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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Haverá terceira onda e ela incluirá os vacinados

Crestani Filho

Haverá terceira onda e ela incluirá os vacinados.

Vacinas disponíveis não conferem proteção completa e desacompanhadas de medidas de distanciamento e controle de transmissão perpetuarão a pandemia por tempo indeterminado no Brasil. 

Terceira onda = uma nova ascenção no número de casos.

Vacinas disponíveis não conferem proteção completa = Fato, principalmente para as grandes responsáveis pela quase totalidade da vacinação aqui,Coronavac e Astra/Ox (50-70%).

Desacompanhada de outras medidas = no ritmo atual de vacinação, a terceira onda acontecerá com a minoria da população vacinada, e mesmo entre os vacinados, boa parte estará suscetível para desenvolver casos leves e transmitir a doença.

Esse cenário é altamente provável, seria uma surpresa não acontecer.

Dúvidas:

1) A terceira onda será maior que a segunda?

- Acho improvável, assumindo as cepas atuais.

2) Os ciclos de transmissão podem se perpetuar e estender a ponto da imunidade entre os vacinados ser progressivamente menor com o passar do tempo e serem necessários reforços vacinais nesse grupo atrasando a expansão da cobertura vacinal?

Ainda cedo para dizer. A eficácia a longo prazo das vacinas ainda não foi validada na prática (tudo muito recente).Essa resposta também depende se o ritmo da vacinação será maior que o ritmo d infecção/reinfecção 

3) Novas cepas mais "resistentes" as vacinas disponíveis podem surgir nesse meio tempo reduzindo/anulando a eficácia das vacinas disponíveis colocando a Pandemia em patamares semelhantes aos iniciais?

-Teoricamente é possível, mas não é o comportamento notado até aqui?.Então é isso, no ritmo atual de vacinação, com as vacinas disponíveis, e redução desenfreada das medidas de isolamento, uma nova ascensão no número de casos é altamente provável, parte dos infectados/transmissores serão os já vacinados, esse cenário torna o término da pandemia imprevisível e não dependente apenas da velocidade da taxa de vacinação. 

Ah, me desculpem pela obviedade, mas por alguns comentários parece necessário falar o óbvio:

Tempo indeterminado é diferente de "para sempre", ok?

A despeito de tantos erros nas medidas de isolamento e cobertura vacinal, é improvável que a pandemia dure "para sempre". 

terça-feira, 27 de abril de 2021

Covid-19: SP volta a superar mil mortes por dia; casos somam 2,8 milhões



Do UOL, em São Paulo

O estado de São Paulo voltou a registrar mais de mil mortes em um dia por covid-19. Dados divulgados no boletim de hoje da Secretaria Estadual da Saúde apontam 17.992 novos casos e 1.044 novas mortes no período de 24 horas.

A última vez que a marca de mil mortes foi superada foi no dia 20 de abril, quando foram registrados 1.122 óbitos. Os números de hoje têm dados acumulados do final de semana, quando habitualmente são registrados menos óbitos e casos.

Abril já é o mês mais letal da pandemia no estado com mais de 17 mil mortes, contra 15.159 de março, mês que havia batido recorde. No total, já são 2.856.225 casos e 93.842 óbitos por covid-19 no estado desde o início da pandemia.

Hoje, São Paulo tem 22.112 pacientes internados em UTIs (Unidade de Terapia Intensiva) e 11.686 em enfermarias. A taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado é de 80% e na Grande São Paulo é de 78,3%.

Nos últimos dias, o governo do estado apontou uma queda conjunta nos indicadores de novos casos, óbitos e novas internações pela primeira vez em dois meses.

De acordo com o governo paulista, o registro de novos casos diários em relação à última semana epidemiológica caiu 14%, novas internações reduziram em 6% e óbitos, em 23%. O Centro de Contingência do Coronavírus atribui as quedas à diminuição de circulação nas fases restritivas.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

"O pior ainda está por vir", avalia ex-secretário do Ministério da Saúde


Em entrevista ao Jornal da CBN, o epidemiologista Wanderson Oliveira afirmou que é esperado um aumento de transmissão de vírus respiratórios no inverno, inclusive o coronavírus. Ele prevê um aumento de casos nos próximos meses.

O epidemiologista Wanderson Oliveira afirmou ao Jornal da CBN que os casos de Covid-19 devem aumentar com a chegada do inverno. Ele afirmou que estamos estamos entrando em período de transição entre o outono e a estação mais fria do ano, quando se espera um aumento de transmissão de vírus respiratórios. Por isso, nos próximos meses, o número de casos de Covid-19 deve aumentar.

O secretário de serviços integrados de saúde do STF e ex-secretário Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde defendeu que, para acelerar a vacinação contra a Covid-19, 'precisaríamos ter um reforço, trabalhando com clínicas privadas e outras instituições'.

Ouça a entrevista completa.



sexta-feira, 16 de abril de 2021

Pode melhorar


Atila Iamarino

Depois de muita subida de casos e internações, algumas regiões estão estabilizando em casos. Uma conversa sobre o que podemos fazer para melhorar.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Brasil registra novo recorde de mortes por Covid em 24 horas: 3.650


Com isso, o total de vítimas fatais da doença no País chegou a 307.112

Redação

O Brasil contabilizou 3.650 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, segundo boletim divulgado na noite desta sexta-feira 26 pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Trata-se de mais um recorde de óbitos em um único dia. Com isso, o total de vítimas fatais da doença no País chegou a 307.112.

O Conass também registrou entre quinta e sexta-feira 84.245 novos casos da doença, levando o total oficial de infectados a 12.404.414.

Um indicativo de que o País caminhava para um novo recorde negativo se deu nesta manhã, quando o estado de São Paulo anunciou 1.193 mortes pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, maior número desde o início da pandemia.

A média de mortes por Covid-19 no Brasil, que leva em consideração os dados dos últimos sete dias, indica a dramática aceleração da doença: nesta sexta, a média é de 2.400, ante 2.280 na véspera.

Já a média de casos no período é de 76.146. Na quinta-feira 25, era de 77.050


terça-feira, 23 de março de 2021

Número diário de mortes por covid-19 no Brasil passa de 3 mil


O boletim do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) desta terça (23) com os dados sobre a evolução da doença aponta o registro de 3.251 mortes nas últimas 24 horas; total de óbitos vai a 298.676

Por Valor

Como previsto por especialistas, o Brasil passou da marca de 3 mil mortes por covid-19 registradas em um intervalo de 24h. Foram registrados 3.158 óbitos por covid-19 nas últimas 24 horas, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde.

Foi o maior número de vidas perdidas para a doença contabilizado no país em um intervalo de 24 horas. Com isso, o total de mortes provocadas pelo novo coronavírus atinge 298.843.

A média móvel de novas mortes no Brasil na última semana foi de 2.349 por dia, uma alta de 43% em relação aos dados registrados em 14 dias e também um recorde pelos dados coletados pela imprensa.

Os casos confirmados somam 12.136.615, sendo 84.996 diagnósticos contabilizados nas últimas 24 horas, de acordo com o balanço fechado às 20h.

A média de novos casos nos últimos sete dias é de 75.288 por dia, uma elevação de 9% em relação aos casos registrados em 14 dias.

Os dados divulgados pelo consórcio de imprensa foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa desde o dia 8 de junho para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

Ministério da Saúde

O boletim do Ministério da Saúde desta terça-feira (23), com os dados sobre a evolução da doença, também aponta o registro recorde de 3.251 mortes nas últimas 24 horas. O total de óbitos pela doença subiu para 298.676 no país pelos dados do Ministério.

O boletim fechado às 18h de hoje informa ainda que o Brasil registrou 82.493 novos casos de covid-19 no mesmo intervalo. Com isso, o total de diagnósticos confirmados da doença nas estatísticas oficiais sobe para 12.130.019.

De acordo com o levantamento, São Paulo é o Estado com mais mortes (68.623) e casos confirmados (2.332.043) de covid-19. Minas Gerais é o segundo Estado com mais casos (1.040.198) e o Rio de Janeiro é o segundo com mais óbitos (35.331).

SP bate recorde e registra 1.021 novas mortes por Covid-19 em um dia


Dados foram divulgados na manhã desta terça (23) no site da Secretaria Estadual da Saúde. Máxima anterior era de 679 mortes confirmadas em 24h no estado, registrada no dia 16 de março.

Por G1 SP — São Paulo

O estado de São Paulo registrou 1.021 novas mortes provocadas pela Covid-19 nesta terça-feira (23), o recorde em 24 horas desde o início da pandemia. O número equivale a três mortes a cada quatro minutos.

O estado agora totaliza 68.623 óbitos causados pelo coronavírus. Os dados foram publicados no site da Secretaria da Saúde nesta manhã. Geralmente, as informações são divulgadas no período da tarde pela gestão estadual.

O recorde anterior, registrado na semana passada, era de 679 mortes em um dia, e representava um óbito a cada 2 minutos nas últimas 24h.

Os novos registros não significam, necessariamente, que as mortes aconteceram de um dia para o outro, mas que foram computadas no sistema neste período.

As notificações costumam ser menores em finais de semana, feriados e segundas-feiras, por conta do atraso na contabilização.

Na última sexta-feira (19), o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, admitiu que o governo projetava registrar 800 mortes diárias nos próximos dias.

Nesta terça (23), em entrevista à GloboNews, Gorinchteyn, lamentou o índice, mas defendeu que o valor não representa um retrato direto das últimas 24 horas.

"Apesar de chocarem, porque são vidas que se perderam, eles não retratam essas 24 horas. São dados que eram represados no final de semana e que foram aportados de forma abrupta agora nos dados de terça-feira", disse o secretário.

Ele também afirmou que a taxa de isolamento social ainda segue muito baixa e cobrou adesão da população.

"Diminuir a circulação de pessoas é também diminuir com ela a circulação do vírus. (...) Estamos sempre clamando por ajuda, mas ainda vemos as pessoas nas ruas", disse.

Uma semana após o início da fase emergencial, em vigor desde o dia 15, o índice de isolamento subiu apenas 1%. Em 14 de março, o estado registrou 50%. No dia 21, 51%.

Internados

O número de pacientes internados com Covid-19 subiu 113% no estado de São Paulo em apenas um mês, como mostra o vídeo abaixo.

Nesta segunda (22), 29.039 pessoas ocupavam leitos destinados à doença. No dia 22 de fevereiro, eram 13.606. Os índices desta terça (23) ainda não foram divulgados pela gestão estadual.

Do total pacientes internados atualmente, 16.871 estão em enfermaria e 12.168 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Número de internações por Covid em SP mais do que dobra em março em relação a fevereiro

O número de pessoas em UTI em São Paulo é mais de três vezes maior do que em toda a Argentina, que possui uma população semelhante ao estado com aproximadamente 44 milhões de habitantes.

As taxas de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do estado de São Paulo também já superaram os índices registrados no pico de 2020 da pandemia.

Nesta segunda, a ocupação média chegou a 91,9% no estado de São Paulo, contra 77,2% no momento mais grave da pandemia no ano passado, no final de maio.

O índice foi a 91,6% na Região Metropolitana da capital. Na Grande São Paulo, a taxa se aproxima do recorde registrado em maio de 2020, quando a ocupação chegou a 92,2%.

No dia 10 de março, o governo de São Paulo já havia alertado para a dificuldade de atender a população, uma vez que o ritmo de novas internações é maior do que o de altas.

Mortes à espera de leitos

Ao menos 135 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença não resistiram à espera por um leito de UTI e morreram até esta segunda-feira (22) no estado de São Paulo. O levantamento é do G1, da TV Globo e da GloboNews.

Entre as vítimas, há um menino de três anos, uma jovem de 25, sem doenças prévias, no interior do estado, e um rapaz de 22 anos na capital paulista.

As cidades com maior registro de mortes na fila estão na Grande São Paulo, Taboão da Serra e Franco da Rocha, com 15 cada uma.

Os pacientes estavam cadastrados no sistema de regulação de transferências do estado, mas não resistiram até chegar a vaga, de acordo com a Secretaria da Saúde.

Fase emergencial

Desde o dia 15 de março o estado de São Paulo está na fase emergencial, a mais restritiva do plano de flexibilização econômica. A medida foi tomada para tentar conter o avanço do coronavírus no estado.

Entretanto, prefeitos de diversos municípios chegaram a cobrar medidas mais rígidas de isolamento social, como um lockdown, uma vez que o sistema de saúde já sofre com falta de leitos e abastecimento de oxigênio.

Apesar do pleito, a gestão de João Doria (PSDB) defende que as regras mais duras sejam determinadas pelas próprias administrações locais e tem descartado implementar a medida em todo o estado.

domingo, 21 de março de 2021

“Pandemia ainda vai piorar no Brasil”, diz Nicolelis

 DW Brasil

Na análise do médico e neurocientista Miguel Nicolelis, o Brasil pode cruzar a qualquer momento a marca de 3 mil mortes diárias por covid-19 porque houve “uma cascata de erros” no país. Mas ele acredita que, mesmo com a pandemia fora de controle e o risco de um colapso funerário, ainda é possível reverter a situação por meio de um lockdown nacional.

Um desastre épico está em formação no Brasil

“Há uma crise a que todos devemos prestar atenção e essa crise é o Brasil”, diz epidemiologista dos EUA

Publicado por Pedro Zambarda de Araujo

O epidemiologista Eric Feigl-Ding, de Harvard, fez um importante fio no Twitter denunciando o perigo do Brasil no descontrole da pandemia do novo coronavírus.

O texto é deste domingo (21).

Vale a sua leitura:

PRESTE ATENÇÃO – Há uma crise a que todos devemos focar e essa crise é o Brasil. A escala é sem precedentes com a nova onda da variante P1 da covid. Por isso, hospitais estão colapsados e há um aumento acentuado da mortalidade. Se o contágio da P1 sair do  controle no resto do mundo, estamos todos ameaçados na pandemia.

2) Não posso mensurar o tamanho da gravidade da crise no Brasil. É quase impossível encontrar qualquer leito de UTI e muitos hospitais estão ficando sem medicamentos sedativos para realizar a intubação. Por isso, os médicos estão intubando sem nenhum analgésico. Hospitais estão em colapso.

3) Não estou exagerando quando falo que os hospitais no Brasil estão em colapso. Esta é a manchete de um grande jornal no Brasil [o Estadão]

4) Não leia apenas o meu fio. Confira a reportagem local. Este relatório foi arquivado na semana passada por Matt Rivers, correspondente da CNN. Ele diz que a situação só piorou.

5) Ninguém pode negar a pandemia quando os hospitais estão completamente lotados. Não deixe ninguém negar a gravidade da covid e o que está acontecendo no Brasil – internações e óbitos NÃO MENTEM sobre a situação.

6) A crise é descrita pela Fiocruz é “o pior colapso de saneamento e hospitalar da história do Brasil”.

7) Repórteres me disseram que “também estamos recebendo relatos consistentes no Brasil de que cada vez mais jovens morrem com o vírus. Os médicos continuam nos dizendo que seus pacientes estão cada vez mais jovens, sem comorbidades”. Médicos de muitas cidades segundo Matt Rivers na CNN.

8) Também é mais preocupante a análise de especialistas do Brasil diz que P1 é uma transmissão potencialmente 2-2, cinco vezes mais rápida (mais contagiosa) do que as cepas antigas do novo coronavírus. Isso significa que também é mais rápido do que B117, que está varrendo o mundo.

Precisamos levar a sério a crise do Brasil.

9) Outro grupo de pesquisa do Brasil coloca a transmissão do P1 como duas vezes mais rápida do que a cepa antiga (em vez de 2,5 vezes acima), mas eles estimam uma taxa de reinfecção de 25-60%. O que é muito pior. Isso é sério.

10) Quão boas são as vacinas de mRNA contra isso a variante P1? Há apenas a semi – tem neutralização moderada – que é melhor do que o SA B1351 , mas pior que B117 (que responde bem à vacina).

Para a sua informação, estudo anterior conduzido pela Pfizer afirma que é efetivo, embora estudos maiores discordem.

11) Mas o problema do Brasil é que não há as vacinas de mRNA. Eles têm as vacinas AstraZeneca e SinoVac. Não sabemos a eficácia exata ainda para P1. A vacina SinoVac mostrou uma eficácia de 50%, muito menor em ensaios no Brasil, antes de P1.

12) 50% ainda é bom, e para doenças graves, é 78% para SinoVac, o que é decente.

A vacina da J&J mostra de 80% a 80% no Brasil, mas a J&J ainda não está disponível no Brasil.

O principal problema é que o Brasil não tem o suficiente!

13) O estado do Rio de Janeiro suspendeu a campanha de vacinação por falta de estoque da vacina.

“Este é um desastre, um desastre total”, disse uma entrevistada à CNN após ter sua vacina negada. “Quem é o culpado por tudo isso? Acho que nossos líderes, nossos políticos são uma merda.”

14) “Menos de 10 milhões de pessoas no país de cerca de 220 milhões receberam pelo menos uma dose, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Apenas 1,57% da população foi totalmente vacinada. ”

ESTE É UM DESASTRE ÉPICO em formação no Brasil.

15) Como diabos o Brasil se atrapalhou no fornecimento de vacinas?

“Vários especialistas dizem que a inépcia do governo federal, liderado pelo negacionista Jair Bolsonaro, foi razão da sabotagem. Eles apontam para uma nítida falta de urgência do governo para garantir suprimentos”.

16) O Brasil está em negociações com os EUA para importar algumas vacinas. Os EUA já ’emprestaram’ 4 milhões de doses ao México e Canadá. Mas as negociações com o Brasil começaram no dia 13 de março e ainda não chegaram a um acordo. O Brasil precisa disso logo. Hope Bolsonaro está jogando bola.

17) Mesmo com as importações de vacinas, e o atraso na implementação e a imunidade entrando em vigor, o próximo mês será brutal para o Brasil. Podemos ver como é o ofensiva total do vírus sem mitigação com Bolsonaro subestimando os dados.

Enquanto isso, Brasil encomenda três vezes mais caixões para funerais.

18) Mas também quero deixar uma mensagem de esperança ao povo do Brasil – o mundo vê sua luta e sua dor. Falo com colegas da OMS e de Washington DC. O mundo não se esqueceu de vocês – mesmo que seu líder às vezes o tenha feito isso. O mundo precisa se preocupar e se importar com a situação de vocês.

19) Enquanto isso, Bolsonaro é a única pessoa entre os líderes mundiais precisa ser contido. Ele está realmente atrapalhando todos os esforços para melhorar a situação. Isso é insustentável.

Se essa crise no Brasil continuar, me preocupo com sua estabilidade

20) Eu não acredito em um destino como uma condenação. “Não há destino senão o que fazemos.”

O Brasil precisa de ajuda, o Brasil precisa de mudança. O Brasil precisa de uma liderança que coloque as vidas humanas em primeiro lugar e que acabe com o sofrimento de seus pobres.

Que Deus e o mundo ajudem o povo do Brasil.

21) Para o resto do mundo —Por favor, não seja egoísta negando ajuda ou vacinas. Se a variante P1 do Brasil se espalhar, a crise cresce e é também risco internacional. Nós regredimos como habitantes de um planeta e como civilização. Precisamos nos lembrar do lema – “Um por todos e todos por um”.

Vamos todos encontrar nossa humanidade interior.

22) ps A vacina de Oxford-AstraZeneca mostrou ser eficaz contra a variante P1. Mas o estudo ainda não foi divulgado pelos pesquisadores.

Os EUA têm um estoque de mais de 30 milhões de doses de AstraZeneca – e ele precisa ser liberado agora.

23) Da equipe do Imperial College no Reino Unido:

Sinal de aviso “Data show #P1 variante é 1,4-2,2 vezes mais transmissível do que outras variantes e o original #SARSCoV2 cepa e 25% -65% mais probabilidade de escapar da imunidade protetora existente de infecções anteriores não P.1 – suscetíveis a reinfecção. ”


sexta-feira, 19 de março de 2021

Brasil tem recorde de casos de Covid-19 em 24h e segundo maior número de mortes



Com os números atualizados do país, ao todo, já são 290.314 mortes pela doença

iG Saúde

O Brasil bateu um novo recorde no número de casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2) e registrou 90.570 infecções confirmadas da doença. O país teve ainda 2.815 óbitos por Covid-19, o segundo maior número desde o início da pandemia e completou 21 dias seguidos de recordes na média móvel de óbitos, que agora chegou a 2.173. Os dados são do levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

Com os números atualizados do país, ao todo, já são 290.314 mortes pela doença. São 58 dias seguidos com a média móvel de mortes acima de 1.000 e pelo 12º dia a marca aparece acima de 1,5 mil.

Ainda de acordo com o Conass, ao todo, o país soma 11.871.390 infecções provocados pelo novo coronavírus. A média móvel de casos é de 72.573.

Veja a sequência dos recordes da média móvel

  • Sábado (27): 1.180 (recorde)
  • Domingo (28): 1.208 (recorde)
  • Segunda-feira (1): 1.223 (recorde)
  • Terça-feira (2): 1.274 (recorde)
  • Quarta-feira (3): 1.332 (recorde)
  • Quinta-feira (4): 1.361 (recorde)
  • Sexta-feira (5): 1.423 (recorde)
  • Sábado (6): 1.455 (recorde)
  • Domingo (7): 1.497 (recorde)
  • Segunda-feira (8): 1.540 (recorde)
  • Terça-feira (9): 1.572 (recorde)
  • Quarta-feira (10): 1.626 (recorde)
  • Quinta-feira (11): 1.703 (recorde)
  • Sexta-feira (12): 1.762 (recorde)
  • Sábado (13): 1.824 (recorde)
  • Domingo (14): 1.831 (recorde)
  • Segunda-feira (15): 1.841 (recorde)
  • Terça-feira (16): 1.976 (recorde)
  • Quarta-feira (17): 2.017 (recorde)
  • Quinta-feira (18): 2.087 (recorde)
  • Sexta-feira (19): 2.173 (recorde)

O ranking de número de mortes segue liderado pelo estado de São Paulo, que tem 66.798 óbitos causados pela Covid-19. O Rio de Janeiro continua em segundo lugar, com 34.830 mortes, seguido por Minas Gerais (21.540), Rio Grande do Sul (16.507) e Paraná (14.658).

A contagem de casos realizada pelas Secretarias Estaduais de Saúde inclui pessoas sintomáticas ou assintomáticas; ou seja, neste último caso são pessoas que foram ou estão infectadas, mas não apresentaram sintomas da doença.

Desde o início de junho, o Conass divulga os números da pandemia da Covid-19 por conta de uma confusão com os dados do Ministério da Saúde. As informações dos secretários de saúde servem como base para a tabela oficial do governo, mas são publicadas cerca de uma hora antes.

Mais de 121 milhões pessoas foram infectadas em todo o mundo. Do total de doentes, mais de 2,6 milhões morreram, segundo a Universidade Johns Hopkins. O Brasil segue como o terceiro país do mundo em número de casos de Covid-19 e o segundo em mortes, atrás apenas dos Estados Unidos.

País com mais mortes diárias do mundo

Nesta sexta-feira (19) o Brasil completou duas semanas como o país com mais mortes diárias por Covid-19 no mundo. O país hoje é responsável por 22% de todas as novas mortes e 16% de todos os novos casos de Covid-19 registrados no mundo. Os dados são do Our World in Data .

No ranking mundial, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no último dia 5 de março, quando registrou 1.800 novos óbitos, frente 1.763 dos EUA. Desde a data, a diferença entre os dois países só aumentou.

"Nunca imaginei o nome do Brasil tão destruído no mundo", afirma Nicolelis



Colaboração para o UOL em São Paulo

O impacto internacional pela falta de combate real ao novo coronavírus danificou a imagem do Brasil no mundo de forma assustadora, diz o médico Miguel Nicolelis. Ao Baixo Clero, diz ter dificuldades de explicar a situação do país para estrangeiros.

Junto da apresentadora Carla Bigatto e dos colunistas Diogo Schelp e Maria Carolina Trevisan, o neurocientista ainda lamentou o impacto na política externa causado pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

"Nunca pensei que o nome do Brasil ia ser tão achincalhado, tão desmerecido, tão destruído, vaporizado internacionalmente quanto o que estamos vivendo", diz ele, que morou por anos nos Estados Unidos (veja a partir de 43:40 no vídeo acima).

O cientista define sentir uma "dor profunda" ao ter que falar com médicos ou jornalistas de outros países. Questionamentos o deixam com problemas nas respostas para não jogar a reputação do país fora.

"Do governo, tudo bem [jogar fora]. Os brasileiros que não têm essa convivência no exterior não têm a menor ideia do que estamos passando enquanto imagem de país", diz (ver a partir de 44:20 no vídeo acima).

Nicolelis vai além. "Certos países nem querem nos ajudar por não se sentirem à vontade de ajudar o governo brasileiro", afirma (ver a partir de 44:30 do vídeo acima).

Sem a ajuda internacional nesse momento, com compra de vacinas e cessão ou importação de de medicamentos, avalia como complexo de solucionar a pandemia.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube —neste último, também em vídeo.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Pelo 20º dia seguido, Brasil tem média recorde de mortes por covid-19



Colaboração para o UOL, em São Paulo

Nesta quinta-feira (18), o Brasil registrou a mais alta média de mortes por covid-19 em toda a pandemia pelo 20º dia consecutivo. Nos últimos sete dias, a média foi de 2.096 óbitos diários causados pela doença. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

Foram reportadas 2.659 novas mortes por covid-19 em todo o país nas últimas 24 horas, a terceira maior marca desde março de 2020. O recorde foi verificado na terça-feira (16), com 2.798 vítimas. No total, 287.795 pessoas morreram em decorrência da doença desde o início da pandemia. Com problemas de acesso ao seu banco de dados, o Rio Grande do Norte foi o único estado que não enviou números atualizados.

Já são 57 dias seguidos nos quais o Brasil apresenta média de mortes por covid-19 acima de mil, o período mais longo em toda a pandemia. E uma sequência de 17 dias com o registro de mais de mil novas mortes pela doença em um intervalo de 24 horas.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) questiona dados sobre ocupação de leitos de UTIs, vários estados estão à beira de um colapso em seus sistemas de saúde. Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, anunciou hoje a 1ª morte por falta de atendimento em UTI na cidade.

Nas últimas 24 horas, houve 87.169 diagnósticos positivos para a covid-19 em todo o país, a segunda marca mais alta desde março de 2020. Desde o início da pandemia, o total de infectados subiu para 11.787.600.

O Brasil em números

Na primeira onda:
  • Maior número de mortes em 24 h: 1.554 (19/7)
  • Maior média móvel de óbitos: 1.097 (25/7)
  • Maior período com média acima de mil: 31 dias
  • Maior número de óbitos em uma semana: 7.679 (de 19/7 a 25/7)
Na segunda onda:
  • Maior número de mortes em 24 h: 2.798 (16/3)
  • Maior média móvel de óbitos: 2.096 (18/3)
  • Maior período com média acima de mil: 57 dias
  • Maior número de óbitos em uma semana: 12.770 (de 7/3 a 13/3)
As 23 maiores médias móveis de mortes por covid-19 no Brasil ocorreram nos últimos 23 dias. As dez mais altas são as seguintes:

  • 18 de março - 2.096
  • 17 de março - 2.031
  • 16 de março - 1.976
  • 15 de março - 1.855
  • 14 de março - 1.832
  • 13 de março - 1.824
  • 12 de março - 1.761
  • 11 de março - 1.705
  • 10 de março - 1.645
  • 9 de março - 1.572
Os cinco dias com maior número de mortes em toda a pandemia ocorreram nos últimos dez dias (os números não indicam quando os óbitos ocorreram de fato, mas, sim, quando passaram a contar dos balanços oficiais):
  • 16 de março - 2.798
  • 17 de março - 2.736
  • 18 de março - 2.659
  • 10 de março - 2.349
  • 11 de março - 2.207
Nove estados reportaram mais de 100 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. O total de vítimas apenas nestes estados chega a 2.109:
  • São Paulo - 659
  • Rio Grande do Sul - 298
  • Minas Gerais - 274
  • Paraná - 191
  • Goiás - 180
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Dados da Saúde

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (18) que o Brasil computou 2.724 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, o país registrou um total de 287.499 óbitos provocados pela doença.

De ontem para hoje, houve 86.982 casos confirmados de covid-19 no país, elevando o total de infectados para 11.780.820 desde o começo da pandemia.

Segundo o governo federal, 10.339.432 pessoas se recuperaram da doença até o momento, com outras 1.153.889 em acompanhamento.

quinta-feira, 11 de março de 2021

SP decreta toque de recolher entre 20h e 5h, suspensão de cultos, esporte e retirada em restaurante

 

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quinta-feira (dia 11) que, na tentativa de conter o avanço da pandemia, o estado entrará na “fase emergencial”, mais rígida nas restrições à circulação, entre a próxima segunda-feira (dia 15) até o dia 30 de março.

O estado decretou toque de recolher entre 20h e 5h da manhã e proibiu a realização de cerimônias religiosas coletivas, suspendeu partidas esportivas e determinou que o home office será obrigatório para atividades não essenciais, como escritórios. Ficou proibido também a realização de serviços de retirada para todos os setores e o funcionamento de lojas de material de construção.

Haverá ainda uma recomendação de escalonamento do horário de entrada dos trabalhadores para evitar aglomerações no transporte público:
  • Das 5h às 7h: trabalhadores da indústria
  • Das 7h às 9h: trabalhadores de serviços
  • Das 9h às 11h: trabalhadores do comércio
Pela manhã, Doria havia publicado na rede social Twitter um vídeo anunciando a necessidade de mais isolamento social para desafogar os hospitais. “Temos que entrar em uma nova fase do Plano São Paulo. Ela é mais restritiva, eu reconheço. Não é fácil tomar essa decisão”, disse. “Neste momento só temos o isolamento como alternativa para reduzir a marcha do vírus. Eu faço um apelo para você: por favor, respeite as recomendações.”

São Paulo tem 2.149.561 casos e 62.570 óbitos confirmados por covid-19. A taxa de ocupação de UTI é de 83%, média que é de 83,6% na Grande São Paulo. Em enfermarias, a ocupação é, respectivamente, de 67,1% e 74,9%.

Fiscalização
A fiscalização do cumprimento da medida será feita por uma força tarefa formada pelas vigilâncias municipais e do estado de São Paulo, pela polícia militar e pelo Procon.

O governo estadual divulgou ainda números de telefone para denúncias de não cumprimento da nova regra: 0800-771-3541 (ligação gratuita) e 3065-4666.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Pária global: Brasil vira "ameaça sanitária" no mundo

Especialistas, economistas e governos acompanham com perplexidade a condução da crise no país e o avanço de novas variantes, apontando para o que seria um novo problema global e diplomático

Vivian Oswald

LONDRES - A tragédia brasileira com a Covid-19 está nas manchetes e em charges nada abonadoras de jornais internacionais. Pelo menos 18 países suspenderam voos ou impuseram outros vetos específicos aos passageiros saídos do Brasil e da África do Sul, com medo da propagação do novo coronavírus e de suas variantes. Só os viajantes do Reino Unido enfrentam mais obstáculos.

Fala-se do Brasil como uma importante “ameaça sanitária global”, usando os termos publicados no jornal britânico The Guardian, que ouviu médicos e especialistas preocupados com o avanço da doença no país. “Isso é sobre o mundo. É global”, disse ao jornal o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Se a mutação do vírus, a P1, surgida em Manaus, já era motivo de alerta por se tratar de uma variante mais contagiosa — e, a princípio, mais resistente às vacinas — , é a condução da crise pelo governo brasileiro que põe o país sob os holofotes neste momento.

Especialistas, economistas e governos mundo afora acompanham com perplexidade o que acontece no Brasil e aconselham o isolamento.

— Se não houver uma mudança radical e rápida na forma como o país está lidando com a pandemia, ele vai se tornar uma ameaça global à gestão da crise, como também um pária, rejeitado pelos demais em transações econômicas, turismo e até mesmo na cooperação e diálogo sobre as grandes questões — diz Fabio de Sá e Silva, co-diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos.

Para Sayantan Ghosal, professor de economia da Universidade de Glasgow, o que acontece no Brasil hoje tem implicações sérias sobre a sua reputação no cenário mundial:

— O país sempre foi um exemplo, uma economia e democracia vibrantes. Todos queriam aprender com o Brasil. Agora, a negligência e a estratégia fraca de combate à Covid colocam em risco a boa imagem construída em anos.

Especialista em desigualdades sociais, ele destaca que a pandemia vai cobrar um preço alto da sociedade brasileira no médio e longo prazos. A diferença entre ricos e pobres vai se agravar, e a recuperação da economia será demorada.

Entre os governos estrangeiros, por enquanto, o discurso diplomático segue cauteloso. Autoridades americanas e europeias evitam apontar o dedo para o Brasil, ou insistir na variante brasileira, que têm preferido chamar publicamente de P1, para não singularizar o país. Sabem que o Brasil não é o primeiro e nem será o último a apresentar uma variante nova. O Reino Unido tem pelo menos duas, sendo que a encontrada em Kent — hoje a versão predominante no país —, já teria apresentado a mesma mutação na E484K, como a da cepa brasileira, que ofereceria resistência às vacinas.

Para Julián Villabona Arenas, especialista do Departamento de Epidemiologia de Doenças Infecciosas da London School of Hygiene and Tropical Medicine, está muito claro que as novas variantes diminuem a capacidade de controle da pandemia.

— Até que haja uma boa cobertura de vacinas e medidas de controle adequadas, a epidemia no Brasil representa uma ameaça para o controle global. Mas não é justo dizer que o país é a única ameaça.

Ele destaca que a vacinação, o monitoramento genômico e a manutenção e reforço de intervenções não farmacológicas (uso de máscaras e distanciamento social) são urgentes. Isso porque, se a P1 e outras variantes circularem mais, crescem as chances de novas mutações com efeitos insidiosos nas taxas de transmissão. Ele defende a cooperação internacional, sem a qual afirma que o mundo corre o risco de prolongar a pandemia na medida em que novas variantes poderão surgir por toda a parte.

Anteontem, o infectologista Anthony Fauci, principal nome do combate à pandemia nos Estados Unidos, evitou polêmicas. Ponderou o risco da variante brasileira, recomendou que os cientistas se debrucem sobre a criação de anticorpos pelas vacinas e se ofereceu para conversar com as autoridades locais.

Para Silva, a reação internacional será mais forte na medida em que os países concluam seus programas de vacinação. Os Estados Unidos dizem que vão vacinar todos até maio. No Reino Unido, a previsão é a de que todos os adultos sejam imunizados até julho. Depois de um esforço fenomenal que terá durado mais de um ano, não vão permitir que novas variantes coloquem tudo a perder. Em toda a Europa, cansados de lockdowns e com a economia deprimida, cidadãos querem um mínimo de liberdade, ainda que vigiada, após a imunização. Na Holanda, foram registrados protestos violentos contra as restrições sanitárias. Tudo isso aumenta a pressão sobre os governos.

— Ninguém terá como vacinar contra outras variantes em dois meses. Isso vai isolar o Brasil e fechar a fronteira — diz Silva.

Viagens a turismo ainda vão demorar a serem retomadas. Estudantes brasileiros no exterior também têm enfrentado problemas. No Reino Unido, precisam passar por uma quarentena de 12 dias em hotéis designados pelo governo britânico ao custo de 1.750 libras (quase R$ 14 mil). Nos Estados Unidos, muitos precisam fazer quarentena no México. Segundo Silva, a Universidade de Oklahoma acabou criando condições para que seus alunos ficassem no centro de estudos da entidade no México para que não fossem ainda mais penalizados com custos neste semestre.

Crise similar à da Amazônia

Para o professor Ghosal, não há como fugir da reação da sociedade e de certa estigmatização. O especialista de Glasgow não descarta a possibilidade de boicotes contra produtos brasileiros, ou até mesmo de episódios isolados de violência contra imigrantes brasileiros no exterior. Nos últimos meses, crescem as especulações de boicote a exportações de carne e soja do Brasil por conta das políticas do governo na área ambiental.

— Pode ser a mesma história para a pandemia, com boicotes de interesses econômicos, como aconteceu com a Amazônia — diz Silva, que afirma ser cada vez mais visível no exterior a situação crítica no Brasil, na contramão do esforço coletivo mundial.

— Vemos os avanços no mundo com a vacinação e adoção de políticas restritivas, enquanto o Brasil segue com uma atitude de negação da seriedade da pandemia. É possível que, por conta do Brasil, o mundo não saia da crise no tempo esperado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Com 1.582 mortes por Covid-19 em 24 h, Brasil bate recorde de óbitos na pandemia

Sete dos dez dias com mais mortes no país ocorreram em 2021; dia também registrou recorde de média móvel de óbitos

Folha

Um ano depois do primeiro caso de Covid-19, o Brasil registrou o maior número de óbitos pela doença em 24 horas em toda a pandemia. Nesta quinta-feira (25), foram registradas 1.582 mortes de brasileiros pela Covid. Com expansão da doença em diversos locais, os dados apontam que o país vive o pior momento da pandemia.

O recorde anterior de mortes (1.554) tinha ocorrido em 29 de julho do ano passado, seguido por 4 de junho, com 1.470 óbitos. O ranking, porém, já é dominado por 2021. Sete dos dez dias com mais mortes na pandemia ocorreram em 2021.

Com as mortes registradas nesta quinta, o país chegou 251.661 óbitos.

A média móvel de mortes pela Covid foi recorde, pelo segundo dia consecutivo. O valor chegou a 1.150, nesta quinta, com crescimento de 7% em relação ao dado de 14 dias atrás, o que representa uma situação de estabilidade. Na quarta, o valor era de 1.129. Essa média é recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

O país também completa 36 dias seguidos de média móvel acima de 1.000.

Além do elevado número de mortes, o Brasil também registrou 67.878 casos de Covid. Com isso, o país soma 10.393.886 pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia.

Foram aplicadas no total 8.088.918 doses de vacina (6.338.137 da primeira dose e 1.750.781 da segunda dose), de acordo com as informações disponibilizadas pelas secretarias de Saúde. Nesta quinta, foram 158.237 primeiras doses e 166.212 segundas.

As vacinas disponíveis no Brasil são a Coronavac, do Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, e a Covishield, imunizante da Fiocruz desenvolvido pela parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca.

​A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorre em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Brasil tem número recorde de mortes em 24 horas


Boletim ATUALIZADO #COVID19 no Brasil

Fonte: Sec. de Saúde dos Estados (CONASS)

Data: 25/02

(Atualizado às 18h)


N° de infectados: 10.390.461

N° de mortos: 251.498


Foram 65.998 casos e 1.541 mortes em 24h*

(*Recorde em 24h)


Contagem Coronavírus

N° total de vacinados: 7.951.443

"O Brasil mostrou a receita do que não fazer", dizem especialistas Margareth Dalcolmo e Natalia Pasternak


Em conversa promovida pelo GLOBO, cientistas refletem sobre o que o país aprendeu, ou deveria aprender, em um ano de pandemia

Rafael Garcia

O aniversário de um ano da Covid-19 no Brasil permite refletir sobre a eficácia da resposta ao vírus, mas agora há mais erros do que acertos para processar.

— O Brasil mostrou a receita do que não fazer na pandemia — diz Natalia Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do GLOBO.

Para rememorar o ano pandêmico, Pasternak conversou, a pedido da reportagem, com Margareth Dalcolmo, médica pneumologista, pesquisadora da Fiocruz e também colunista do GLOBO. O diálogo ocorreu na véspera de o país somar 250 mil mortes pela doença.

— Não pode continuar assim, como diletantismo. Estamos diante de algo muito dramático — diz Dalcolmo, que alerta para o risco de o público ter emoções “anestesiadas” com os números.

Abaixo, os principais trechos da conversa entre as duas pesquisadoras.

Duração da pandemia

Natalia Pasternak: Nenhuma pandemia dura para sempre. O quanto ela dura e o quanto ela incomoda depende muito do nosso comportamento. Como sociedade, a gente vê que os países se comportaram de maneira diferente. Então, quando nos perguntam quanto tempo mais essa pandemia vai durar, depende de fatores futuros.

Margareth Dalcolmo: O que diferencia a Covid-19 da Sars e da Mers é que nenhuma delas foi tão pandêmica e tão rápida quanto essa. O caso zero foi na China na virada do ano, e no fim de março a doença já estava nos cinco continentes. E não temos dúvida de que ela vai virar endêmica. Provavelmente o Sars-CoV-2 vai passar a integrar a lista do painel de vírus que nós aplicamos em pacientes suspeitos (de contrair viroses respiratórias), como o H1N1, alguns adenovírus e outros rinovírus.

Bons exemplos

Pasternak: Na Nova Zelândia, o fator decisivo foi o político: ter uma liderança política clara e transparente. Israel foi aos trancos e barrancos na questão de lockdown, mas agora está vacinando rapidamente, porque se planejou. Eles compraram as doses de vacina que seriam necessárias para o seu país e agora fazem uma campanha maciça.

Dalcolmo: A Austrália está numa situação espetacular, quase não tem casos. Estão com a doença controlada, porque detectam um caso e fazem a busca detalhada, bloqueiam quem teve contato com um infectado nos últimos 7 dias.

250 mil mortos

Pasternak: As previsões iniciais eram mais ou menos isso. Os primeiros modelos matemáticos foram claros em colocar o melhor e o pior cenário. Nós, infelizmente, cumprimos muito do pior. Quantas vidas teriam sido poupadas simplesmente com vontade política, organização e preparação? Como seria se o país tivesse enfrentado a pandemia de maneira coletiva e organizada? Como teria sido com líderes dando o exemplo? Tivemos o contrário: líderes dando o mau exemplo. Incitaram as pessoas a achar que não era sério, a não usar máscara e a se aglomerar à vontade.

Dalcolmo: Incomoda todos os dias ficarmos vendo essa “anestesia cívica”. Ficamos lá contando mortes. “Hoje teve 1.035, ontem 1.052...” Não pode continuar assim, como diletantismo. Estamos diante de algo muito dramático, que atingiu muitas famílias. Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas? Digo de maneira quase arbitrária: pelo menos um quarto das mortes, se as pessoas tivessem recebido assistência adequada, sem bobagem de “tratamento precoce”.

Atraso na vacina

Pasternak: Minha mãe fala muito da campanha contra meningite na década de 1970. Eu vivi a do H1N1 em 2009. Essas campanhas foram de um estrondoso sucesso. Avaliar a campanha de agora é diferente, porque desta vez nós temos muitos grupos prioritários, e da outra vez não tínhamos. Mas agora a gente perdeu o bonde para adquirir as doses, e está correndo para conseguir no pinga-pinga. Um pouco aqui, um pouco no segundo semestre, um pouco no ano que vem...

Dalcolmo: A diferença também é o tamanho do problema, o grau de disseminação da Covid-19. Mas, além disso, tivemos a negação de quão estratégica era a única solução possível para uma virose aguda dessa natureza: a vacina. Não estamos tratando de hepatite C ou Aids, viroses crônicas com as quais usamos remédios. Ficou claro há muito tempo que não era remédio que iria resolver a Covid-19.

Desinformação

Pasternak: A gente precisa falar a mesma língua não só sobre vacina, mas nas medidas de prevenção. Há um ano, era compreensível as pessoas não entenderem por que temos que usar máscara e não fazer aglomeração. Um ano depois, a gente ainda precisa insistir nisso. Não basta saber de vacina, se esquecemos das outras medidas que precisam, ainda, ser usadas. Talvez agora precisem ser usadas até de forma mais enfática.

Dalcolmo: Se o país conseguisse falar a mesma língua já seria um adianto. A quem interessa gastar dinheiro para disseminar “tratamento precoce” e promover politização de algo sem sentido? A quem interessa disseminar discórdia quando temos que ter a sociedade reivindicando o seu direito a ser vacinada? Precisamos vacinar, no mínimo, 70% da população nos próximos meses e fechar o semestre assim.