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sexta-feira, 29 de maio de 2020

Supremo tem o direito de errar por último



Democracia é o regime dos erros sucessivos
Faz bem o Supremo Tribunal Federal em impor limites a Jair Bolsonaro e a seus asseclas. Eles já deram repetidos sinais de que, deixados livres, não se deteriam diante de nada em seu intento de transformar o país em uma monarquia terraplanista.

A trupe bolsonarista tem o estranho dom de desmoralizar tudo de que se aproxima. Em alguns casos, o movimento é voluntário, como se vê nos esforços do grupo para erodir instituições como Legislativo, imprensa e o próprio Judiciário.

Em vários outros, a perversão não é pretendida, mas fruto de incompetência. É disso que foram vítimas a saúde pública, as perspectivas para a economia, que só pioram, e a própria Presidência da República, rebaixada a enredo de filme pastelão na reunião ministerial a que tivemos acesso por decisão do STF.

Institucionalmente, o ideal seria que fossem a PGR ou o Congresso a cortar-lhes as asinhas. Como Aras e Maia se acovardam, só resta mesmo o STF. Daí não decorre que o processo ocorra sem asperezas.

O chamado inquérito das fake news, que atinge em cheio a máquina de propaganda bolsonarista, surgiu como um teratoma, que desafia as melhores práticas do direito e caminha perigosamente perto de criminalizar opiniões. Ainda assim, é um expediente legal e válido. Por quê? Porque o STF diz que é.

De forma um pouco cínica, dá para definir a democracia como o regime dos erros sucessivos. O primeiro a errar são os eleitores, que tendem a escolher desqualificados para governá-los. Em seguida, vêm o Executivo, que invariavelmente faz enormes besteiras, o Legislativo, que só piora as coisas, e, por fim, o Judiciário, detentor da “ultima defaecatio”.

A democracia funciona porque assegura a paz social. E a paz social só é possível quando todos os agentes concordam que a palavra final nas disputas é a do STF. Na democracia, não existe hipótese de desobedecer ao Supremo. É ele que tem o direito de errar por último.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Comportamento do Sinistro da Educação é criminoso


Luis Felipe Miguel

Não se trata apenas de incompetência, burrice ou cegueira ideológica. O comportamento do ministro é criminoso. Trata-se de um projeto de destruição da educação superior brasileira.

Ele diz que vai cortar verba de universidades que fazem "bagunça e evento ridículo", como eventos políticos, manifestações partidárias e festas. Mostra, com a declaração, limitação de vocabulário e desconhecimento do dia a dia universitário, ambos chocantes em alguém que ocupa o cargo que ocupa.

Já foram atingidas a UnB, a UFBA e a UFF.

Instado a definir "bagunça", Weintraub explicou: "Sem-terra dentro do campus, gente pelada dentro do campus".

Sem-terra no campus é a universidade cumprindo seus deveres de inclusão social e diálogo com a sociedade. Gente pelada no campus é um tributo às fantasias do olavismo, que nem Freud explica.

Imagino que intuindo que suas explicações eram bem insatisfatórias, ele improvisou, dizendo que as instituições atingidas, presumivelmente por causa da "bagunça", estavam apresentando desempenho aquém do exigido. Mas não apresentou nenhum dado.

Até porque os dados o contradizem. Cito a matéria do Estadão:

"No entanto, elas se mantêm em destaque em avaliações internacionais. O ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), um dos principais em avaliação do ensino superior, mostra que Unb e UFBA tiveram melhor avaliação na última edição. Na classificação das melhores da América Latina, a Unb passou da 19.ª posição, em 2017, para 16.ª no ano seguinte. A UFBA passou da 71.ª para a 30.ª posição. A UFF manteve o mesmo lugar, em 45.º. Segundo a publicação, as três se destacam pela boa avaliação em ensino e pesquisa. E Unb e UFBA aparecem entre as 400 melhores instituições do mundo em cursos da área da saúde."

O que há, pura e simplesmente, é perseguição ideológica. Não atinge só UnB, UFBA e UFF: é toda a autonomia universitária que está sob mira.