Parece incrível, mas Jair Bolsonaro, como chefe da Nação, se apropria do discurso da situação como um opositor.
Seu ministério diz uma coisa, ele faz outra e o critica. Se seu governo propõe o distanciamento social, ele critica.
Se sua política é não praticar a velha política, ele libera fundos ao antigo Centrão, a engrenagem do Poder, de um Congresso que critica e sugere fechar.
Se diz o escolhido pelas urnas, mas contesta o resultado, de uma democracia que contesta e ameaça.
Apesar de majoritariamente votado na última eleição, ele contesta o resultado das urnas, como um derrotado.
Se a China é o maior aliado de seus apoiadores do agronegócio, ele a critica e sofre retaliação.
Critica publicamente ministros, antigos aliados, governadores da sua base, rompe com a situação de Estados favoráveis a seu programa, tornando-se o maior opositor de políticos que se elegeram graças a ele.
Toda a imprensa é lixo, mas lá está ele dando exclusivas a alguns canais.
Não torce para apenas uma agremiação. Veste a camisa da maioria dos times de futebol. Especialmente as dos vencedores.
Desfila com a bandeira de Israel, numa clara apropriação. A lembrar que o Templo de Salomão, em São Paulo, da Igreja Universal do Reino de Deus, é réplica do templo do filho de Davi, rei de Israel. Na inauguração, em 2014, o bispo Edir Macedo, um aliado, com quipá e talit, mais parecia um rabino. E Silas Malafaia, não mais aliado, já declarou: “Para nós, o Deus de Israel é o nosso Deus. Não tem nenhuma absolutíssima diferença”.
Pode ser tática. Pode ser loucura.
O certo é que, no momento em que o país mais precisa de um líder, temos um que nega sê-lo.

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