Um príncipe português proclamou a independência, um marechal monarquista proclamou a República, um ministro do Estado Novo virou presidente no final do Estado Novo e Sarney foi o primeiro presidente civil, em nome da democracia, após o ciclo militar que ele mesmo apoiou .
Quem sacou este Brasil oficial, o do 7 de setembro, sem saber que estava sacando, foi Tancredi, o príncipe de Falconeri, na frase mais famosa do Leopardo: vez por outra, é necessário que se mudem duas ou três coisas para que tudo permaneça da mesma maneira.
Não há patriotismo que me faça ver graça na independência que preservou a escravidão e o latifúndio. Não merece a minha cerveja. Costumo, no meu calendário particular, louvar o 23 de abril, nascimento de Pixinguinha, como data maior da pátria.
É que distante das margens plácidas, o São Pizindim se tornou, no fuzuê entre batuques africanos e sopros das oropas e outras américas (devidamente temperados com a pimenta daqui), um dos inventores do país em que acredito. Um outro.
Por tudo isso já acordei cantando o hino da independência brasileira:
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