segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Brasileiros fogem da miséria neoliberal e do horror fascista

Gregório Grisa

Em todo o ano de 2018, 23.149 pessoas comunicaram a Receita Federal que estavam deixando o país, um recorde. Até julho desse ano, 21.873 o fizeram, 94% do total de 2018. Falamos, em geral, de famílias cujos pais têm formação superior e os filhos estão em idade escolar.
Mudança de 21,8 mil brasileiros para o exterior até julho supera quase toda a saída em 2018

Flávia Ayer - EM

Os brasileiros estão indo de mala e cuia para o exterior. Dispara o número de declarações de saída definitiva do país entregues à Receita Federal, indicando o aumento da expatriação. Nos primeiros sete meses do ano, documentos registrados na instituição somavam 94% do total de declarações registradas em todo o ano passado, que já havia sido recorde, com 23.149 comunicados. Neste ano, a expectativa é de que essa quantidade seja superada, pois até 28 de julho haviam sido apresentados 21.873 documentos.

A onda migratória de brasileiros vem tomando corpo desde 2016, quando a crise política e econômica se agravou e houve o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Enquanto em 2015, 14.920 deixaram o país em definitivo, no ano seguinte, esse contingente subiu 41%, chegando a 21.040. O levantamento mostra também que, de 2011 a 2018, houve um aumento de 183% nas declarações, que passaram 8.170, em 2011, para 23.149.

A comunicação de saída definitiva à Receita Federal é obrigatória a todo contribuinte que se mudar do país definitivamente ou àqueles que ficam mais de um ano fora. 

A Receita se atém ao recebimento do documento e análise das questões tributárias e não conta com detalhamento dos países nem se aprofunda nas motivações para a partida. Quem trabalha com expatriação percebe que o movimento é crescente entre famílias, nas quais os pais têm formação de nível superior e os filhos estão em idade escolar. São emigrantes com alta qualificação e perfil empreendedor que saem do país em busca de segurança e estabilidade.

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