A Lava Jato, sempre defendi, nunca funcionou, exatamente, como uma operação jurídica e policial. As ações da operação sempre serviram menos para investigar e punir do que destruir reputações na esfera pública por meio de sua longeva parceria com a grande imprensa.
Seja vazando conversas privadas e íntimas que nada tem a ver com processos e muito menos configuram crimes, mas que permite ao juízo público condenar - e aí tivemos exemplos que vão de empresários a políticos passando por jornalista - seja vazando acusações de delatores que não apresentam nenhuma prova do que dizem.
Agora a coisa mudou. Com o caso do suposto membro do TCC, a Lava Jato inaugurou os vazamentos que não consistem em atacar e interferir na política por meio da destruição de reputações, mas em elogiar seus membros, mais notadamente, Sérgio Moro.
Mas, obviamente, não foi apenas isso. Como operação política que sempre foi, não poderia faltar elementos políticos nessa estratégia. Além do elogio, obviamente, tinha que aparecer o PT na história - o recibo cabal de que o núcleo curitibano da Lava Jato sempre teve como meta destruir o inimigo que elegeram para perseguir e destruir.
E o fazem irresponsavelmente porque a clara intenção é mobilizar esse símbolo, o PT, para inflamar ainda mais as polarizações políticas da sociedade brasileira. O caras apostam, irresponsavelmente, no caos.
Como já se sabe, um promotor de Justiça que conhece o suposto membro do PCC já disse que, ao contrário do que foi dito pela Lava Jato, ele não era tesoureiro, passa longe de estar perto do topo da hierarquia da organização criminosa. Trocando em miúdos, é um ninguém. E isso suscita, inevitavelmente, a desconfiança de que a coisa foi armada para esse fim. O que deveria ser, obviamente, investigado para saber se esse cara foi pago e orientado para dizer o que disse.
Mas chegamos a um estado de coisas tão absurdo nesse país que o órgão que detém esse poder de investigação é chefiado pelo cara que está envolvido até o pescoço nosso. Sim, Sérgio Moro é chefe da Polícia Federal, ou seja, o cara que manda na PF é membro dessa organização criminosa. Sim, o núcleo curitibano da Lava Jato é uma organização criminosa, tal e qual como está mais do que demonstrado.
Trocando em miúdos, o que temos atualmente no Brasil é esse estado de lisergia política em que um cara que comete crimes continua os cometendo utilizando o Estado para tanto, como já era o cara quando atuava como juiz federal.
Isso que deveria ser debatido a fundo hoje, mas sabemos que não será porque os meios pelos quais essas questões deveriam ser pautadas gostam dos crimes da Lava Jato, principalmente por conta de seus efeitos políticos notórios, como a manutenção de Lula fora de qualquer possibilidade de disputar eleições.

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