Os dois jornais da direita argentina, Clarín e La Nación, admitem que a eleição de outubro está decidida depois das prévias de ontem.
Com a vitória arrasadora de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, o La Nación pergunta como Macri governará até o fim do mandato.
É agora que a direita vai intensificar a baixaria, com a ajuda de táticas bolsonaristas que já estão sendo usadas pelos macristas.
Um detalhe interessante: Macri tem lá o mesmo um terço de apoio que Bolsonaro tem aqui.
A diferença é que lá a maioria dos dois terços não fica quieta. Esta é a diferença entre dois terços de argentinos e dois terços de brasileiros.
A VOLTA DE CRISTINA
Cristina Kirchner vem aí. Que os argentinos se preparem para as baixarias da direita. A Frente de Todos, de Alberto Fernández (presidente) e Cristina Kirchner (vice), venceu as prévias deste domingo. Era previsto, mas há componentes assustadores para a direita.
A participação do eleitorado chegou a 75% (o mesmo percentual de 2015), quando esperavam que o desalento com a política provocasse uma abstenção maior. Isso significa que o povo está decidido a apostar na democracia para derrubar Macri.
Nas prévias argentinas, todos os eleitores podem votar livremente. É uma espécie de referendo dos candidatos de cada partido. Os mais votados de cada agremiação disputam a eleição de 27 de outubro. Macri é de novo o candidato da direita.
As prévias valem como uma espécie de pesquisa, com grau de confiabilidade de 100%, porque envolve todo o eleitorado, e não uma amostragem. Também serão indicados os candidatos à Câmara dos Deputados e, em oito províncias, ao Senado, além dos nomes que disputarão o governo da província e a prefeitura de Buenos Aires.
É agora, depois das prévias, que se intensifica o jogo sujo. Os macristas já vinham jogando pesado, com os mesmos recursos que o bolsonarismo usou aqui: disparos de mensagens em massa, uso irregular das redes sociais (com ações que a lei não permite) e, claro, fake news.
Mas ainda falta saber qual foi o tamanho da vitória da esquerda, porque o governo retém os resultados da votação. O jornal página 12 publica declarações de líderes kirchneristas sobre suspeitas de manipulação dos resultados, como tentativa de reduzir o impacto da derrota da direita.
(Os primeiros resultados, ainda parciais, dão vitória de 47% para a frente Fernández-Cristina, contra 32% para Macri-Pichetto)

Nenhum comentário:
Postar um comentário