou nas duas décadas seguintes. O parlamentar ganhava projeção ao glorificar o regime militar e recomendar a execução de rivais. "O erro da ditadura foi torturar e não matar", repetiu, dois anos antes de ser eleito presidente.
O país escolheu um apologista da tortura para comandar o Palácio do Planalto. Depois de fazer fama com aquelas declarações, ele passou a emporcalhar a Presidência da República com um repertório atualizado de barbaridades –até durante as férias.
Antes de embarcar para o Guarujá (SP), na segunda (28), Bolsonaro lançou dúvidas sobre a tortura que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu na ditadura. "Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela", disse. "Não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-X."
Além de repugnante, a ofensa é covarde e desprovida de lógica. Bolsonaro costuma tratar torturadores como exemplos de heroísmo e explora a selvageria praticada nos porões como arma política. Em 2016, ele mesmo citou o chefe do DOI-Codi como "o pavor de Dilma Rousseff"; agora, debocha dos atos que exaltou.
Não é preciso dizer que o presidente tem o direito de discordar de seus opositores em quase tudo. As provocações hediondas que ele escolhe fazer para alimentar esses confrontos, no entanto, só reforçam que seu comportamento é incompatível com o exercício da política.
Essa é a essência de Bolsonaro. No início de maio, enquanto trabalhava em período integral para atrapalhar os esforços de contenção da pandemia do coronavírus, o presidente ainda abriu um espaço na agenda para receber o Major Curió, símbolo da repressão da ditadura. O Planalto divulgou o encontro e chamou o militar reformado de herói.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Diplomacia da extrema direita aproxima o país de prejuízos reais
Para ex-embaixador, política externa funciona à base de 'alucinações, fantasias e teorias conspiratórias'
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Política de contenção de danos não é suficiente para frear Bolsonaro
Ninguém teve coragem de usar a ferramenta mais eficaz: o impeachment de um presidente irresponsável
Na terceira semana de trabalho sob o governo Jair Bolsonaro, em fevereiro de 2019, a Câmara impôs ao presidente uma derrota vergonhosa. Mais de 350 deputados atropelaram o Palácio do Planalto e aprovaram a derrubada de um decreto criado para limitar a transparência de documentos públicos.
Bolsonaro recuou e revogou a norma dias depois, para fugir de um novo revés na votação do Senado. A decisão foi celebrada como um sinal de que os Poderes se levantariam contra os abusos do novo governo. Num canto qualquer de Brasília, alguém disse que as instituições estavam funcionando normalmente.
Passados 21 meses, a política brasileira continua presa a um esforço contínuo de contenção de danos. O presidente causa prejuízos ao país e comete seguidos crimes de responsabilidade, enquanto o Congresso e o Supremo se limitam a limpar uma pequena parte da bagunça.
O exemplo mais recente é a reação covarde à campanha explícita de Bolsonaro para sabotar a vacinação conta o coronavírus. O presidente do STF prometeu resolver a questão nos tribunais, outro ministro cobrou informações das autoridades, e secretários estaduais se mobilizaram para garantir a imunização.
A tentativa de consertar estragos ainda é necessária, mas o trabalho é sempre feito à espera da próxima atitude de Bolsonaro que pode custar vidas –sem medo de punições.
O Congresso e o STF já barraram a liberação desenfreada de armas de fogo, o avanço sobre a demarcação de terras indígenas, os atos golpistas do presidente e a instalação de um amigo na chefia da PF para blindar seu grupo político. Ainda assim, Bolsonaro não desistiu desses planos.
A arquitetura institucional até ajuda a amortecer alguns atos destrutivos. Bolsonaro precisaria de aval do Congresso, por exemplo, para meter o país numa guerra humilhante contra os EUA. Até agora, porém, ninguém teve coragem de usar a ferramenta de contenção de danos mais eficaz da política: o impeachment de um presidente irresponsável.
domingo, 27 de setembro de 2020
Golpismo pré-datado vira moda
Trump e Bolsonaro dinamitam credibilidade de eleições para tentar preservar poder
Há 203 dias, Jair Bolsonaro afirmou guardar provas de fraude na eleição de 2018. O presidente disse que tinha em suas mãos evidências de que deveria ter vencido a disputa no primeiro turno e anunciou que apresentaria esse material “brevemente”. É claro que nada apareceu, mas ele conseguiu o que queria.
Bolsonaro trabalha, no longo prazo, para dinamitar a credibilidade do sistema de votação no país. A ideia é cultivar dúvidas entre seus apoiadores, reforçar a imagem de um ambiente político manipulado e preparar terreno para contestar derrotas que sofre dentro das regras do jogo.
Ele deu uma pista desse caminho ainda na campanha presidencial. A dias do primeiro turno, Bolsonaro levantou suspeitas de fraude sem comprovação e disse que não aceitaria um resultado diferente de sua vitória nas urnas. “Isso é um ponto de vista fechado”, declarou.
Esse golpismo pré-datado se tornou marca de certos políticos populistas. Na corrida presidencial de 2016, Donald Trump falava de uma “fraude eleitoral em larga escala” para favorecer sua rival, Hillary Clinton. O republicano venceu a disputa. A semente, porém, estava plantada.
Trump governou como vítima das instituições democráticas. Agora, atrás de Joe Biden nas pesquisas, ele estendeu o tapetão: questionou a lisura do processo eleitoral e disse que, se as urnas não derem a ele um novo mandato, levará o resultado à Suprema Corte —onde os juízes conservadores são maioria.
Sem provas concretas de fraude em quantidade suficiente para mudar o resultado da eleição, Trump faz uma ameaça explícita de golpe de Estado. Ninguém deve ficar surpreso se Bolsonaro seguir o mesmo caminho em 2022, depois de alguns anos de experiência no ramo.
No tapetão populista, a vontade popular não conta, e nem mesmo é preciso haver fraude de verdade. Basta fragilizar o principal instrumento da democracia para agitar eleitores e milícias dispostas a apoiar uma manobra fora da lei. A democracia, afinal, é um mero detalhe.
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Jair Bolsonaro anda fazendo bico como animador de tragédias
Presidente joga confete nas queimadas do Pantanal e distorce história da pandemia
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Após sabotar luta contra coronavírus, presidente dá palanque a marginais antivacinas
Bruno Boghossian
Bolsonaro finge gostar de liberdade para satisfazer interesses políticos
Depois de sabotar quase todos as ferramentas conhecidas para conter a propagação do coronavírus, Jair Bolsonaro resolveu se antecipar. Enquanto cientistas trabalham nos laboratórios, o presidente disse a apoiadores que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina".
Não há discussão em curso sobre os métodos dessa imunização, mas Bolsonaro já fez questão de jogar holofotes sobre grupos marginais que fazem propaganda contra a vacinação. O Planalto ainda deu uma força à campanha e transformou a frase do presidente em pôster nas redes, dizendo que o governo "preza pelas liberdades dos brasileiros".
Bolsonaro, como se sabe, é um político que vê a ditadura como modelo. Considera heróis os homens que torturavam militantes para forçá-los a delatar seus companheiros, mas gosta de falar de uma tal liberdade para pintar com cores altivas algumas de suas delinquências.
Em sua cruzada contra governadores e prefeitos, ele dizia que as medidas de distanciamento para enfrentar a pandemia eram autoritárias. "Não quero mais ditadura no Brasil. Quero liberdade. Cadê o meu direito de ir e vir?", perguntou, em maio.
O presidente ainda tentou vetar o uso compulsório de máscaras no comércio, em escolas e nas igrejas. O governo alegou que a obrigatoriedade provocaria uma "possível violação de domicílio", embora a lei aprovada não falasse sobre residências.
Um conceito distorcido de liberdade é explorado por Bolsonaro para satisfazer seus interesses políticos. Pela manhã, ele usa esse argumento ao defender extremistas que clamam por um golpe. À tarde, esquece o assunto e gira sua máquina para processar e intimidar jornalistas.
Bolsonaro não aceita forçar o cidadão a proteger a sociedade do coronavírus, mas quer obrigar a mulher vítima de estupro a passar por um processo humilhante se quiser exercer seu direito de abortar. A portaria do Ministério da Saúde que cria obstáculos nesses casos só serve para dificultar o cumprimento da lei. A liberdade ficou pelo caminho.
Bruno Boghossian
Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA)
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Olavistas usam embate com Gilmar para convencer Bolsonaro a retomar guerra institucional
Bruno Boghossian
terça-feira, 7 de julho de 2020
Bolsonaro se lança como exemplo vivo de campanha de negação da pandemia
Presimente transforma diagnóstico de coronavírus em espetáculo político
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Miliciano não toma medidas de emergência e fabrica uma guerra
Bolsonaro fabrica uma guerra
Por desinteresse ou incompetência, presidente não toma medidas de emergência e fabrica uma guerraBruno Boghossian
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Moro acobertou crimes de Bolsonaro
Moro acobertou Bolsonaro
Ex-juiz agiu como advogado do presidente, mas agora fala em tom autoritárioBruno Boghossian
quinta-feira, 23 de abril de 2020
De Blumenau a Manaus, Bolsonaro semeia a morte
De Blumenau a Manaus
Bruno Boghossian
Ataques de Bolsonaro a regras e aperto econômico podem precipitar flexibilização de regras
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Previsões furadas, sem base científica, levam país por caminho desastroso
Bruno Boghossian
domingo, 29 de março de 2020
Bolsonaro está disposto a produzir massacre com sua ignorância
Bruno Boghossian
Presidente não tem evidências ou estudos para justificar reação delirante à crise
quarta-feira, 25 de março de 2020
Ao insistir na economia, Bolsonaro produz cenário catastrófico
Ao insistir na economia e forçar saída abrupta, presidente produz cenário catastrófico
domingo, 1 de março de 2020
Moro age mais como advogado de Bolsonaro do que como ministro da Justiça
Ações de Moro em defesa de Bolsonaro cumprem função política
Declarações e inquéritos pedidos por ministro são tentativas de constranger críticosBruno Boghossian
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Defeitos de fabricação do governo Bolsonaro são cada vez mais evidentes
Bruno Boghossian
A falta de planejamento, comunicação e articulação já foi vendida como item de série.



















