Mostrando postagens com marcador Matheus Pichonelli. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matheus Pichonelli. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Jair Bolsonaro é um criminoso e um farsante


Bolsonaro montou a trincheira. E acaba de lançar uma granada contra o Congresso

Matheus Pichonelli

Jair Bolsonaro foi eleito presidente com quase 60 milhões de votos e muitas promessas a não serem cumpridas.

Quem observa seus passos para além do fanatismo já percebeu que não passava de um boneco inflável o mito do herói patriota que surgiu dos céus para estabelecer a ordem e a justiça em uma Gotham City tomada por larápios e aproveitadores.

A agulha do boneco veio do próprio palheiro onde essa conversa começou. Sua eleição não fez o dólar cair por força gravitacional; a empolgação do empresariado já se contenta com o Pibinho; o patriotismo vendido na eleição era uma continência para a bandeira americana e réplicas da Estátua da Liberdade em lojas de departamento; a mamata virou assunto de família e dos amigos da família; a competência de parte da equipe virou um festival de tagarelices e ataques à língua portuguesa; órgãos de investigação e controle passaram a ser alvo de todo tipo de investida; as relações com amigos suspeitos instalados no gabinete dos filhos ficaram escancaradas; o pouco caso com o meio ambiente gerou reprimendas mundo afora; e, no coração do governo implacável contra bandidos e corruptores, precisou um governo estrangeiro, o da Espanha, perceber que havia 39kg de cocaína em um avião oficial que acompanharia a comitiva do presidente eleito para mudar tudo isso que está aí.

Ainda assim, o núcleo duro de seus apoiadores segue convicto de que o Brasil só não virou uma potência econômica e moral porque forças ocultas e nem tão ocultas impedem seu mito de detonar a bomba da disrupção.

Um de seus filhos já alimentou a lenda dizendo que pelas vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos. Outro sugeriu um novo AI-5 para lidar com eventuais descontentamentos populares. Foi seguido pelo ministro da Economia que não gosta de ver empregada doméstica em aeroporto.

O pai presidente, toda vez que confrontado com a realidade, investe nessa mesma narrativa, ora em forma de leão atacado por hienas, ora repassando correntes dizendo que o Brasil é “ingovernável” fora dos “conchavos políticos”.

Tem quem acredite que o bolsonarismo seja apenas uma ilha de boa-fé cercada de corrupção por todos os lados, e que esta ilha está sendo sufocada pelo boicote dos inimigos.

O alvo da artilharia, que já mirou representantes do Supremo Tribunal Federal, agora é o Congresso. Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre dão nome e sobrenome à ameaça.

É contra eles que grupos de extrema-direita, fiéis à tese de que Bolsonaro precisa se livrar das correntes para nos salvar, vão às ruas no próximo dia 15, como se atendessem a uma convocação do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, que recentemente pediu um “basta” a uma suposta chantagem patrocinada do chamado “parlamentarismo branco” contra o governo.

Ninguém dizia isso quando, diante da inação do governo, Maia e Alcolumbre arregaçaram as mangas para aprovar a reforma da Previdência -- vendida como a receita mágica do crescimento nacional.

Faz sentido que Heleno veja chantagem agora na negociação com representantes do Parlamento eleitos pelas mesmas urnas que sufragaram seu presidente. Na política, ele acaba de descobrir que, em uma República Federativa, deputados e senadores não são subordinados que se alinham em continência quando um superior dá as ordens.

A questão é que Bolsonaro se cercou de militares como Heleno antes de declarar a guerra em duas frentes. Primeiro, quando jogou a revolta de motoristas e caminhoneiros no colo de governadores resistentes a abrir mão de recolher impostos dos combustíveis; depois, quando compartilhou, na terça-feira de Carnaval, a convocação do ato contra o Congresso.

O ato mostrou que o governo não acompanhava a movimentação em silêncio, como se supunha. A granada foi lançada enquanto o presidente reforçava as trincheiras e observava, aparentemente de longe, a força dos motins protagonizados por policiais em estados governados por adversários (hoje, quase todos). Enquanto era malhado nas fantasias, escolas de samba e blocos de carnaval, ele circulava pelas ruas do Guarujá oferecendo selfies em troca da imagem de um presidente afável e amado pelos súditos -- em oposição aos engravatados de gabinete.

Antes do ataque, Bolsonaro recrutou pesos-pesados da Marinha e do Exército para seu barco. Sendo assim, passou a ser deles também a briga pelo controle do Orçamento. Sem base no Congresso, espatifada após a implosão do PSL que o elegeu, Bolsonaro viu deputados e senadores aprovarem uma medida que lhes permite gerir R$ 30 bilhões de um total de R$ 80 bilhões do Orçamento -- uma forma, diga-se, de transformar em “cá” o que o próprio presidente chama de toma-lá-dá-cá.

Isso equivale a dizer que os ministros de Bolsonaro terão de trabalhar mais com menos. (Em tempo: segundo a coluna Painel, da “Folha de S.Paulo”, o Ministério da Educação tem entre suas prioridades para 2020 ampliar, mobiliar, reestruturar e ampliar o número de vagas para as instituições militares de ensino superior. Para isso, precisará de emendas dos parlamentares.

Como negociar neste clima? Com um cabo e um soldado?)

Desde os primeiros atos pelo impeachment era possível ver, em meio a faixas e bandeiras contra a corrupção, manifestações de desejos de servidão voluntária com pedidos de intervenção militar e fechamento das instituições democráticas, entre eles grupos de mídia hoje hostilizados pelas hordas bolsonaristas. Eram observados apenas como efeito colateral de um movimento mais amplo -- e nobre.

Hoje esses movimentos estão no centro do teste que pode dar a sensação de aval para o presidente descarregar o resto das granadas até conseguir fazer o que bem quiser sem pedir aval para ninguém. 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Para quem achava que existia outro Bolsonaro, a aposta saiu cara demais


Escondido e minimizado na eleição, lado "real" de Bolsonaro ressurge com força
Pra quem achava que o candidato era só um cara engraçadão que não falava sério e iria se comportar como gente grande quando vestisse a faixa, a aposta saiu cara demais
Matheus Pichonelli

“Faz muito tempo”, “ele não pensa mais assim” e “não é de coração” foram, provavelmente, as frases mais repetidas pelos brasileiros entre setembro e novembro de 2018.

Naquele momento, a conversa começava a se desenhar em gráficos de pesquisas eleitorais que indicavam a vitória, nas urnas, de um dos mais perversos personagens já paridos pela política nacional.

Em tempos de avalanche de informação e desencanto com o mundo real, que catapultou e produziu também desinformações em velocidade inédita pelas redes, essa perversidade passou a ser interpretada como coragem para enfrentar problemas sobre os quais Jair Bolsonaro jamais se debruçou com seriedade em três décadas de carreira política, sobretudo a questão da segurança pública.

Às vésperas da posse, um motorista de Uber me justificava o voto com uma grande esperança: “o velho Bolsonaro era um personagem pra chamar a atenção. Pode anotar aí: assim que ele assumir, vai ser outra pessoa. Vai se comportar como presidente e parar de graça”.

A fala era recorrente. Do meu circulo de relacionamento, muita gente dizia votar no capitão APESAR de seu histórico até então classificado como “polêmico”, e não POR CAUSA desse histórico.

Não que não houvesse, como há, entusiastas da versão mais furiosa do personagem. Em um país mediado por exclusões e preconceitos, era clara a identificação de certos grupos com o discurso bolsonarista, como a defesa do armamento da população e o desprezo, mal disfarçado, sobre feministas, movimentos negros, população LGBT e quem quer que discordasse de sua visão torta da realidade, automaticamente associada ao lado de lá da cortina de ferro derrubada em 1989.

Mas só o apoio desse grupo não era suficiente para ganhar a eleição. Era preciso convencer os eleitores de centro - avessos, cansados ou empobrecidos pela crise econômica iniciada no governo Dilma - de que a projeção do poder traria também noções básicas de respeito ao cargo que aquele candidato “polêmico” ocuparia em breve. Isso exigiria uma capacidade de convívio com o contraditório e um espírito republicano que ele jamais havia demonstrado na vida púbica. Não custava torcer, diziam os esperançosos.

Já de olho nas eleições, uma das últimas aparições do Bolsonaro-raiz aconteceu em 2017, quando discursou no clube Hebraica, no Rio de Janeiro. Entre outras pérolas, o então deputado disse que o Brasil não poderia “abrir as portas para todo mundo” e questionou: “Alguém já viu algum japonês pedindo esmola? É uma raça que tem vergonha na cara!”.

No auge da campanha, quando as chances de vitória eram palpáveis, entrou em cena um candidato mais discreto e avesso à verborragia. Que não só evitava divididas como censurava o candidato a vice, general Mourão, quando entrava em temas polêmicos.

O atentado a faca, em Juiz de Fora, no auge da campanha, deu a Bolsonaro uma trégua na demonização desenhada por adversários (Geraldo Alckmin, do PSDB, puxava a fila) e o impediu de participar de debates. Em um deles, pré-atentado, ele havia tomado uma lambada de Marina Silva (Rede) ao se meter num assunto que diz conhecer: religião.

O fato é que, durante boa parte da eleição, o Bolsonaro real ficou de escanteio, por oportunismo ou pelas condições atípicas da disputa.

De alguma forma, ele parecia ser o postulante adequado para a disrupção exigida pelos eleitores por supostamente ser diferente de todos - essa distância, na verdade, era só a desfaçatez de quem desancava, para delírio da plateia, a classe política da qual fazia parte havia três décadas.

Eleito, recuperado, confiante e com moral após da reforma da Previdência, uma das poucas condições impostas pelos investidores em seu apoio, Bolsonaro voltou a se comportar, dez meses depois, como o deputado do baixo clero que profere barbaridades como quem faz piada e velório. Virou o que boa parte dos eleitores temia ou se negava a temer: um touro na loja de cristais.

Na última semana, ele engatou um sprint e produziu barbaridades que sequer os mais notáveis opositores tiveram tempo de assimilar, reproduzir, comentar.

Em poucas horas, ele se referiu aos governadores do Nordeste como “paraíbas” e declarou que “o pior deles” era Flávio Dino, do Maranhão. (Depois tentou se justificar, mas o remendo, com outra grosseria sobre a repórter que lhe questionara, saiu pior que o estrago: “Pelo amor de Deus, né. Se eu te chamar de feia agora, acabou o mundo. Todas as mulheres vão estar contra mim”).

Ele disse que era uma piada dizer que alguém passa fome no Brasil, defendeu o fim da multa de 40% sobre FGTS em caso de demissão do trabalhador sem justa causa, mas negou que haja um projeto, somente um estudo, sobre o assunto.

Também disse que quer beneficiar o filho, sim, ao comentar a chance de nomear Eduardo Bolsonaro embaixador nos EUA, agrediu gratuitamente os produtores do filme “Bruna Surfistinha” e flertou com a censura ao dizer que se a agência nacional de cinema não puder ter filtro, será extinta ou privatizada.

Como se fosse pouco, ele decidiu caluniar uma das mais respeitadas jornalistas do país, inventando a história de que Miriam Leitão queria aderir à guerrilha do Araguaia para implantar uma ditadura esquerdista no Brasil, e ouviu um sermão da TV Globo em rede nacional.

Por fim, contestou dados de desmatamento registrados pelo Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que estaria “a serviço de algumas ONGs”.

As respostas do presidente do instituto, Ricardo Magnus Osório Galvão, são dignas de quem tem alguma visão aérea sobre a devastação mental por que passa o Brasil: "Ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade ele faz em duas partes. Na primeira, ele me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do Inpe não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados".

“Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso.”

Para Galvão, Bolsonaro tem tido um comportamento típico de um garoto de 14 anos demonstra não respeitar “a dignidade e liturgia da Presidência”.

A análise é compartilhada pelos eleitores ouvidos pelo Datafolha no começo do mês. Apenas 22% acreditam que Bolsonaro age como um presidente deveria se comportar. Um em cada quatro entrevistados dizem o contrário.

Mais: para 4 em cada 10 brasileiros, ele não fez nada de muito positivo ou que mereça destaque em seus seis meses de governo.

Querendo ou não, o presidente do Inpe vocacionou o que os institutos de pesquisa começam a apontar - e explicou as razões. Em poucas palavras, Bolsonaro foi chamado de ignorante, covarde e pusilânime por um servidor que se tornou alvo de sua verborragia – tudo isso poucos dias antes de vazar a conversa de procuradores da Lava Jato sobre como ficaria o discurso anticorrupção de Sergio Moro após a descoberta de que esse discurso poderia acertar o filho do chefe e o próprio chefe.

Como resumiu o jornalista Leandro Beguoci, em sua conta no Twitter, Bolsonaro não quer presidir o Brasil. Ele quer presidir uma versão que ele criou do país. “Nesta versão, não tem fome, nepotismo é liberado, floresta é pra cortar e os maiores problemas nacionais são as propagandas do BB, o filme da Bruna Surfistinha e a tomada.”

A realidade paralela de Bolsonaro é parte do pacote da versão real do presidente que, escondida nas eleições, agora não vem a público mostrar que é o que sempre foi.

terça-feira, 4 de junho de 2019

O curioso caso do patriota que detesta o Brasil


O curioso caso do patriota que não gosta de moradores de outros estados, de índios, de carnaval, de samba, de MPB, de cinema brasileiro, da Amazônia - de tudo, enfim, que existe e resiste no Brasil.
De uns anos pra cá, o Brasil viu surgir um sujeito curioso: o patriota que não gosta do Brasil.


Você deve conhecer alguns.

Se não conhece, já esbarrou com algum tipo de manifestação, seja no grupo de WhatsApp, seja na sacada da área gourmet, onde, de vez em quando, geralmente aos domingos, ele estende a bandeira nacional e passa a tarde cantando que é brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.

Aquela bandeira é quase uma risca de giz; de lá para trás, você sabe exatamente como ele pensa, como vota, o que detesta.

É como se todo mundo que estivesse do lado de cá do círculo não gostasse do próprio país. Pior: é como se não fizesse parte do mesmo país. Pior do que pior: é como se aquela bandeira separasse o joio do trigo, os bons dos maus brasileiros, quem tem e quem não tem caráter, quem ajudaria uma senhora a atravessar a rua e quem aproveitaria a situação para surrupiar-lhe a carteira.

Bem, quem me conhece de alguma forma, mesmo que por aqui, imagina que eu não tenha estendido a bandeira nem saído às ruas com a camisa da CBF no dia 26 de maio, quando milhares de pessoas decidiram se manifestar a favor de tudo isso que está aí.

Por que você não gosta do Brasil?, me pergunta o seu Jair, vizinho das antigas, entusiasta da tal da marcha em apoio ao xará presidente, e que esfrega, de quando em quando, uma grande bandeira do Brasil na minha cara.

Pelo contrário, costumo dizer ao seu Jair.

Na brincadeira, como bons vizinhos costumam fazer, digo que gosto do Brasil, do Chile, da Argentina, do País de Gales. Digo também que quem não gosta do Brasil é ele. Quer ver?

O seu Jair, para começo de conversa, não gosta de Carnaval, nossa maior festa popular. Para ele serpentina e golden shower é tudo glitter do mesmo saco.

Para ele, qualquer batuque ritmado é "macumba", e toda "macumba" precisa ser chutada.

O seu Jair, apesar da camisa da CBF, detesta a seleção nacional ("um bando de vagabundo mercenário"). A masculina, porque da feminina ele quer nem ouvir falar.

O seu Jair também não gosta de MPB. Detesta o Chico Buarque, nosso último Prêmio Camões, a quem chama de comunista e analfabeto (sim, o Chico Buarque E o Camões).

Ele também não gosta de — na verdade, não suporta — filme nacional. Acha tudo uma pouca-vergonha. As cenas, os sotaques, os artistas. Para ele, são todos mamadores oficiais das tetas do país: não produzem, não geram renda, não trazem qualquer benefícios se não a vergonha. Não, o seu Jair não ficará até o fim da sessão de "Bacurau", filme de Kleber Mendonça Filho, que venceu o Prêmio do Júri em Cannes, para saber que a produção, rodada no sertão de Seridó, entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba, gerou 800 empregos. Cinema, para ele, só vale se tiver xerife armado e carro capotando.

Não é só questão de gostar ou não desse ou daquele filme ou som; para ele, tudo o que ele não gosta precisa acabar.

Ah, sim, o seu Jair não gosta das universidades brasileiras. Detesta o patrono da educação nacional e não gosta de saber que seu dinheiro sustenta balbúrdias como pesquisa que podem curar a malária, que podem prever ou minimizar impactos de barragens mal planejadas, como a de Brumadinho, e que podem de alguma forma orientar o conhecimento para entender a relação entre trabalho alienante e saúde mental.

A birra com as universidades, dizem os vizinhos, tem uma explicação:  o seu Jair tem uma dificuldade imensa em compreender a diferença entre projetos coletivos e anseios individuais. Se não serve pra ele, tudo bem jogar fora –inclusive as pesquisas e as vagas nas universidades que os filhos não acessaram.

O seu Jair, que ama o Brasil, à boca pequena manifesta desejos separatistas. Está convencido de que seu estado, se "não carregasse nas costas as outras unidades da federação", seria uma potência econômica, militar e cultural como a Suíça, para onde alguns de seus ídolos costumam enviar uns malotes de tempos em tempos.

O seu Jair tem um estoque de piadas contra todo tipo de migrante e imigrante que ajudou a construir o seu país.

É uma espécie de anti-Policarpo Quaresma, o patriota-raiz de Lima Barreto que "estudou a Pátria nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política; que sabia as espécies de minerais, vegetais e animais que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios; que defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo". E "ai de quem citasse o Nilo na sua frente!".

Para o seu Jair, o Lima Barreto também é comunista. Ele acredita que a Amazônia está fazendo hora, que os índios precisam largar mão de vagabundagem e começar a cortar cana; que é melhor transformar a floresta em um grande estacionamento e trazer a Disney pra cá, porque os americanos, sim, sabem administrar suas áreas de lazer, sabem produzir filmes sem doutrinação, sabem fazer música sem mensagem cifrada, sabem fazer qualquer coisa em nome da pátria e da bandeira, inclusive a guerra.

O seu Jair é tudo, menos um caso raro.