Entre os outros da turma, os casados ainda não tinham enfrentado cobrança parecida em casa e os solteiros só deram risada do problema dos casados com suas mulheres
A primeira a reclamar foi a mulher do Tito. O Tito estava saindo de casa e a mulher barrou o seu caminho.
– Espera lá, Tito.
– Que foi?
– Onde você vai?
– Como, onde eu vou?
– Todas as quintas-feiras, depois do jantar. Você acha que eu não noto? Que eu sou uma pateta? Uma idiota? Todas as quintas-feiras, na mesma hora, você sai de casa. Onde você vai?
– Marilene...
– Não, eu quero saber. É outra mulher, é? Outra família? Aposto que você tem outra família. A família das quintas.
– Marilene...
– Não, pior! Você sai e volta com o cabelo molhado. Volta com o banhinho tomado, no motel. Aposto que depois do banho a outra passa talquinho.
– Você está me fazendo uma grande injustiça, Marilene.
– Injustiça?!
– Eu não posso dizer onde eu vou.
– Não pode por quê?!
– Um dia você vai saber por quê. E vai saber como foi injusta.
– É alguma coisa secreta?
– É, Marilene. E não posso dizer mais nada.
Depois, no encontro com a turma, Tito contou da desconfiança da mulher. Entre os outros da turma, os casados ainda não tinham enfrentado cobrança parecida em casa e os solteiros só deram risada do problema dos casados com suas mulheres. E todos foram tratar do que os reunia nas noites de quinta-feira, a propina para o dono da cancha de futebol sete deixar usarem a cancha, incluindo a iluminação, o cuidado para que ninguém – nem as mulheres – ficasse sabendo do seu jogo clandestino, que desafiava as medidas de combate ao coronavírus impostas pelas autoridades, e o uso dos chuveiros depois dos jogos.
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