Claudio Guedes
O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou mensagem à coluna da Mônica Bergamo, Folha de S. Paulo, 07/9, que afirma que a censura a livros da Bienal do Rio "constitui fato gravíssimo".
"Sob o signo do retrocesso –cuja inspiração resulta das trevas que dominam o poder do Estado–, um novo e sombrio tempo se anuncia: o tempo da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático!!", escreveu o magistrado, que é o decano do tribunal.
Para Celso de Mello, "mentes retrógradas e cultoras do obscurantismo e apologistas de uma sociedade distópica erigem-se, por ilegítima autoproclamação, à inaceitável condição de sumos sacerdotes da ética e dos padrões morais e culturais que pretendem impor, com o apoio de seus acólitos, aos cidadãos da República".
Importantíssima declaração do decano do STF.
O momento é grave e os reacionários e obscurantistas estão se movimentando sem freios.
Parte expressiva da sociedade brasileira, que sofreu lavagem cerebral conduzida pela mídia reacionária e por setores liberais que disputam à hegemonia política, está demorando para entender o tamanho do retrocesso em curso no país.
Jair Bolsonoro, Olavo de Carvalho, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Luciano Hang, Ricardo Salles, Abraham Weintraub et caterva são adversários não do PT, de Lula e da esquerda, são inimigos do processo civilizatório. Eles querem destruir a democracia, a tolerância cultural e religiosa e a liberdade individual, coletiva e partidária que conseguimos, parcialmente e com muito esforço, conquistar nas últimas décadas na sociedade brasileira.
Não podemos permitir.

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