sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Cautela e altas doses de caldo de galinha


Artur Araújo

HORA DE CALDO DE GALINHA

Só em aplicações com juros negativos giram pelo mundo uns US$ 15 trilhões, frente aos quais um linha de resistência contra ataques especulativos ao real na casa de US$ 357 bi já é coisa que não aguenta uma quinzena, se tanto.

A tendência do comércio mundial é de estagnação ou queda, portanto venderemos menos para o exterior e receberemos menos dólares.

Se a produção interna ganhar tração, mesmo que pífia, nossas importações de insumos e de manufaturados intermediários crescerão bem mais do que o crescimento do PIB, porque é muito acentuada a desnacionalização de nossas cadeias de fornecimento nacionais. Uma batelada de dólares sairá do país.

É nesse quadro que descobrimos que Paulo Ipiranga torrou US$ 37 bi das reservas cambiais durante o ano passado.

E sem que um cent dessa bufunfa servisse para investimentos em bens públicos; ou para deter o desmanche dos serviços estatais; ou para programas de geração emergencial de empregos; ou para políticas sociais; ou para aumento real de salario mínimo, aposentadorias e benefícios; ou para a renegociação das dívidas das famílias; ou para impedir a espiral de aumentos dos preços do gás de cozinha, da gasolina e do diesel.

Homer Cado comemora o recebimento de R$ 140 bilhões (cerca de US$ 35 bi), via pagamento de dívida estatal, 2% do PIB direto para os bolsos dos rentistas. Foi para isso, quase só para isso, que os US$ 37 bi saíram das contas da União.

Além de não melhorarem em nada nossa má vida cotidiana, os ipirangas empregados por Homer estão desmontando as poucas armas que ainda temos para não mergulhamos de volta nos anos 1980/90, com restrições externas violentas e contínuo risco de quebra por falta de dólares.

Se nos lembrarmos que flertam abertamente com dolarização da economia e já manifestaram interesse em contrair dívida externa "porque está mais barata", menos que o voo de galeto que armam para tentar ganhar eleições, teremos é que nos preocupar muito com o quadro cambial, adicionando à forte cautela altas doses de caldo de galinha, como recomenda a sabedoria popular.

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