O país corre na direção do desastre total. Não são só as consequências de longo, médio e não-tão-médio prazo das "reformas". É o hoje, o agora.
Bolsonaro afirma que o governo vai parar por "falta de dinheiro" no mesmo dia em que Weintraub admite candidamente que o dinheiro do MEC foi desviado para comprar os votos necessários à aprovação do fim da previdência social na Câmara dos Deputados.
E isso é aceito como normal.
Assim como é aceito como normal que a economia esteja do jeito que está, com desemprego elevado, recessão sem perspectiva de saída, queda do poder aquisitivo, aumento da desigualdade e da miséria. Em nenhum país do mundo Paulo Guedes permaneceria à frente do ministério, com os resultados calamitosos que sua gestão vem apresentando. Nem mesmo no Brasil de pouco tempo atrás.
Mas o Brasil de hoje é diferente. O presidente da República se dedica a ofender grupos de cidadãos e países estrangeiros, a difundir mentiras e sandices, a transgredir a lei e a bater no peito afirmando "quem manda sou eu". O Estado brasileiro tornou-se o quintal da casa dele. Não existe Constituição, não existe separação de poderes, não existe controle.
Bolsonaro cercou-se de gente que combina com ele - em geral, típicos valentões de pátio de escola, prepotentes com os mais fracos, covardes diante dos fortes.
Os ministros da Justiça e do Meio Ambiente estão implicados por revelações de comportamento indiscutivelmente criminoso, mas continuam firmes em seus cargos. Como se isso fosse normal. É esse o Brasil de 2019,
Nepotismo, banditismo, incompetência, irresponsabilidade, má fé: tudo é escancarado. Não há uma única área da administração federal que não esteja contaminada. O governo é pior que nossos piores pesadelos - e olha que nossos piores pesadelos vieram quando Bolsonaro se elegeu.
O Exército e o Judiciário, ambos dominados por uma casta arrivista, entreguista e autoritária, são os fiadores da catástrofe. Desde o princípio, quando abriram caminho para o golpe e sua radicalização, a eleição ilegítima do ano passado.
Se esse processo não for parado agora, amanhã teremos que recomeçar o Brasil a partir de escombros.
Não somos só nós, os derrotados de sempre dos últimos anos - a classe trabalhadora, as pessoas pobres, as mulheres, a população negra, os povos indígenas, a comunidade LGBT, as periferias, intelectuais e artistas, estudantes e docentes, o funcionalismo. Está ameaçada a sobrevivência imediata também de setores que até agora, por insistente obtusidade, achavam que estariam relativamente a salvo: as classes médias, o empresariado, os profissionais liberais, as forças armadas, a elite política, a magistratura.
É mais do que "o retrocesso". É a destruição do país.
Se não acordamos agora, será tarde demais.

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