O sonho de Benchimol
Na avaliação do presidente e fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, o Brasil está indo bem no controle do coronavírus e o pico da doença nas classes altas já passou.
“Acompanhando um pouco os nossos números, eu diria que o Brasil está bem. Nossas curvas não estão tão exponenciais ainda, a gente vem conseguindo achatar. Teremos uma fotografia mais clara nas próximas duas a três semanas. O pico da doença já passou quando a gente analisa a classe média, classe média alta. O desafio é que o Brasil é um país com muita comunidade, muita favela, o que acaba dificultando o processo todo”, disse Benchimol em transmissão ao vivo do jornal O Estado de S. Paulo, hoje (05/5).
Para o bacana, o Brasil está bem porque o pico da doença nas classes altas passou. As milhares de mortes e os enterros em valas comuns não lhe dizem respeito. São pobres morrendo.
Os pobres que no Brasil representam 2/3 da população e que foram infectados pelos brasileiros da classe alta que trouxeram o vírus do exterior. E não falo apenas da extrema pobreza, mas de pobres, pessoas que trabalham e sobrevivem no limite da dignidade, exploradas pelos mais ricos, muitos dos quais clientes da XP.
Benchimol é bilionário, fortuna estimada em R$ 5 bilhões. Prosperidade recente. Montou um negócio, a XP, que trabalha para pessoas que fazem parte de, no máximo, 3% da população brasileira. Uma corretora do mercado financeiro que tem o Banco Itaú como sócio.
No mundo dos sonhos de Benchimol, lá do alto, da crista da onda da brutal desigualdade de renda no país, da qual ele é um agente destacado, os pobres não existiriam pois dificultam tudo.
Resta saber se ele está disposto a contribuir para a não existência de pobres distribuindo parte de sua imensa fortuna e ajudando a distribuir a dos seus clientes abastados ou se acha mais prático simplesmente exterminá-los.

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