O relativo fracasso das manifestações de ontem, bem menores que as do primeiro semestre, dissipa a ilusão de que a educação seria uma pauta mágica capaz de promover a resistência ao bolsonarismo.
Nas escolas e universidades também há dificuldade de saber como enfrentar um governo tão agressivo, tão hostil ao conhecimento, com o qual não há um mínimo terreno comum sobre o qual fazer pressão.
Há também o desânimo gerado por tantas derrotas. E a dificuldade de manter uma ação continuada, depois de tanto tempo de desmobilização ou de mobilização apenas episódica.
Nossos "aliados" liberais, por sua vez, pularam do barco. Eles aprenderam a lidar com Bolsonaro - indignação com a diarreia verbal, apoio indisfarçado às políticas de desmonte do Estado e redução de direitos da classe trabalhadora, cuidado para não dar gás para uma resistência efetiva.
Por outro lado, a educação não é a pauta ecumênica que nos une a todos. Há quem torça o nariz para o caráter improvisado e autoritário do "Future-se", mas simpatize com sua orientação privatista.
E agora, afinal, ninguém pode dizer que o MEC esteja sem "projeto" - é catastrófico, mas está lá.
Ontem também foi aprovada a chamada "MP da Liberdade Econômica" - seu mérito é desvelar que essa conversa de "liberdade econômica" significa, na verdade, redução da proteção a trabalhadores e a consumidores.
Foram só 76 votos contrários. A maioria do PDT, mais de um terço do PSB e também Joenia Wapichana, a solitária deputada da Rede, votaram "sim".
A junção dos dois episódios deixa uma lição clara: só com a pressão popular vamos barrar os retrocessos, mas ainda temos muito caminho pela frente até torná-la à altura de nossos enormes desafios.

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