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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O jornalismo chapa-branca da Globo


Camilo Vannuchi

No domingo fez 25 anos que um papo de comadre entre o então ministro da Fazenda Rubens Ricúpero e um jornalista da Globo, Carlos Monforte, foi transmitido por antena parabólica e exibido em milhares de lares sem que os dois soubessem. Quem lembra?

Lembrei dela numa palestra que fiz ontem, sobre manipulação da mídia no contexto político.

A entrevista ainda não havia começado, mas a conversa dos dois entrou no ar pelo sinal da Globo via Embratel. Ricúpero criticou o IPCA, índice de preços do IBGE que poderia colocar por terra a promessa de fim da inflação propalada por seu antecessor na pasta, o então candidato à Presidência Fernando Henrique Cardoso, e chamou o IBGE de "antro de petistas". Em seguida, admitiu que usava o cargo para fazer campanha para FHC, contou que comandaria uma onda de importações a preço facilitado (via isenções) para forçar a queda nos preços em produtos de consumo (o que conteria a inflação até a eleição), e soltou uma frase famosa, ainda ao comentar os indicadores econômicos: "Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde".

O episódio derrubou o ministro, substituído em seguida pelo então governador do Ceará, Ciro Gomes. Foi um escândalo sobre uso político do cargo, ética na política etc.

O que pouco se falou na época: por que Carlos Monforte ouviu tudo aquilo e, em seguida, nada disso entrou na entrevista? Por que nenhuma pergunta sobre manipulação ou ocultação de índices econômicos? Por que não abordar a novidade jornalística da importação de produtos para derrubar os preços no Brasil? Por que manteve o roteiro de uma entrevista áulica, chapa branca, solidária? Talvez porque o jornalismo da Globo é assim com os governantes que defendem os interesses do capital, ou ao menos dos Marinho? Talvez porque as concessões públicas de rádio e TV sejam de fato essa várzea, a reprodução ininterrupta dos interesses das elites por décadas e séculos a fio?

Os espectadores que haviam escutado o preâmbulo e conferiram a entrevista em seguida não entenderam nada. Ou talvez tenham entendido muita coisa.

terça-feira, 12 de março de 2019

Memória de Marielle vai derrubar Bolsonaro


Camilo Vannuchi

"Memória de Marielle vai derrubar Bolsonaro", afirmou Jean Wyllys, no exílio, em entrevista recente.

Sargento Lessa, preso preventivamente por supostamente ter realizado os disparos contra Marielle Franco, mora no mesmo condomínio que o presidente, na Barra da Tijuca.

Um dos principais jornalistas que acompanham a investigação no Rio, se não o melhor deles, é Chico Otávio, do jornal O Globo, alvo recente das tuitadas de Bolsonaro, assim como sua filha, Constança Rezende, do Estadão.

Policial acusado de dirigir o veículo na ação chama-se - quem diria - Queiroz.

Criminalização do Carnaval pela família Bolsonaro veio como resposta à vitória da Mangueira, que homenageou Marielle e outros heróis invisibilizados no desfile oficial das escolas do Rio. E também à profusão de ofensas e protestos contra seu governo em blocos de rua de todo o país.

"Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Neste meu penar."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Gabriela Hardt e Sérgio Moro são igualmente desonestos, analfabetos e incompetentes

Camilo Vannuchi

Entre tantas perplexidades provocadas pela sentença condenatória publicada pela Dra. Gabriela, me chama especial atenção o trecho em que ela cita Leo Pinheiro e José Adelmário como se fossem duas pessoas distintas. Me lembrou um caso recente em que um promotor do Ministério Público escreveu algo sobre uma suposta dupla formada por Marx e Hegel. Não é possível. Fico perplexo. Não tanto pelos equívocos, um histórico e outro de cognição, mas por perceber o tipo de gente que investiga e julga um ex-presidente da República no Brasil. Qual o grau de zelo, de cuidado, de estudo e de atenção? A sentença de Moro, de 2017, é igualmente rasa, mal feita, cheia de furos, com jeito de trabalho de disciplina feito em grupo no primeiro ano da faculdade. Sobretudo, são páginas escritas de forma apressada, com o nítido objetivo de confirmar uma tese boba que não resistiria a uma análise mais profunda e um olhar mais maduro. Estão deixando os processos do Lula nas mãos dos estagiários, é isso? Ou esses juízes têm mesmo esse gap de formação, de senso crítico e de intelecto? Aprenderam a redigir sentença lendo cartas de Magic e manuais de RPG?

Meninos e meninas mimadas não podem reger a nação. Nem o judiciário. Estamos perdidos.


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Bastidores do fim do Mais Médicos

Camilo Vannuchi

— Eles que se danem.

— Mas, presidente, são 11 mil médicos cubanos no Brasil, distribuídos por mais de 3 mil municípios.

— Vão pra Cuba!

— Mas, presidente, haverá um desfalque significativo. Estamos falando de algo em torno de 25 milhões de pessoas que ficarão desassistidas.

— Vamos fazer uma faxina! Minha bandeira jamais será vermelha!!

— Mas, presidente, seria mais adequado buscar os substitutos antes que os cubanos fossem embora.

— Matar uns 30 mil! Uma guerra civil. Se tiver que morrer alguns inocentes, paciência.

— Mas, presidente, os médicos cubanos atuam hoje em mais de 60 países.

— Petralhas! Vagabundos! Quebraram o país e ainda mandaram bilhões de reais para Cuba.

— Mas, presidente, os médicos cubanos são funcionários públicos. Eles trabalham para o Estado. O que o Brasil fez com eles foi um convênio. Por isso eles continuam recebendo seu salário, com um adicional, mas não recebem diretamente do governo brasileiro como profissionais autônomos de outros países.

— Não te estupro porque você não merece! Sou favorável à tortura!! Marginais vermelhos!!!

— Mas, presidente, o senhor não está falando coisa com coisa.

— Grrrr.... Grrrr.... Au au! Auuuuuuuu.......