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segunda-feira, 29 de março de 2021

Milico da Defesa também sai do "governo"


É cedo para dizer, mas a saída do ministro da Defesa de Bolsonaro tem toda a pinta de ser um ponto de inflexão para os militares. Quem mexe com arma e com o uso da força sabe que não dá para ter motim armado, insubordinação e crise eclodindo pelo país sob aplausos do presidente.

E olha que a saída não deve ter sido amistosa ou fácil para ocorrer no mesmo dia da renúncia de Ernesto e uma semana depois da saída do Pazuello.

Não faz diferença nenhuma se o ministro da Defesa renunciou ou foi demitido. O que importa é que isso pode sinalizar um distanciamento das Forças Armadas, com as quais Bolsonaro insiste em realçar uma união carnal que, de fato, não existe. Esse é o meu palpite.

João Paulo Charleaux

quarta-feira, 13 de março de 2019

Memórias do presidente das milícias


Ao longo de sua carreira política, o presidente Jair Bolsonaro fez pelo menos três discursos elogiosos às milícias e aos grupos de extermínio no Brasil. São discursos explícitos, não são grampos ou inconfidências. Dois deles foram feitos no plenário do Congresso Nacional.

“Tem gente que é favorável à milícia, que é a maneira que eles têm de se ver livres da violência. Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, disse Bolsonaro em 2008.  Câmara dos Deputados

"Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um Parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo ..." continua ...

"... Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu Estado só as pessoas inocentes são dizimadas ..." continua ...

"... Na Bahia, pelas informações que tenho — lógico que são grupos ilegais —, a marginalidade tem decrescido. Meus parabéns!", disse Bolsonaro em 2003. Câmara dos Deputados

"Querem atacar o miliciano, que passou a ser o símbolo da maldade e pior do que os traficantes. Existe miliciano que não tem nada a ver com "gatonet", com venda de gás ..." continua

"... Como ele [miliciano] ganha R$ 850 por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade ..." continua

"... Nada a ver com milícia ou exploração de 'gatonet', venda de gás ou transporte alternativo. Então, sr. Presidente, não podemos generalizar", disse Bolsonaro também em 2008. Câmara dos Deputados

sábado, 1 de dezembro de 2018

China manda recado ao Vira-lata eleito

A China mandou um recado cifrado a Bolsonaro. Em anúncio pago de página inteira na Folha de hoje, a agência de notícias estatal Xinhua traz uma entrevista com um professor chamado Severino Cabral. Ele parece dizer que a China quer dizer.

“Apesar de Bolsonaro ter feito declarações controversas durante a campanha, as ações dele durante a Presidência tendem a ser mais prudentes”, diz a Xinhua, atribuindo a ideia a Cabral. 

“O professor [Cabral] acredita que as relações do Brasil com a China são sólidas e que nenhum governo gostaria de afetá-las”, diz ainda a agência estatal chinesa, cifrando.

Cabral é apresentado como membro do Instituto Brasileiro de Estudos da China e Ásia-Pacífico, que tem uma página do Wordpress, sem endereço e sem telefone.  O "quem somos" diz: "Pretende ser um ponto da rede multicultural de pesquisadores associados."

Desculpa. Mais uma info: metade do anúncio de página inteira da agência estatal chinesa Xinhua na Folha de hoje é dedicado à defesa do multilateralismo. O título deixa o recado claro: "China defende o multilateralismo". O chanceler brasileiro associa multilateralismo a marxismo.

Desculpa. Não consigo parar. "Mourão mostrou visões mais pragmáticas em entrevista recém-publicada. Ele disse que o governo Bolsonaro não pretende causar nenhum conflito com a China", diz o material. Acho que acabei.