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| Hequel da Cunha Osório |
Gilson Caroni Filho
O sujeito que aparece arrancando cruzes na praia de Copacabana não é uma aberração recente. Os que invadiram um hospital e destruíram computadores também não são. Sempre estiveram aqui. Era o vizinho cordato, o sujeito que jogava altinho na praia, a moça sorridente que cruzava com você na calçada, o taxista camarada que falava sobre futebol e muitos outros.Em comum, todos eram racistas, dotados de um anti-intelectualismo feroz, defensores de uma ordem social excludente, homofóbicos e intolerantes. Mas não viam condições objetivas para tornar manifesto o que sempre foi latente.
Até que vieram as passeatas " contra a corrupção". E a grande mídia viu ali a chance de arquitetar o golpe. Lembram? Os repórteres repetiam as palavras de ordem dos manifestantes, a cobertura era ampla, generosa e ainda anunciava os pontos de concentração. Tudo parecia seguir a contento, mas a besta se autonomizou. Se odiava petistas, também não apreciava a racionalidade neoliberal do tucanato. Sentiam-se igualmente alijados da narrativa. Empoderados pelo discurso do ódio, se encantaram com alguém como eles. Uma figura sem apreço à razão, desprovido de empatia, sem qualquer noção republicana e de linguajar sujo e agressivo.
Foi quando a Globo, outrora aliada, virou comunista. Aliás, na simplificação comum aos movimentos totalitários, tudo que se lhes opõe é comunista. Globo, Dória, PSDB, STF, Congresso, OMS e, claro, a própria ciência.
Tenho defendido uma aliança tática contra o fascismo, mas isso está bem longe de esquecer quem pariu Mateus. E muito menos perdoar quem o embalou.
Nunca foi contra a corrupção.

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