segunda-feira, 10 de junho de 2019

Globo defende seus filhos

Claudio Guedes

Defesa dos filhos & a verdade

O JN fez hoje a defesa dos seus rebentos operadores da Lava-Jato. 

Tinha que fazer, já que a Rede Globo, de certa forma, inventou a criatura e tornou a dupla, e cada um, Moro & Dallagnol, celebridades nacionais.

Mas se esqueceu de duas coisas fundamentais: 
a liberdade de imprensa (não defendeu a publicação da matéria);
e relevou que o esquema denunciado por The Intercep não envolve apenas Lava-Jato x Lula (PT), mas que, na verdade,  o que está no centro do escândalo é o sistema brasileiro de justiça.

O que o JN iniciou hoje é a guerra contra a verdade. O que é sempre complicado, mesmo para a poderosa Rede Globo.

O que eram indícios da relação promíscua, imoral e ilegal entre o juiz de Curitiba e o MPF/PR são hoje provas, uma vez que os personagens admitem que foram "hackeados". Ora, se o foram, os diálogos são reais e portanto desmascaram os comportamentos. 

O JN tentou, com uma ajuda dos envolvidos, que ontem admitiram os diálogos e hoje sugerem, com pouca ênfase,  que podem ser "falsos", levantar uma nuvem sobre as manobras entre juiz e procuradores. 

É a tática de levantar confusão. 

Ou foram "hackeados" ou os diálogos são falsos. Admitir o primeiro fato é negar o segundo, ou William Bonner, Moro e Dallagnol pensam que o país é formado de um bando de imbecis?

De qualquer forma a reação da Globo/JN, Moro & Dallagnol,  é parecida com a de todos que foram "pegos" em flagrante, por grandes denúncias feitas pela imprensa investigativa e competente, aqui e all the world. 

Negar a verdade, fazer confusão. 

Mas, creio, as denúncias são muito consistentes. 

O escândalo atinge os fundamentos da justiça republicana e do estado de direito (The Rule of Law), que são valores de alguns milhares de juízes, procuradores e advogados brasileiros.

Será que a Globo, Moro & Dallagnol conseguirão derrotar o estado de direito no país? 

Farão "pó-de-traque" do STF, da Corregedoria do MPF, do Conselho Nacional de Justiça, da OAB? 

Essa será a batalha que assistiremos nas próximas semanas.

(Quando Watergate estourou, aos pouquinhos, Nixon, o presidente eleito dos EUA, o Partido Republicano no poder, e seus aliados eram extremamente poderosos. No primeiro momento tentaram desacreditar as denúncias, depois fazer confusão, mas ao final a força dos fatos, a verdade apurada de forma competente acabou por derrotá-los, com humilhação).

Os poderosos sempre podem ser derrotados. 
E costumam vender caro a derrota.

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