Leandro Fortes
O problema não está só na Globo News, embora o programa seja, simbolicamente, a expressão mais grave de uma doença maior: a submissão intelectual dos jornalistas aos patrões.
Junte-se a isso o despreparo e a indigência vocacional, aliados a uma formação cada vez mais capenga.
Assim, um repórter descobre um dossiê, na mesa do presidente da República, contra uma funcionária pública, com a indicação expressa de que era necessário persegui-la, por ser petista. Podia esperar a perseguição se consumar, podia ouvir a funcionária para montar a história, podia fazer uma reportagem com início, meio e fim, gerando a materialidade do fato.
Mas fez o quê? Meteu nas redes, porque não tem experiência, nem um editor capaz de enxergar além da glória de um furo de 10 minutos, nem visão de jornalismo. O que poderia ser uma reportagem de graves consequências, virou uma lacração ignorada.
Não sabem mais diferenciar pauta de matéria.
Hoje de manhã, o governador Ibaneis Rocha, do DF, foi visitar o viaduto caído, faz quase um ano, no centro de Brasília. O repórter de rádio entra ao vivo, com o secretário de Obras, e pergunta: "A visita foi a contento?".
Ou seja, nunca ensinaram a ele que perguntas, em entrevistas, servem para gerar informação, não qualquer resposta. Podia ter perguntado quando o novo governo vai recuperar o viaduto, quanto vai custar, quem será punido. Mas não, quis saber se a visita do governador foi " a contento".
Dá um puta desânimo.

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