O cientificamente iletrado chanceler Ernesto Araújo afirmou que a elevação do nível do mar não seria um problema. Ele quis dar caráter científico a essa afirmação, extrapolando as taxas atuais de pouco mais de 3 mm/ano. Mas ele "esquece" de uma coisa.
O processo vem se acelerando pelo menos desde a década de 1960, como bem aponta esta recente publicação na @NatureClimate Persistent acceleration in global sea-level rise since the 1960s
Há indícios de que:
1. O derretimento do manto de gelo da Groenlândia está se acelerando;
2. O balanço de gelo da Antártica (sobre o qual havia dúvidas) é agora claramente negativo;
3. Os mantos de gelo continental ficarão mais expostos ao degelo com a retração do gelo marinho
O pior de tudo é que é muito provável que o processo seja altamente não-linear. Ao brincarmos perigosamente com os feedbacks climáticos e com a estabilidade da criosfera terrestre estamos adentrando no território desconhecido das possíveis mudanças abruptas.
Claro, ao invés de se apropriar do que há de mais avançado na ciência e que é publicado em periódicos com revisão de alto prestígio como Science, Nature e jornais da área, o ministro prefere panfletos de teorias da conspiração, que ele recomenda via sua conta no Twitter.
Mais uma vez estamos com Ricardo Galvão, ex-diretor do INPE: "trabalhamos com ciência, não com balela de Twitter". É desastroso ter um "governo" que rejeita a ciência e abraça a farsa, a patifaria, o conspiracionismo e o negacionismo.
Até porque a realidade se impõe. Ela não se ajusta às vozes na cabeça de um punhado de lunáticos nem às mentiras cínicas de um punhado de canalhas.

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