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sábado, 20 de março de 2021

Podemos chegar a 500 mil mortos na metade do ano

"Podemos chegar a 500 mil mortos na metade do ano", diz Miguel Nicolelis

Professor da Universidade Duke (EUA) faz previsões catastróficas e afirma que, sem implantações de medidas restritivas imediatamente, uma ‘tsunami irá varrer o Brasil’

Constanca Tatsch

RIO — Hecatombe significa uma “destruição ou desgraça em grande escala”. E é o termo usado pelo médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis para descrever a situação do Brasil em meio à pandemia da Covid-19. Segundo ele, se não forem implementadas medidas restritivas imediatamente, o Brasil deve alcançar a marca de 500 mil mortes em julho. Segundo o ex-coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a Covid-19, além do colapso sanitário, já ocorre um colapso funerário.

Já estamos com quase 3 mil óbitos por dia. Por que março vive uma explosão de mortes?

A explosão de forma sincronizada em todo o Brasil é decorrente das eleições (municipais, em novembro) e das aberturas indiscriminadas. Com as festas natalinas e o carnaval, explodiu de vez. Como medidas mais rígidas não aconteceram, infelizmente as previsões se concretizaram, e chegamos a um colapso. Hoje é difícil prever qual vai ser a taxa de óbitos daqui a duas, três semanas. A gente não consegue ver limite ou pico.

Há pacientes em São Paulo morrendo na fila de espera por vagas nos hospitais. O que se pode fazer a esse respeito?

O prefeito e o governador têm que criar coragem e fechar a capital e a Grande SP, impedindo o fluxo nas rodovias. Não dá para continuar empurrando com a barriga. Ou faz agora, ou as pessoas vão morrer na rua. São Paulo já colapsou há dias. Quando cruza 90% de ocupação, já foi. Só na logística para achar o leito e transferir, as pessoas vão morrer. O Brasil inteiro colapsou.

O que precisa ser feito para evitar o desabastecimento dos insumos hospitalares?

Tem que comprar esses medicamentos no mercado internacional, mas não estão entregando. O Brasil tinha que ter feito um estoque enorme, mas é desespero. É uma hecatombe. Como se a gente estivesse numa guerra, o inimigo tivesse tomado o Brasil, e a gente tivesse optado por não se defender porque quem deveria criar nossa estratégia de defesa renunciou ao papel de defender a sociedade da maior tragédia humanitária da nossa história.

O senhor acha que o lockdown deve ser nacional ou bastam medidas regionalizadas?

No Reino Unido, em dezembro, o comitê científico disse que em 12 dias o sistema hospitalar ia colapsar. O primeiro-ministro fechou o país. Hoje, a Inglaterra anunciou que teve a menor taxa de transmissão, óbitos e internações desde setembro. Porque fez o que tinha que fazer. Não teve lero-lero. Não tem saída. Nós sempre seguimos as ondas europeias. Avisamos em outubro que a segunda onda ia chegar aqui, agora certos lugares da Europa estão na terceira onda e vai chegar também. É duro dizer isso, mas vai piorar muito se não fizermos nada. E tem que ser a nível nacional, com medidas sincronizadas. Não adianta fechar um estado e deixar o resto aberto porque o vírus está em todo lugar, se espalha pelas rodovias, pelos aeroportos. Vamos chegar a 300 mil óbitos com uma rapidez impressionante. Podemos chegar a 500 mil na metade do ano, no meio do inverno.

Mesmo com a vacinação?

Mesmo com a vacinação, sem lockdown, dificilmente será possível reverter essa situação. Teríamos que vacinar 3 milhões de pessoas por dia por 60 dias, começando imediatamente. É altamente improvável. Enquanto isso, se tivermos 2 mil mortes por dia por 120 dias, teremos mais 240 mil mortes. É uma estimativa grosseira, só para ilustrar que chegaríamos a 500 mil mortes em meados de julho.

Como o senhor avalia esse pedido do presidente Jair Bolsonaro ao STF, de que só ele pode definir lockdown?

Esse documento vai rodar o mundo e vai servir como prova definitiva de que as intenções da Presidência não são voltadas ao bem maior da sociedade. E, quando um mandatário renuncia à sua obrigação máxima de proteger e salvar seus cidadãos, outros poderes da República têm que intervir. O presidente botou no papel o que o mundo inteiro já sabia, que ele quer fazer o oposto do necessário para evitar um genocídio no Brasil.

O senhor falou no Twitter que o colapso funerário começa em pequenas cidades.

Já começou. Vi um município de Pernambuco onde corpos estavam se acumulando num terreno baldio. Já temos registros de filas enormes em cartórios para registrar os óbitos, dificuldades de manejo de corpos nos hospitais, a Associação Brasileira de Funerárias recomendando que não deem férias aos funcionários, faltam urnas. Os sinais são claros. Não sei como alguém ainda não vê o tsunami que vai varrer o Brasil. Não vai mais ser só crise sanitária, começam a ter distúrbios sociais.

É o caso de uma mobilização internacional para ajudar o país?

O Brasil precisa de ajuda. Pedimos aos países amigos com excedente de vacinas, mas o que os governos desses países falam publicamente e reservadamente é que não tem um interlocutor. Não somos um país pária, somos um país radioativo. O Brasil não é um problema só dos brasileiros, é um problema do mundo. Se não controlarmos a pandemia, nossas fronteiras são porosas, as variantes daqui vão escapar, e o mundo sabe disso.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Entrevista completa de Lula ao jornalista Kennedy Alencar



Lula fala sobre eleições de 2022, governo Bolsonaro, Sergio Moro e mensagens da Lava Jato

Em entrevista ao vivo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fala ao jornalista Kennedy Alencar, colunista do UOL, sobre os cenários para 2022,  avalia o governo de Jair Bolsonaro e o julgamento da suspeição de Sergio Moro. Ele ainda comenta a possibilidade de frente ampla de esquerda, o sucesso de eventuais candidaturas a presidente de João Doria e Luciano Huck, além de comentar o acesso às mensagens da Lava Jato e o caso do deputado Daniel Silveira, preso por ordem do STF.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O Analista de Bagé receberia Bolsonaro com um joelhaço, diz Luis Fernando Verissimo




A convite da Folha, Luis Fernando Verissimo imaginou como atuaria o Analista de Bagé diante de alguns temas contemporâneos.

Por exemplo: Jair Bolsonaro. O presidente seria recebido no consultório com uma das clássicas joelhadas de um dos mais famosos personagens criados pelo escritor gaúcho.

Lançado em 1981, o "Analista" foi um sucesso instantâneo. Psicanalista heterodoxo, de traços gaúchos marcantes, o personagem ganhou um monumento em Bagé. Além de uma do próprio Verissimo, há estátuas do Analista e de sua secretária, Lindaura, fundamental para ajudá-lo a resolver os casos mais complicados.

Aos 83 anos, Verissimo reclama dos males do corpo, mas não deveria ter nenhum motivo para se queixar da mente. Está intacto o pensamento aguçado e bem-humorado que fez dele um dos mais populares escritores brasileiros.

Sua fama o transformou numa vítima frequente de fake news nas redes sociais. "Já fui muito elogiado pelo que nunca escrevi", afirmou ele à Folha há dois anos.

Nesta conversa, Verissimo escreveu. Optou por fazer a entrevista por email, após um encontro em São Paulo –onde ele participaria de uma homenagem ao pai, o também escritor Erico Verissimo (1905-1975).

À saída, diante do elevador, o repórter disse à mulher de Verissimo, Lúcia Helena, e às filhas Mariana e Fernanda que compreendia a opção pelo formato da entrevista: "Se eu escrevesse como ele, também preferiria responder por escrito".

*

Como seria uma consulta de Jair Bolsonaro com o Analista de Bagé? O Analista receberia o Bolsonaro com um joelhaço, para inveja de muita gente.

E se Olavo de Carvalho estivesse na antessala com Lindaura, que indicação ela daria ao Analista? Ela avisaria: "esse veio pelo SUS, doutor, que no caso dele quer dizer Sou Uber Sim".

O Analista de Bagé teria um tratamento para os aspectos que o escritor Luis Fernando Verissimo critica no governo Bolsonaro? Teria, mas envolveria tratamento com águas, lobotomias e talvez uma nova eleição. Séria, desta vez.

Para encerrar essa jornada do Analista de Bagé: como o inventor do personagem narraria, em 2019, uma consulta de um transexual no consultório do Analista? O sr. se sente como o roteirista de 'De Volta para o Futuro' ao pensar nisso? O transexual procuraria o Analista por estar em revolta contra a sua porção mulher, o que poderia ser interpretado como homofobia.
Quando as fake news ganharam a visibilidade atual, imagino que o sr. tenha pensado algo como "bem-vindos ao meu mundo". As fake news chegaram a ser engraçadas para o sr.? Se sim, deixaram de sê-lo? Quando? Na medida em que são formas de ficção, as fake news requerem alta dose de criatividade para competir com as news de verdade, estas sim, frequentemente incríveis.
O Bolsonaro e alguns dos seus ministros são claramente figuras do realismo mágico, mas reais.

​Uma hipótese: o sr. recebe muito mais comentários de leitores quando escreve sobre temas políticos do que sobre outro assunto. Se certa a hipótese, isso faz sentido? Por que tamanho fascínio das pessoas em discutir política? A eleição de um candidato improvável como o Bolsonaro energizou o meio político. Parafraseando o que disse aquele irmão Karamázov do Dostoiévski sobre a ausência de Deus, se um Bolsonaro chegou à Presidência do Brasil, tudo é permitido.

As pessoas mundo afora se cansaram de fazer política no sentido de ganhar corações e mentes? Eu acho que é o contrário, grupos que não sonhavam com o sucesso político, quase sempre de extrema direita, estão chegando ao poder pela via eleitoral em várias partes do mundo.

Quando o sr. navega em redes sociais, o que mais chama sua atenção? O ódio das pessoas. Prova do que eu sempre digo: o mundo não é mau, é só muito mal frequentado.

É cansativo ser de esquerda? Ou seria mais cansativo não ser de esquerda? Talvez ingenuamente, eu não entendo como uma pessoa que enxerga o país à sua volta, vive suas desigualdades e sabe a causa das suas misérias pode não ser de esquerda. Ser de esquerda não é uma opção, é uma decorrência. Mas que às vezes desanima, desanima.

Como o sr. escolhe um tema para escrever uma coluna no jornal? A crônica, ou a coluna, nos permite variar de assuntos e chamar o que sair de crônica. Não nos obriga nem a ser coerentes na escolha do tom, do "approach" como dizem na Mooca, ou do estilo. Pelo menos eu não me sinto obrigado.

Como é ser convidado a opinar sobre tudo? O sr. se impõe limites? (Por favor, não os estabeleça nesta entrevista). É bom ter a liberdade de opinar sobre tudo, dentro dos limites da clareza e do bom senso que você mesmo se impõe. Eu comecei a ter um espaço assinado em jornal em 1969. Época do Médici, da censura à imprensa, dos assuntos proibidos. Sei bem como era.
É triste constatar que voltam a falar em controle da mídia e ameaçar com uma nova edição do AI-5. No Brasil a nostalgia é uma força politica ainda a ser estudada.

A possibilidade de o leitor reagir a qualquer mensagem hoje é muito maior. Em que medida isso altera a mensagem original? Quem escreve pode ficar com medo da polêmica? Ou, ao revés, escreve tão somente para procurá-la? Não se deve escrever com medo da reação e da polêmica, ou atrás da reação e da polêmica. Deve-se aproveitar a liberdade que existe hoje, com todas as restrições econômicas combinadas com a revolução tecnológica que afetam os jornais e os jornalistas, antes que os censores e os nostálgicos voltem.

O sr. lê as mensagens que recebe? Só os elogios.

O sr. gosta de lembrar que a medicina melhorou. E a literatura: melhorou? Não estou capacitado para responder. Leio sempre com prazer o Milton Hatoum e o Sérgio Rodrigues, estou lendo o último Le Carré e o último Chico Buarque está na fila, mas não sou mais o leitor voraz e omnívoro que fui um dia.

A despeito de ela ter ou não melhorado, os escritores, como conjunto, têm menos impacto na sociedade do que já tiveram antes. Isso é irreversível? Os escritores não têm mais o impacto que já tiveram na sociedade? Não sei. Talvez os atuais cronistas, como o time de humoristas da Folha, estejam recuperando o impacto que tiveram Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Antônio Maria, na época clássica da nossa crônica.

Voltando às fake news: elas são literatura? O que as aproxima ou as distancia disso? As fake news que funcionam como fatos falsos e mentiras convincentes obviamente fracassam como literatura.

O sr. costuma ouvir poesia em podcast? O que lhe parece? Ouço e leio pouca poesia. Culpa minha, não da poesia.

Quantos livros uma criança deveria ler? Quais? Que roteiro básico o sr. indicaria a um pai de uma criança de, digamos, dez anos, que lhe perguntasse isso de bate-pronto? Os livros infantis ficaram muito bonitos, acho que a função do pai ou do avô deve ser a de fornecer beleza, torná-la disponível e deixar o ato da descoberta para a criança.

O sr. acredita que os vídeos assumiram ou assumirão o lugar dos livros na transmissão do conhecimento? É a velha questão do veículo e do conteúdo, que existe desde os tabletes de barro da Mesopotâmia. O que é mais importante, veículo ou conteúdo?
Um texto numa tela de computador ou num vídeo ainda é um texto, no caso o conteúdo é que vale. Ou o texto em qualquer outro veículo que não seja papiro, papel ou Kindle é inadmissível? Se o livro como nós o conhecemos e amamos vai desaparecer é outra questão. Já anunciaram a morte do livro várias vezes, mas era sempre boato.

É possível manter a profundidade de um livro num vídeo? É. Depende do valor do conteúdo, não da natureza do veículo.

Como isso pode impactar a maneira como as pessoas raciocinam? Estão dizendo que num futuro próximo os robôs raciocinarão por nós, portanto essa questão estará resolvida.

Escrever no celular algo para publicação: não vou perguntar ao sr. se esse outro mundo é possível porque eu mesmo o faço. Mas pergunto o seguinte: que consequências isso tem no que escrevemos? O principal é não nos deixarmos intimidar pela técnica, esquecermos o veículo e nos concentrarmos no texto.

Como o sr. consome informação jornalística? Zero Hora, Estadão, Folha e Globo pela ordem de entrega em casa, The New York Times, The Guardian, a revista The New Yorker, TV.

E não jornalística: como o o sr. consome ficção? Em que plataformas? Confesso, envergonhado, que tenho lido pouca ficção, além da já citada. Plataforma zero.

A fotografia mais e mais trocou um papel de registro por um de comunicação –informar instantaneamente algo a outras pessoas. O texto sofreu transformação parecida? Ou, pelo contrário, as redes fizeram um desserviço à escrita? Na medida em que voltamos ao texto telegráfico e a signos em vez de palavras acho que houve, sim, um desserviço à escrita tradicional, que depende de tempo e espaço para se desenvolver e se explicar.

E os desenhos, como quadrinhos e charges? Eles terão espaço razoável no mundo digital? A charge é uma das tradições mais antigas e perenes do jornalismo internacional e continua forte na sua capacidade de resumir uma opinião ou um "insight" como faz desde o século 18.

O que será a tradução do papel das cartas nas artes em, digamos, 50 anos. A troca de tuítes? No que o ato de escrever uma carta é diferente disso? Os robôs saberão o que fazer.

O futebol brasileiro ainda existe? O futebol brasileiro hoje parece ser o Flamengo com um deserto em volta.

O que o sr. faz para tentar chegar bem até os cem anos? Vamos com calma. Quando chegar aos 99, eu revelo como foi.

sábado, 28 de setembro de 2019

Sem política não existe economia, diz Lula em entrevista exclusiva ao GGN



TV GGN

O ex-presidente Lula, em entrevista exclusiva para o Jornal GGN, fala sobre economia política e política econômica. Os dois lados da moeda e que devem nortear o país. Fala sobre distribuição de renda, previdência, orçamento, empresas nacionais, conciliação nacional e desenvolvimento. Além disso, fala sobre a progressão da pena e a orientação que deu aos seus advogados para que não a utilizem, pois sairá de lá como entrou, inocente. Manda ainda um recado claro aos integrantes da Lava Jato e ao ex-juiz, que o condenaram sem provas e que hoje se veem às voltas com a Vaza Jato.

A entrevista teve a participação do economista Luiz Gonzaga Beluzzo e de Eduardo Moreira. Nosso editor Luis Nassif não pode comparecer por um problema banal: pedra no rim. Agradecemos aos dois entrevistadores.


Antes de entrar propriamente na entrevista ao Jornal GGN, ali representado por Luiz Gonzaga Belluzzo e Eduardo Moreira, Lula falou sobre dois temas distintos. Um deles foi a solidariedade prestada à família de Ágatha, assassinada no Rio de Janeiro. O outro ponto levantado foi a questão da progressão da pena. Lula disse ter conversado com seus advogados e definido que não quer progressão, pois pede progressão quem é culpado e está condenado, e como não é culpado o que quer é sua inocência. “E se alguém tem que pedir perdão é o tal do Moro e o tal do Dallagnol”, diz ele. Afirma estar tranquilo ali e muito ciente da canalhice que fizeram com ele e, se provarem qualquer ilícito que tenha porventura cometido, aí sim se cala. “Eu quero sair daqui inocente, cem por cento como eu entrei”, conclui.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Mino Carta entrevista Lula



Lula: "Quem está tocando fogo na Amazônia são os milicianos do Bolsonaro"

Mino Carta e Sergio Lirio, diretor de redação e redator-chefe de #CartaCapital, entrevistam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há mais de 500 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Lula fala sobre Lava Jato, a destruição da Amazônia, a falta de decoro de Jair Bolsonaro e o papel dos Estados Unidos no golpe de 2016

Lula: meu maior prazer seria sair daqui e o Moro entrar, ele e o Dallagnol
Em sua entrevista histórica à TV 247, o ex-presidente Lula falou sobre Lava Jato, a destruição da Amazônia, a falta de decoro de Jair Bolsonaro e o papel dos Estados Unidos no golpe de 2016. "Não quero sair daqui com meia culpa. Quero sair com 100% da minha inocência. Não sou pombo, coloque neles a tornozeleira. Meu maior prazer seria sair daqui e o Moro entrar. Ele e o Dallagnol", afirmou
Brasil 247 – A entrevista concedida pelo ex-presidente Lula aos jornalistas Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite e Pepe Escobar, da TV 247, foi repleta de mensagens importantes sobre o que se passa no Brasil e no mundo. Lula demonstrou indignação com a sua condição de preso político há mais de 500 dias, mas deixou claro que dorme tranquilo, ao contrário de seus algozes. "O Moro tem insônia porque ele sabe que mentiu. E agora está fazendo papel de palhaço", afirmou, antes mesmo de saber que Deltan Dallgnol, desmoralizado pela Vaza Jato, também só tem conseguido dormir à base de remédios.

Lula mandou um recado direto para o Supremo Tribunal Federal, que até agora tem se mantido acovardado diante da evidente fraude processual, já denunciada pelos maiores juristas e intelectuais do Brasil e do mundo. "Já cansei de chamar o Moro e o Dallagnol de mentirosos. Estou na expectativa de que alguém tenha a dignidade de ler meu processo e julgar com base nos autos", afirmou.  "Não quero sair daqui com meia culpa. Quero sair com 100% da minha inocência. Não sou pombo, coloque neles a tornozeleira. Meu maior prazer seria sair daqui e o Moro entrar. Ele e o Dallagnol", pontuou, deixando claro que busca o reconhecimento pleno da sua inocência.

Em relação à Amazônia, Lula deixou clara a responsabilidade dos eleitores de Jair Bolsonaro. "O Bolsonaro fala que quem tá botando fogo na Amazônia são as ONGs. Quem tá botando fogo é empresário eleitor dele", afirmou. "Alguém precisava pegar o Bolsonaro pela orelha e falar: 'Escuta aqui, moleque, seja educado'. Precisamos de paz. Um presidente não tem que pensar em outra coisa a não ser no bem estar do seu povo", disse ainda Lula. "Essa gente tem que entender que eles não foram eleitos pra ser donos do país. Eles foram eleitos pra governar. Não destruam o país. Eles não podem sair entregando o Brasil.

O papel dos Estados Unidos

Lula também avisou que seus advogados irão pedir acesso a documentos que demonstram que ele é vítima de uma conspiração internacional, liderada pelos Estados Unidos, que o prendeu e abriu espaço para a destruição da democracia no Brasil e a ascensão do neofascismo. "Estamos entrando com pedidos de FOIA (Freedom of Information Act) pedindo informações no Departamento de Justiça dos EUA sobre a interferência norte-americana no meu processo", afirmou.

Confira abaixo a íntegra:

domingo, 18 de agosto de 2019

Paulo Coelho: "Brasil se tornou motivo de chacota no mundo"


Morando na Suíça, escritor brasileiro mais vendido no mundo vê com tristeza atual momento político do país. Em entrevista à repórter Paula Martini, ele relembra parceria com o cantor Raul Seixas e o episódio em que foi detido e torturado durante a Ditadura Militar por causa da 'Sociedade Alternativa'.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Bob Fernandes entrevista Lula




Lula fala sobre Moro, Dallagnol, Globo, militares, Bolsonaro, FHC, Queiróz, EUA, Palocci...

Lula diz que não se exilou para provar que "bandidos" o puseram na prisão, critica Bolsonaro, governo "vassalo lambe botas" dos EUA, "militares aposentados" que o atacam, FHC, Palocci, etc.. e promete manifestação na porta da Globo quando deixar prisão.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lula: Estados Unidos mandam mais no Moro do que a mulher dele


Em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, pela TVE Bahia, ex-presidente declarou que os últimos acontecimentos no Brasil têm relação com a atuação do governo estadunidense. "Tudo que está acontecendo tem o dedo dos Estados Unidos, que manda mais no Sergio Moro do que a mulher dele", afirmou

Brasil 247 - Em sua primeira entrevista depois da decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu sua transferência para um presídio em São Paulo, o ex-presidente Lula falou ao jornalista Bob Fernandes, pela TVE Bahia, e opinou sobre o papel dos Estados Unidos nos acontecimentos do Brasil, entre outros temas. A conversa será transmitida nesta sexta-feira 16 no YouTube, Facebook e Twitter da TVE Bahia, às 18h, e na TV às  22h.

Na entrevista, Lula afirmou não saber como as informações reveladas pelo site The Intercept nas últimas semanas chegam aos ministros do Supremo Tribunal Federal e que, após tomar conhecimento das mensagens entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, "a suprema corte pode fazer uma correção" no processo que o condenou.  

Para Lula, os últimos acontecimentos no Brasil têm relação com a atuação do governo estadunidense. "Tudo que está acontecendo tem o dedo dos Estados Unidos, que manda mais no Sergio Moro do que a mulher dele", afirmou.   

Já em relação ao Procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, considera que "desde o dia que ele deu uma coletiva dizendo que não tinha provas contra mim, mas apenas convicções, o Conselho Nacional do Ministério Público tinha que ter tirado esse moleque". E afirmou que não pretende solicitar progressão da pena para sair da condição atual em Curitiba. "Estou aqui até para provar que eles são bandidos e eu não", disse.   

Sobre a política econômica do governo federal, Lula afirmou que "o papel do ministro Paulo Guedes é destruir a economia brasileira", e perguntou "onde estão os militares nacionalistas?".  Em relação a operação Lava Jato, Lula disse que "o que aconteceu foi que os delatores foram premiados". Ao comentar que sua vida inteira foi investigada, o ex-presidente afirmou: "as minhas palestras não eram clandestinas como as do Dallagnol".   

A respeito da revelação recente da suposta orientação do ex-juiz Sérgio Moro em não solicitar a apreensão do celular do ex-deputado federal Eduardo Cunha, perguntou: "você acha normal uma Polícia Federal que vai na minha casa e revira tudo não ter coragem de pegar o telefone do Eduardo Cunha?".   

Ao questionar a parcialidade da Rede Globo na cobertura jornalística, Lula disse que "Bolsonaro foi o monstro que surgiu, mas não era o que a Rede Globo esperava. Não tiveram coragem de lançar o Luciano Huck. E até agora, pasmem, dia 14 de agosto, a Globo não teve a coragem de mostrar as mensagens reveladas pelo Intercept".

sábado, 6 de julho de 2019

A terceira e última parte da entrevista de Lula ao Sul21




Jornal Sul21

"A minha vocação é lutar,  do jeito que posso. Quando eu era pequeno, cantava: um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais. Se o Lula preso incomoda muita gente, pode ter certeza que, solto, vou incomodar muito mais"